Mercado fechado
  • BOVESPA

    111.923,93
    +998,33 (+0,90%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.234,37
    -223,18 (-0,43%)
     
  • PETROLEO CRU

    80,34
    -0,88 (-1,08%)
     
  • OURO

    1.797,30
    -3,80 (-0,21%)
     
  • BTC-USD

    16.965,19
    -8,42 (-0,05%)
     
  • CMC Crypto 200

    404,33
    +2,91 (+0,72%)
     
  • S&P500

    4.071,70
    -4,87 (-0,12%)
     
  • DOW JONES

    34.429,88
    +34,87 (+0,10%)
     
  • FTSE

    7.556,23
    -2,26 (-0,03%)
     
  • HANG SENG

    18.675,35
    -61,09 (-0,33%)
     
  • NIKKEI

    27.777,90
    -448,18 (-1,59%)
     
  • NASDAQ

    11.979,00
    -83,75 (-0,69%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,4940
    +0,0286 (+0,52%)
     

Não estamos preparados para enfrentar um asteroide em rota de colisão

O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA realizou um exercício com acadêmicos, cientistas e funcionários do governo para saber se os EUA estão preparados para impedir uma colisão com um asteroide gigante. O resultado: não estão preparados.

Asteroide fictício se choca com a Terra

A simulação consistia na “descoberta” de um asteroide fictício chamado TTX22 em direção à Terra. Mais de 200 participantes de 16 organizações federais, estaduais e locais passaram por um curso intensivo sobre ciência de asteroides para decidirem como agir diante a catástrofe.

Cada reunião avançava na linha do tempo da simulação, com as últimas ocorrendo pouco antes e depois do impacto do asteroide perto de Winston-Salem, que fica na Carolina do Norte. A rocha era de 70 metros e a explosão do impacto atingiu uma área de 13 km com a energia de 10 megatons (10 milhões de toneladas de TNT).

Representação dos asteroides Didymos e Dimorphos e a nave da missão DART (Imagem: Reprodução/NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben)
Representação dos asteroides Didymos e Dimorphos e a nave da missão DART (Imagem: Reprodução/NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben)

Prédios foram destruídos e houve milhares de mortes, mas tudo foi apenas uma simulação. O importante foi a lição — a humanidade não parece preparada para responder a uma ameaça de impacto, tampouco para controlar o caos que pode ocorrer entre a população antes do desastre se concretizar.

Bem, para ser justo, o exercício era para ser praticamente invencível, pois a NASA queria conhecer todos os pontos fracos das equipes e levar os tomadores de decisões difíceis ao nível máximo de pressão. Os participantes não puderam fazer nada para evitar o impacto, mas se saíram bem em alguns aspectos.

Asteroides de 70 metros não são exatamente grandes. O Dimorphos, por exemplo — desviado com sucesso pelo choque com espaçonave DART no dia 26 de setembro — tem 160 metros. Este asteroide poderia destruir a capital de São Paulo e cidades circunvizinhas, não mais que isso.

Isso significa que o fictício TTX22 não causaria uma catástrofe em um país inteiro, muito menos global. Por outro lado, o tamanho relativamente pequeno poderia torná-lo difícil de detectar com muito tempo de antecedência, mesmo que já esteja vindo em nossa direção. Além disso, ele seria rápido demais para interceptar dependendo de sua distância da Terra.

Se o tempo disponível para desviar o asteroide for abaixo de 10 anos antes do impacto previsto, pode ser impossível desviá-lo a tempo. Na verdade, o exercício demonstrou que os Estados Unidos não podem interceptar asteroides pequenos e rápidos, ainda mais com a capacidade atual de detectá-los.

Também ficou claro que o uso de uma arma nuclear para destruir a rocha é muito arriscado e poderia violar leis internacionais, abrindo precedentes que poderiam ser perigosos no futuro. O resultado da simulação também mostra que a desinformação pode prejudicar os esforços de mitigação do impacto.

