Mercado fechado
  • BOVESPA

    93.952,40
    -2.629,76 (-2,72%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    36.987,86
    +186,49 (+0,51%)
     
  • PETROLEO CRU

    35,72
    -0,45 (-1,24%)
     
  • OURO

    1.878,80
    +10,80 (+0,58%)
     
  • BTC-USD

    13.563,68
    +264,83 (+1,99%)
     
  • CMC Crypto 200

    264,94
    +1,30 (+0,49%)
     
  • S&P500

    3.269,96
    -40,15 (-1,21%)
     
  • DOW JONES

    26.501,60
    -157,51 (-0,59%)
     
  • FTSE

    5.577,27
    -4,48 (-0,08%)
     
  • HANG SENG

    24.107,42
    -479,18 (-1,95%)
     
  • NIKKEI

    22.977,13
    -354,81 (-1,52%)
     
  • NASDAQ

    11.089,00
    -253,75 (-2,24%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,6872
    -0,0584 (-0,87%)
     

Mundo Mistério | Episódio 7 traz possibilidades assustadoras sobre os robôs

Nathan Vieira
·6 minutos de leitura

A série Mundo Mistério, da Netflix, protagonizada pelo youtuber Castanhari, buscou apresentar alguns mistérios por trás da ciência e da tecnologia. O Canaltech traz a você maiores detalhes de cada episódio por meio de um especial, com participações de especialistas da área. Nessa ocasião, abordamos o sétimo episódio, que levanta uma questão que já não é inédita em nossas mentes: e se os robôs se voltassem contra nós?

Somos suspeitos para falar, mas o fato é que a tecnologia tem crescido cada vez mais, a níveis que vão além do que se imaginava poucos anos atrás. E é justamente nisso que foca o episódio em questão. Ele segue a premissa de que a inteligência artificial Briggs (interpretada por Guilherme Briggs) começou a apresentar falhas por causa de um malware. Com isso, Castanhari, ao lado de Betinho (Bruno Miranda), passa a questionar a respeito das chances da tecnologia se voltar contra os seres humanos.

Briggs, inteligência artificial da série Mundo Mistério (Imagem: Divulgação/Netflix)
Briggs, inteligência artificial da série Mundo Mistério (Imagem: Divulgação/Netflix)

Durante entrevista ao Canaltech, Castanhari menciona que alguns temas por si só se apresentaram como uma tarefa árdua, o que é o caso desse episódio de número sete. "O episódio de superinteligência artificial foi um desafio muito grande, por conta da questão de superinteligência em si ser um tema muito complexo", o youtuber revela.

Para entender melhor os conceitos abordados na série, conversamos com Arthur Igreja, especialista em Tecnologia e Inovação e professor convidado da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ele defende que a internet mudou absurdamente a sociedade, uma vez que antes de tudo, em termos de possibilidade de conexão, onde as conexões se tornaram baratas e rápidas, e que antes essas conexões ocorriam pelo contato pessoal e basicamente por cartas, fax e telefonemas, havendo restrições de custo, geográfica e de quantas conexões eram possíveis serem feitas em um dia.

"A internet aproximou as pessoas, habilitou um sem fim de modelos de negócios, possibilitou a transmissão de conteúdo, deu voz para muitas pessoas - aquilo que só TVs conseguiriam fazer no passado. Vejo muito pelo lado do empoderamento do indivíduo, dos modelos de negócios, e, na verdade, a internet também é uma grande tecnologia base que viabiliza tantas outras", aponta o professor.

Ao longo do episódio, levanta-se uma questão: nos últimos 30 anos, as coisas eram muito diferentes, então daqui 30 anos, é possível que tudo esteja completamente diferente do que estamos vendo hoje em dia? Professor Arthur relembra a antiga realidade "O mundo de 30 anos atrás era irreconhecível, só que nós acabamos, muitas vezes, perdendo a noção disso. Era um mundo radicalmente diferente, onde tudo era presencial, local, ninguém viajava de avião. Irreconhecível não só pelas inovações tecnológicas, mas também sociais que aconteceram", e faz uma estimativa: "Daqui a 30 anos, 2020 vai parecer uma época extremamente atrasada e o salto tende a ser muito maior do que foi 1990 a 2020, daqui até 2050".

