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Mulheres da moda: luta por direitos e instrumento político sim

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
·7 minuto de leitura
Winnie Harlow, Fluvia Lacerda e Lea T fazendo moda e história (Foto: Reprodução/Instagram)
Winnie Harlow, Fluvia Lacerda e Lea T fazendo moda e história (Foto: Reprodução/Instagram)

Por Robert Santos

Seja na criação, nas confecções, nas passarelas ou nas capas de revista, a moda coleciona grandes nomes de mulheres pioneiras e irreverentes. Mulheres que entendem que moda não é sinônimo de roupas. É símbolo na luta por direitos, é instrumento político, é militância. É também, por mais contraditório que pareça, ferramenta no combate à pressão estética, é uma plataforma para anunciar que tudo bem ser do jeitinho que você é.

Coco Chanel, Naomi Campbell e Giselle Bündchen definitivamente são nomes eternizados na história da moda (e nem precisamos dizer por quê, né?), mas aqui listamos outras mulheres igualmente inspiradoras que merecem ser celebradas. Zuzu Angel, Lea T e Zelda Wynn Valdes são algumas delas e vamos te contar porquê.

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A indústria da moda tem quase 200 anos no Brasil e é detentora da cadeia têxtil mais completa do Ocidente. Os diversos segmentos do mercado de moda no país empregam diretamente 1,5 milhão de pessoas. Indiretamente, esse número chega a 8 milhões. 75% deste total é composto por mulheres. Mas infelizmente, dentre as 50 maiores marcas de moda nacional, apenas 14% são lideradas por mulheres. Os números são da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e foram atualizados em dezembro de 2020.

Zelda Wynn Valdes – Estilista e empreendedora

Zelda Wynn Valdes (Foto: Blackpastorg/Divulgação)
Zelda Wynn Valdes (Foto: Blackpastorg/Divulgação)

Após uma longa e árdua jornada na indústria da moda, onde ocupou cargos de estoquista a costureira, Zelda Wynn Valdes se tornou, em 1948, a primeira mulher negra a abrir uma boutique de alta costura na cidade de Nova York.

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Não fosse por si só um feito extraordinário considerando sua origem humilde, a ascensão de Zelda se deu no auge da segregação racial nos Estados Unidos. Sua excelente reputação foi construída com base no caimento impecável de seus vestidos em todo tipo de corpo e na altíssima qualidade dos tecidos que usava. 

Em 1949, fomentou a criação da "National Association of Fashion and Accessories Designers" com o objetivo de estimular outras estilistas negras e promover a diversidade racial na moda. Seu reconhecido olhar artístico lhe permitiu enveredar-se também pelos vieses do figurino. Em 1970, Zelda começou a atuar como figurinista no "Dance Theater of Harlem", onde deixou como legado meias-calças e sapatilhas de ponta do exato tom da pele das bailarinas negras – um privilégio, até então, exclusivo de bailarinas brancas.

Zuzu Angel – Estilista e empreendedora

Zuzu Angel (Foto: Zuzu Angel/Divulgação)
Zuzu Angel (Foto: Zuzu Angel/Divulgação)

Nascida na cidade de Curvelo, em Minas Gerais, Zuzu Angel mudou-se para o Rio de Janeiro com a família em 1947. Começou a trabalhar como modista no final da década de 1960 e em 1970 abriu sua própria loja de roupas femininas em Ipanema. Sua trajetória foi exponencial e seu trabalho logo alcançou o mercado internacional, conquistando o apreço de grandes celebridades da época, como a atriz Joan Crawford. 

Em 1971, seu primogênito, Stuart, que militava contra a ditadura militar instaurada no país desde 1964, foi preso e tornou-se um dos mais de duzentos desaparecidos políticos deste período cruel da história do Brasil. A partir daí, o trabalho de Zuzu como estilista transformou-se numa plataforma de protesto às barbáries promovidas pela ditadura militar. 

No mesmo ano, realizou um desfile-protesto no consulado brasileiro em Nova Iorque, repleto de bordados que transcreviam sua denúncia silenciosa: anjos amordaçados e crivados de bala, projéteis e tanques do exército, a pomba da paz em luto, o sol encarceirado. A presença da mídia internacional no evento fez com que o protesto de Zuzu Angel – que era também o de milhares de brasileiros – reverberasse em todo o mundo.

Fluvia Lacerda – Modelo

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Fluvia Lacerda tem uma carreira de quase vinte anos que começou inesperadamente em 2003. Fluvia tinha 23 anos e morava nos Estados Unidos quando foi notada dentro de um ônibus por uma produtora de moda. 

