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Mulheres não podem perder conquistas do mercado de trabalho no pós-pandemia

·4 minuto de leitura
Smiling female entrepreneur using laptop while talking through smart phone at home office
Smiling female entrepreneur using laptop while talking through smart phone at home office

Por Lydia Smith

A pandemia continua dificultando a vida e o sustento das pessoas no mundo todo, mas é evidente que a COVID-19 e a recessão econômica afetam muito mais as mulheres.

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De acordo com um relatório da empresa de consultoria em gestão McKinsey & Company e o grupo de defesa das mulheres LeanIn.Org, os trabalhos exercidos por mulheres são 1,8 vez mais vulneráveis a essa crise do que os exercidos por homens. Embora ocupem 39% do mercado de trabalho global, as mulheres representam 54% das demissões gerais por conta do coronavírus.

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“As mulheres, especialmente negras e pardas, correm mais riscos de serem demitidas ou afastadas durante a crise da COVID-19, o que pode estagnar suas carreiras e afetar negativamente a segurança financeira”, afirma o relatório.

A pandemia intensificou os desafios que as mulheres já enfrentavam. Mães que trabalham fora tiveram que se virar com trabalho, filhos e tarefas domésticas, sem o suporte que tornava essa vida possível, como creches e escolas. Muitas tentam cumprir o horário de trabalho integral de casa e cuidar das crianças ao mesmo tempo.

Pesquisadores do Instituto de Estudos Fiscais e do Instituto de Educação da UCL entrevistaram 3.500 famílias de pais de gêneros opostos e concluíram que as mães cuidam das crianças, em média, durante 10,3 horas por dia — 2,3 horas a mais que os pais. Além disso, as mulheres cuidam da casa por 1,7 hora a mais que os homens.

Uma em cada quatro mulheres pensa em fazer uma pausa na carreira ou abandonar completamente o mercado de trabalho devido ao impacto da COVID-19. Com isso em mente, é mais importante do que nunca que as empresas ofereçam o suporte adequado para garantir que a equidade de gênero no ambiente de trabalho não seja um ideal ainda mais distante.

“As empresas devem apoiar as mulheres para garantir que o equilíbrio entre os gêneros não seja prejudicado para sempre”, afirma Caroline Whaley, cofundadora da Shine for Women, uma agência de consultoria para mulheres e empresas voltada para a promoção da equidade de gênero.

Desenvolver e adotar um novo estilo de liderança centrado na inclusão pode ajudar a compensar o impacto negativo da COVID-19 sobre as mulheres. "Para isso acontecer, é preciso oferecer modelos de trabalho flexíveis para que as funcionárias com compromissos familiares não desistam, seguir as metas e divulgar dados sobre diversidade e salário", explica Whaley.

A COVID-19 forçou empresas do mundo inteiro a se adaptar e investir no home office — pelo menos no curto prazo. Embora essa transição para o trabalho remoto tenha sido muito rápida em muitas organizações, muitas outras afirmaram que planejam manter essa modalidade após a pandemia, como o Facebook (FB). Com essa flexibilidade, seja trabalhando em casa ou ajustando os horários de trabalho para conciliar com a criação dos filhos, as mulheres têm a chance de continuar trabalhando sem deixar de lado outras responsabilidades com a família.

Também é importante criar redes de apoio para as funcionárias, como sessões de coaching ou acesso a ferramentas de desenvolvimento pessoal on-line.

“Com esses recursos, as funcionárias podem dedicar tempo para aperfeiçoar uma competência e ganhar confiança. Em uma pesquisa recente, perguntamos às mulheres como elas viam a situação atual, o que elas almejavam para a vida pessoal e profissional depois do lockdown e o que pensavam sobre carreira e desenvolvimento pessoal”, contou Whaley.

“Os resultados revelaram que mais de 64% das mulheres que trabalham em período integral querem adquirir novos conhecimentos e investir em desenvolvimento pessoal para se preparar para o futuro em um mercado de trabalho cheio de incertezas”, completa ela.

Além disso, investir em jovens talentos é fundamental após os efeitos da COVID-19. Em outubro, um estudo da London School of Economics apontou que os jovens do Reino Unido têm o dobro de probabilidade de perder o emprego em comparação com profissionais mais velhos. Mais de uma em cada 10 pessoas entre 16 e 25 anos de idade perderam o emprego, enquanto apenas seis em cada 10 passaram a ganhar menos desde o início da pandemia.

“Os jovens, principalmente as mulheres, correm o risco de perder a confiança, e isso pode afetar o futuro de uma empresa em longo prazo. No trabalho remoto não há capacitação presencial, e as chances de um jovem aprender e se inspirar em colegas mais experientes são menores. Este é o momento para as organizações assumirem o controle e se prepararem para desenvolver os funcionários e não desperdiçar talentos”, analisa Whaley.

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