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Mundo amplia seu arsenal para acelerar vacinação contra a covid-19

Paul RICARD
·5 minuto de leitura

A propagação de duas variantes da covid-19, aparentemente mais contagiosas, especialmente no Reino Unido e na África do Sul, torna ainda mais urgente acelerar a vacinação no mundo, um enorme desafio logístico com algumas perguntas ainda sem respostas. 

- Quais vacinas foram aprovadas? -

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou nesta quarta-feira (6) a vacina norte-americana Moderna, depois de ter começado a administrar o imunizante da Pfizer/BioNTech em 26 de dezembro.

Estas duas vacinas já foram aprovadas nos Estados Unidos desde meados de dezembro. O Reino Unido começou a vacinar sua população em 8 de dezembro com a Pfizer/BioNTech e na segunda-feira se tornou o primeiro país do mundo a autorizar a da AstraZeneca/Oxford, seguido por países como Argentina e México.

A Rússia iniciou sua campanha em 5 de dezembro com sua própria vacina, a Sputnik V. Os chineses começaram em meados de 2020, contando especialmente com suas próprias vacinas mais avançadas, Sinopharm e Sinovac.

Segundo dados compilados pela AFP, mais de 15 milhões de pessoas já receberam pelo menos a primeira dose da vacina no mundo, dos quais 4,8 milhões nos Estados Unidos até o dia 5 de janeiro, e 4,5 milhões na China, até 31 de dezembro.

Israel lidera a corrida: com 17% de sua população "imunizada" após a aplicação da primeira dose da vacina Pfizer/BioNTech, na terça-feira o país autorizou o uso da Moderna.

Outros 58 projetos de vacinas são objetos de testes clínicos, segundo a OMS.

- Qual é a melhor?

Os resultados dos ensaios clínicos das vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna, que compartilham da mesma tecnologia chamada RNA mensageiro, comprovaram uma taxa de eficácia muito alta de 95% e 94,1%, respectivamente, após a administração de duas doses. A AstraZeneca/Oxford tem uma média de 70%.

Estas conclusões foram publicadas por revistas científicas e/ou pela FDA, agência americana que regula alimentos e medicamentos no país.

A vacina russa Sputnik V e a chinesa Sinopharm reivindicam uma eficácia de 91,4% e 79%, mas os dados científicos detalhados não foram publicados.

Por outro lado, a da AstraZeneca/Oxford é mais vantajosa em relação ao seu preço de 3 dólares a dose, e as da Moderna e Pfizer/BioNTech possuem problemas logísticos por necessitarem para sua conservação a longo prazo de refrigeradores a uma temperatura de -20º C e -70 ºC.

- Quais são os efeitos colaterais?

Os especialistas argumentam que se alguma dessas vacinas produzissem efeitos colaterais graves, teriam sido detectados durante os ensaios clínicos com dezenas de milhares de voluntários e a vacinação de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mas não se pode excluir a ocorrência de problemas pontuais no longo prazo ou em determinados grupos de pacientes.

Como todas as vacinas, estas também podem provocar efeitos colaterais leves, como dor no local da aplicação e fadiga.

Dois casos de alergia grave foram detectados com a vacina da Pfizer/BioNTech no Reino Unido e segundo a Federação Francesa de Alergologia, esta vacina é contraindicada para pacientes alérgicos a um de seus ingredientes, especialmente o polietilenoglicol (PEG).

- As doses podem ser espaçadas?

Reino Unido e Dinamarca decidiram espaçar a segunda dose, entre 12 e 6 semanas, respectivamente, para assim conseguir vacinar mais pessoas com a primeira dose.

Porém, as vacinas da Pfizer/BioNTech, da AstraZeneca/Oxford e Moderna foram concebidas para que ambas as doses fossem administradas com até três semanas de intervalo no caso da primeira, e de quatro semanas para as outras duas.

A OMS afirmou na terça-feira que a segunda dose pode ser adiada "em circunstâncias excepcionais", mas desaconselhou superar as seis semanas. 

A mudança, entretanto, é criticada por cientistas que defendem que se respeitem os prazos iniciais. 

"A eficácia e a segurança da vacina não foram avaliadas com outros calendários" além do intervalo de 21 dias entre ambas as doses, alertou na terça-feira o laboratório BioNTech.

- Qual é a eficácia contra as novas variantes?

A situação no Reino Unido e na África do Sul em relação às novas variantes do vírus Sars-CoV-2 preocupa a comunidade internacional, já que não se sabe se a nova cepa pode ser mais resistente às vacinas.

"Por enquanto, não temos informação suficiente para dizer" que estas variantes representam "um risco para a eficácia das vacinas", avalia o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

Com os dados disponíveis, "os especialistas acreditam que as vacinas atuais serão eficazes contra estas cepas", declarou na semana passada Henry Walke, do Centro de Prevenção e Luta contra as Doenças dos Estados Unidos. 

Porém, a variante sul-africana parece provocar mais interrogações do que a britânica.

Uma mutação específica da sul-africana poderia, teoricamente, "ajudar" o vírus e "contornar a proteção imunológica adquirida com uma infecção anterior ou a vacinação", explicou o doutor François Balloux, da Universidade College de Londres, citado pelo organismo britânico Science Media Centre.

Entretanto, nada indica, por enquanto, que esta mutação seja suficiente para que a variante sul-africana resista às vacinas atuais, segundo Balloux.

Vários laboratórios anunciaram que seriam capazes de prover rapidamente novas versões da vacina se for necessário. 

- Quais são as perguntas sem respostas?

O mais importante é em relação à sua eficácia no longo prazo, assim como também se a ação destas vacinas é idêntica entre as pessoas mais vulneráveis, como os idosos.

Finalmente, ainda é se desconhece se, além de reduzir os efeitos da doença nas pessoas vacinadas, os imunizantes são capazes de impedir a transmissão do vírus a terceiros.

pr/app/es/gf/mvv