Na época, a moda – e a sociedade em geral – ainda ensaiava muito timidamente uma ruptura com o padrão de beleza heroin chic (beleza de magreza extrema) que dominou a década de 1990, mas isso não pararia Fluvia. 

Em 2011, foi nomeada a modelo plus size do ano durante a Full Figure Fashion Week, em Nova Iorque. No mesmo ano, estampou a capa da Vogue Itália e declarou em entrevista: “Vou insistir até que o mundo reconheça a beleza das mulheres com curvas, principalmente no Brasil”. Em 2017, a modelo lançou o livro “Gorda não é palavrão”, em que compartilha sua jornada de autoaceitação e encoraja o questionamento da falta de representatividade de mulheres gordas na moda e na mídia. Ela segue até hoje sendo considerada a mais renomada modelo plus size brasileira e figura entre as principais modelos do segmento no mundo.

Lea T – Modelo e estilista

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A carreira da mineira Lea T começou em 2010, na Itália, já no topo. Sua estreia na moda foi em uma campanha para a grife francesa Givenchy. Esse trabalho não só deu a Lea visibilidade mundial como também já lhe garantiu pioneirismo na história da moda como primeira mulher trans a estampar uma campanha dessas proporções. 

E essa foi apenas a primeira vez em que Lea foi pioneira na moda. Em 2014, tornou-se a primeira embaixadora trans da marca de produtos para cabelo Redken, do grupo L’Oréal. Em 2015, foi reconhecida pela Forbes como uma das doze mulheres que mudaram a moda italiana, ao lado de nomes como Miuccia Prada e Franca Sozzani. Em 2016, foi a primeira pessoa trans a participar com papel de destaque da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos sediados no Brasil, ao lado de Elza Soares, Gilberto Gil e outros grandes nomes.

Fernanda Simon – Diretora Executiva do Fashion Revolution Brasil

Ativista de moda sustentável e consumo consciente, Fernanda Simon foi a responsável por trazer para o Brasil em 2014 o Fashion Revolution. O movimento foi criado na Inglaterra em 2013, em resposta ao desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh. A tragédia matou mais de mil pessoas e feriu outras duas mil e quinhentas que trabalhavam confeccionando roupas em condições precárias de segurança no edifício. 

Fernanda, que morava em Londres na época, já se dedicava a promover a sustentabilidade, o consumo consciente e a ética na moda e logo voltou para o Brasil trazendo consigo o Fashion Revolution. Hoje o movimento atua em mais de 80 instituições de ensino no país, além de promover ações de conscientização e desenvolver projetos que visam mudar a mentalidade de consumidores, empresas e profissionais da moda. 

Fernanda enxerga na moda uma poderosa ferramenta de transformação e afirma que seu trabalho é em prol da harmonia e da consciência, não só na moda, mas na vida.

Winnie Harlow – Modelo

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A canadense Winnie Harlow ficou conhecida por sua participação no reality “America’s Next Top Model” em 2014. A modelo se destacava entre as demais participantes da temporada por conta de uma característica específica: ela é portadora de vitiligo, uma doença que provoca a perda de pigmentação da pele. 

Winnie não foi campeã do programa mas isso não a impediu de conquistar as passarelas e capas de revistas. Primeira top model portadora de vitiligo da história, Winnie Harlow estrelou campanhas e desfilou para grandes marcas de luxo, como Dior, Fendi e Diesel.

Em 2019, assinou uma linha de produtos para a KKW Beauty, marca de cosméticos da Kim Kardashian. Winnie desafia os padrões de beleza na moda e em suas redes sociais encoraja outras mulheres a fazerem o mesmo: “Celebre sua beleza única hoje (e todos os dias)”.

Pierre Davis – Estilista e empreendedora

Aos trinta anos de idade, a americana Pierre Davis foi a primeira estilista transgênero a apresentar uma coleção na Semana de Moda de Nova Iorque, em 2019. Liberdade, inclusão e representatividade são o manifesto da No Sesso (que significa “sem gênero”, em italiano), marca de Pierre Davis criada em 2015. 

Segundo a estilista, suas criações são direcionadas a pessoas de todos os gêneros (binários ou não), tipos de corpo, idades e cor de pele. “Foi bom ter a comunidade trans negra reconhecida, ouvida e apoiada”, disse Pierre ao "The New York Times". E completou: “Me sinto feliz por chegar à Fashion Week, mas quero ir mais longe”.