Desinformação e “fake news”

Fake news poderiam tornar uma catástrofe de asteroide ainda pior (Imagem: Reprodução/Rawpixel/Envato)
Fake news poderiam tornar uma catástrofe de asteroide ainda pior (Imagem: Reprodução/Rawpixel/Envato)

A desinformação foi um componente importante na simulação, pois as chamadas “fake news” dificilmente vão cessar nos próximos anos. Então, é preciso saber como combatê-la e, para isso, o treinamento incluiu um cenário bem problemático.

Dentro da linha do tempo do exercício, a desinformação era constante, incluindo notícias online incorretas e indivíduos/grupos “negadores de asteroides”. Essas “fakes” cresciam e se tornaram uma grande frustração para os participantes. Eles concluíram que precisariam enfrentá-la de frente, em uma situação real.

Com o fluxo de mentiras em um curto espaço de tempo, os participantes afirmaram que as estratégias para enfrentá-las eram limitadas. “Quando discutimos a evacuação, nos disseram que 20% das pessoas não iriam embora porque todas as notícias seriam falsas ou o governo estava mentindo ou algum outro motivo”, diz August Vernon, do gerenciamento de emergências de Winston-Salem.

Ele explica que a simulação resultou em cerca de 200.000 pessoas que decidiram não evacuar o local, todas espalhadas pela cidade. “Então aqui estava eu, sem saber se conseguiríamos evacuar os hospitais e prisões”.

Para piorar o quadro, a simulação apresentou um indivíduo que se autodenominava “National Expert T.X. Asteroid”, afirmando que a explosão liberou materiais tóxicos do espaço sideral para a atmosfera, e que todos os sobreviventes deviam esperar sintomas semelhantes à exposição à radiação. O “expert” deu até mesmo entrevistas para agências de notícias.

Lindley Johnson, oficial de defesa planetária na sede da NASA, disse que seu escritório está lutando contra a desinformação em uma estratégia de longo prazo. “Queremos estabelecer o Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA. O plano é que a mídia e o público entendam que um grupo da NASA rastreia e gerencia esse tipo de coisa”, explicou.

Pós-impacto e resultados

Região que seria afetada por uma colisão com o asteroide Dimorphos (Imagem: Reprodução/Paul McBurney/OpenStreetMap)
Região que seria afetada por uma colisão com o asteroide Dimorphos (Imagem: Reprodução/Paul McBurney/OpenStreetMap)

Os resultados, claro, foram catastróficos, mas tudo foi pensado para ser um cenário muito pessimista. Mesmo assim, houve pontos bem positivos — as conversas entre autoridades federais e locais, por exemplo, conseguiram levar os tomadores de decisão a entender melhor quem coordenaria os esforços de resgate e recuperação pós-impacto e o que eles precisavam para isso.

Eles também descobriram que, para combater a desinformação, não era necessário que as autoridades e os comunicadores conhecessem toda a ciência por trás: bastaria um porta-voz que a população confiasse e acreditasse. Mas, para funcionar, seria preciso mudar essa comunicação do nível federal para o local.

Os participantes e facilitadores do exercício concordaram que a tragédia aconteceu devido ao tempo apertado. Angela Stickle, pesquisadora sênior da APL que ajudou a projetar e facilitar o exercício, disse que “uma década [entre a detecção do asteroide e o impacto] é um prazo bastante confortável para poder fazer algo que seja eficaz”.

Ela ainda afirma que “trinta anos seria o ideal” para observações detalhadas do asteroide à medida que ele se aproxima e planejamento e execução de uma missão de interceptação — que inclui desde a construção de uma espaçonave projetada para desviar aquele asteroide específico, considerando o tamanho e a massa do objeto.

Com esse prazo de 30 anos, ainda haveria tempo de enviar outra missão como substituta caso a primeira falhar. Infelizmente, no entanto, ninguém pode garantir que teremos esse tempo caso um asteroide realmente venha rápido em nossa direção.

Apesar dessas preocupações, não precisamos entrar em pânico. Vários asteroides se aproximam da Terra o tempo todo e nem percebemos. Além disso, os astrônomos monitoram o céu constantemente para detectar qualquer rocha atrevida em rota de colisão e, ao menos por enquanto, não estamos na mira de nenhuma delas.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: