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Musk arrisca ‘êxodo’ de negros do Twitter preocupados com abuso

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(Bloomberg) -- BlackPlanet? Tumblr? Ou, Deus me livre — MySpace?

Essas foram algumas das alternativas ao Twitter apresentadas por usuários negros que contemplam deixar a plataforma de mídia social após notícias de que Elon Musk irá comprá-la em um acordo de US$ 44 bilhões.

Os planos do CEO da Tesla para a marca giram em torno de corrigir o que ele chama de problemas de “liberdade de expressão”, mas suas queixas estão fortemente ligadas às mensagens cifradas do segmento online da direita política. Isso deixou os usuários negros do Twitter, junto com outras minorias, preocupados que as comportas estão prestes a ser abertas para assédio, abuso e muito mais.

Muitos usuários de esquerda do Twitter já reclamam do acordo com Musk. Mas o potencial para a plataforma perder muitos de seus usuários negros – ou #BlackTwitter para os entendidos – pode significar um retrocesso financeiro para a empresa, que viu seu aplicativo de mídia social ganhar destaque, pelo menos em parte, por causa do discurso cultural e de justiça social que os usuários negros tornaram popular.

Pesquisadores da Old Dominion University e da Radford University chamaram os usuários afro-americanos de “alguns dos mais influentes” no aplicativo.

“É tudo hipotético por enquanto, mas na pior das hipóteses, posso imaginar um êxodo em massa de pessoas de comunidades marginalizadas”, disse April Reign, defensora da diversidade e inclusão, grande influencer nos círculos do #BlackTwitter e criadora do hashtag #OscarsSoWhite em 2015.

Cerca de 11% dos usuários do Twitter são negros, de acordo com análise do Pew Research de 2018. Mas a própria empresa reconheceu a enorme influência que tiveram na plataforma.

Em entrevista no Essence Festival de 2019, o ex-CEO do Twitter Jack Dorsey disse que o #BlackTwitter é “uma força muito poderosa”. Um estudo do Pew de 2014 mostrou que os negros passavam mais tempo no site social – 22% dos usuários negros da internet acessavam o Twitter em altos níveis, contra 16% dos brancos.

Agora, os usuários negros do Twitter perguntam: “O que Elon Musk fez em sua vida para mostrar que tem o contexto ou a competência cultural para administrar uma organização como essa?” disse Reign.

O histórico de Musk sobre questões raciais em seus empreendimentos é mediano, na melhor das hipóteses. Este mês, a fabricante de carros elétricos Tesla revelou que enfrentou uma investigação da Comissão para Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA que antecede uma investigação de três anos do Departamento de Emprego e Habitação Justos da Califórnia. O órgão processou a Tesla em fevereiro, dizendo que a empresa ignorou o “racismo desenfreado” e anos de reclamações de trabalhadores negros sobre insultos raciais em sua fábrica de automóveis em Fremont, na Califórnia.

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©2022 Bloomberg L.P.

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