Superinteligência artificial

Os robôs poderiam se voltar contra a humanidade? Essa é a questão levantada pelo episódio 7 de Mundo Mistério (Imagem: Computerizer/Pixabay)
Os robôs poderiam se voltar contra a humanidade? Essa é a questão levantada pelo episódio 7 de Mundo Mistério (Imagem: Computerizer/Pixabay)

Mundo Mistério ainda cita uma "superinteligência artificial", em que os conhecimentos da inteligência artificial que conhecemos atualmente seriam inimagináveis, com infinitas possibilidades. Mas a quantos passos disso estamos na realidade? Segundo Arthur, a velocidade é ainda maior do que vários supõem, mas, com espectro de atuação infinitamente menor do que a grande maioria acredita.

"Usando a metáfora do episódio que mostra a inteligência subindo como se fosse o andar de um prédio, vejo como uma velocidade de subida muito maior, porém, a base do prédio é bem pequena. Então, para se ter superinteligência, as pessoas estão imaginando que vão ganhar em poderio e em abrangência", o especialista explica. "Vai se tornar muito mais poderosa, mas na abrangência ainda vai demorar. Temos coisas absolutamente assustadoras para propósitos específicos. Teríamos que ter o somatório de 300 inteligências artificiais mais hardware para remotamente chegar perto do que um cachorro faz. Se formos definir superinteligência artificial como essa capacidade ampla de substituir pessoas ainda falta bastante", estima.

No entanto, uma preocupação apontada no episódio é a possibilidade de os robôs entenderem seus próprios criadores, os seres humanos, como uma praga a ser exterminada. O próprio Castanhari afirma que não é por questões como maldade ou vilania, uma vez que as máquinas são incapazes de sentir. Mas ainda assim, pensar nisso é suficiente para assustar.

Questionado se isso é realmente possível, Arthur reflete que há uma possibilidade, sim, mas que não é provável. "Teríamos de ter uma evolução em hardware que ainda é inexistente, além de uma evolução de inteligência, de consciência de articulação de interesse. Acredito que isso caminha muito mais para drones que acabam bombardeando, mas que alguém aperta o botão do que drones que vão carregar uma ogiva para acabar com determinado país. Tem uma série de estudos e contradições gigantescas. Existem inúmeros defensores como Bill Gates e Elon Musk de que estamos dando passos largos nessa direção e tantos outros do outro lado afirmando que isso é imaginação e criatividade", declara.

Especialista de Tecnologia e Inovação expõe sua opinião sobre a questão dos robôs destruírem a raça humana (Imagem: Computerizer/Pixabay)
Especialista de Tecnologia e Inovação expõe sua opinião sobre a questão dos robôs destruírem a raça humana (Imagem: Computerizer/Pixabay)

No entanto, uma coisa que não se pode negar é que há aspectos negativos acerca dessa evolução da tecnologia e da inteligência artificial cada vez mais próxima desse conceito de 'superinteligência'. "Existem uma série de aspectos negativos, como estarmos terceirizando uma parte do nosso sistema cognitivo e, com isso, nos tornando preguiçosos. Diminuímos a capacidade de leitura. Temos ao nosso dispor uma infinidade de possibilidades, mas são os memes e vídeos engraçados que repercutem e emburrecem. Com isso, terceirizamos nosso cérebro", Arthur observa.

O especialista em Tecnologia e Inovação ainda conclui: "Outro aspecto negativo é a tremenda influência dos algoritmos através das narrativas, bem como uma real dependência de não se conseguir ir até a esquina sem ligar o GPS, o que indica um vício tecnológico muito grande. Existe ainda um afastamento entre as pessoas que foi agravado pela pandemia".

Depois de assistir ao episódio, notamos que sim, estamos avançando a passos muito largos em relação à tecnologia e afins. No entanto, por mais que em determinados momentos tamanha evolução assuste, ainda estamos verdadeiramente longe da possibilidade real dessa superinteligência acontecer. Você consegue entender melhor esse e outros mistérios por meio da primeira temporada da série, que já se encontra disponível no catálogo da Netflix.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: