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Museu da Língua Portuguesa é reaberto com presidente de Portugal, mas sem Bolsonaro

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de cinco anos depois de ser parcialmente consumido por um incêndio, em dezembro de 2015, o Museu da Língua Portuguesa, no centro de São Paulo, foi reinaugurado numa cerimônia exclusiva para convidados neste sábado (31).

Estiverem presentes o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o secretário de Cultura, Sérgio Sá Leitão. Ainda participaram da solenidade os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso --todos os ex-chefes do Executivo ainda vivos foram convidados, além do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que não se manifestou sobre o evento. José Sarney havia confirmado presença, mas não pôde ir por ter apresentado sintomas gripais.

"Convidamos o presidente Jair Bolsonaro, que infelizmente preferiu passear de motocicleta em Presidente Prudente", alfinetou Doria, referindo-se a mais um ato com motoqueiros feito pelo presidente, desta vez no interior de São Paulo, neste sábado.

Autoridades de países lusófonos também compareceram, como o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, e o de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.

A instituição foi homenageada no evento com a Ordem de Camões pelo presidente português. "A língua é uma alma feita de milhões de almas. Aqui viemos para dizer que é possível materializar o imaterial. Imprimir essas almas num museu que seja tão vivo quanto a inesgotável imaginação dos que nascem, vivem e morrem em português" disse ele.

"Aqui viemos para celebrar o futuro, pois é ele que nos desafia. Essa é uma celebração do nosso futuro, do futuro da nossa língua comum. E é em nome desse futuro que celebramos, agraciando o Museu da Língua Portuguesa com a Ordem de Camões", completou o português.

"Para nós, Portugal é como um amigo", disse Fernando Henrique Cardoso, que é membro da Academia Brasileira de Letras.

A cantora Fafá de Belém, num longo vestido amarelo adornado por joias esverdeadas, foi convidada para entoar o hino nacional. "Nós somos um só coração, um só sentimento. Os sotaques e o significado das palavras mudam um pouco, mas todos somos filhos, descendentes diretos de quem fez os países de língua portuguesa uma grande nação", afirmou ela, cantando na sequência o hino português.

Ao custo de R$ 85,8 milhões, a reconstrução do museu, concluída em dezembro de 2019, ficou a cargo do governo do estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Cerca de R$ 34 milhões vieram do seguro, e o restante foi bancado por empresas e patrocinadores, como Grupo Globo, Itaú e EDP.

A reabertura estava prevista para o ano passado, mas teve que ser adiada devido à pandemia. O público poderá visitar o local já neste domingo (1º), reservando ingressos em sympla.com.br.

Localizado no prédio da estação da Luz, patrimônio histórico da capital paulista, com mais de 150 anos, o museu foi inicialmente inaugurado em 2006, mas fechou as portas em dezembro de 2015 após um incêndio que destruiu o segundo e terceiro andares do edifício. Um bombeiro civil chegou a morrer no combate às chamas, devido a uma parada cardiorrespiratória causada pela fumaça.

No ano retrasado, um inquérito concluiu que o fogo foi causado por uma falha num dos holofotes que iluminavam o prédio. Tanto o museu quanto a estação da Luz, ao lado, não tinham auto de vistoria dos Bombeiros. As obras para recuperar o prédio foram iniciadas ainda na gestão de Geraldo Alckmin no governo paulista.

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