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Mulheres contam os desafios de ser mãe na pandemia

·6 minuto de leitura

Ter um filho é uma experiência desafiadora. Passar por este momento vivendo as incertezas de uma pandemia, que já dura mais de um ano, é uma missão ainda mais complicada. O EXTRA ouviu oito mães de primeira viagem que engravidaram ou fizeram o parto de seus primeiros filhos neste período. A maioria relata que seus pequenos ainda não conhecem a família toda. Muitos receberam as “boas-vindas” por chamadas de vídeo ou pelas redes sociais.

Elas se sentem receosas quanto ao momento de crise financeira. Outra queixa frequente das mães é a jornada pesada de cuidar do bebê e continuar com seus afazeres profissionais e domésticos. Isto mostra o quão importante é uma rede de apoio, afetada pelo isolamento.

— O puerpério é um período muito delicado, e não só de mudanças hormonais. É uma recém-mãe se acostumando, às vezes bate a insegurança e ter apoio é essencial. Precisamos de uma aldeia para criar uma criança — afirma a pediatra Patrícia Rezende, do Prontobaby.

Leia o depoimento de mulheres que se tornaram mãe em plena pandemia.

Marcela Machado, Diretora de RH da Loft

Descobri que seria mãe 2 meses antes do início da pandemia e nunca imaginamos que fosse durar tanto. Quando vimos que a Bia ia realmente nascer nesta crise sanitária, resolvemos ser mais cuidadosos com visitas e tudo mais. As principais dificuldades de ser mãe na pandemia foram entender e decidir os riscos que queria assumir com a minha filha para não expor ela ao vírus. E, ao mesmo tempo, não querer deixar de viver esse momento tão mágico. Com a chegada dela, minha rotina mudou bastante: eu era triatleta, maratonista e corredora de montanha. Hoje eu treino no máximo 1 hora por dia, isso quando consigo. Meu pai e meus avós não conhecem ela.

Kel Braga, Jornalista

Não sabia que eu estava grávida, descobri cerca de duas horas antes de a Karoline nascer. Eu me senti recebendo um presente nessa pandemia! Ser mãe era um sonho e se não fosse o coronavírus estaria sendo mais fácil com relação à parte econômica (voltei pra casa dos meus pais em função das despesas agora como mãe) e de estar perto das pessoas que ainda não puderam conhecer a minha filha. Minha rotina sempre foi “solitária”, pois morava sozinha e regia meus dias conforme o que tinha de atividades do trabalho. Agora eu cuido dela o dia todo (com ajuda dos meus pais), mas a rotina é dela. E enquanto não volto a trabalhar, confesso que estou amando!

Renata Souza, Fisioterapeuta

Quando a pandemia estourou e eu estava na reta final da gravidez, foi tudo muito confuso, um misto de sentimentos. Minha rotina mudou de forma geral, principalmente no quesito conseguir trabalhar, porque a maior preocupação é como faria para deixar a Manuela bem. De resto, eu e minha esposa estamos aprendendo juntas. Às vezes é meio cansativo, mas dá um prazer vê-la bem. O meu pós-parto imediato foi bem difícil e cansativo, pois não tínhamos ninguém com a gente e isso dificultou, porque não tínhamos experiência em cuidar de uma recém-nascida. Tivemos uma rede de apoio virtual, que ajudou bastante. Toda essa experiência nos fez amadurecer.

Carolline Cardoso, Publicitária

Quando descobri a gravidez, fui tomada por insegurança pois atravessávamos um momento de incertezas. A pandemia impactou o lado emocional. A gravidez é um momento tão intenso e acabamos, pelo distanciamento, não conseguindo estar tão próximo das pessoas que amamos. A chegada da Laura mudou tudo na minha rotina. Desde o início da pandemia, já mantinha cautela e os cuidados necessários. É diferente gerar em meio a tudo isso. Agora a rotina é de mais cuidado nas idas a rua como ao médico. Quando nasce uma criança todo mundo quer conhecer. Nós restringimos visitas, as pessoas estão conhecendo ela por rede social e chamada de vídeo, o cenário mudou.

Karine Oliveira, Assessora de imprensa

Descobri que estava grávida um pouco antes do início da pandemia. Foi assustador porque não planejamos. A tripla jornada é o que mais têm sido difícil. Cuidar de um bebê, trabalhar de home office, ainda ter tempo para cuidar de mim, da casa. Essa divisão tem me deixado exausta. Apesar de meu marido ajudar bastante, ainda assim me sinto exausta física e mentalmente. A chegada do Noah me fez ficar mais disciplinada quanto aos horários e no manejo do estresse. Apesar do cansaço, a recompensa é impagável. Trabalhei em uma empresa até meu filho completar 8 meses e infelizmente eles precisaram fazer meu desligamento. Hoje trabalho como freelancer.

Mayza Devens, Engenheira ambiental de saúde

Quando descobri que estava gráfida, fiquei apreensiva porque já tinha passado por três perdas gestacionais. Soube da primeira morte por Covid-19 no Brasil quando estava internada na UTI tentando segurar a gestação por mais tempo. E logo em seguida meu bebê nasceu prematuro extremo. Quando foi declarado o primeiro lockdown eu estava tendo alta do hospital e fiquei apavorada com a situação do Tomás em uma UTI Neonatal e o risco de me contaminar com o vírus e passar para ele. Foi assustador. Ficava 12 horas no hospital com meu filho, tirando leite no lactário a cada 3 horas, apoiando-o nos momentos difíceis, fortalecendo minha fé com tudo que via.

Fabíola Arrais, Servidora pública

Além do medo de gestar e criar um filho em plena pandemia, passei por um susto a mais. Meu filho foi diagnosticado aos quatro meses com síndrome de Williams (doença raríssima, da qual só tem 1.200 registros no Brasil todo). Quando recebi esta notícia fiquei completamente perdida, desamparada. Mas encontrei apoio virtual e fui muito bem acolhida pelo Projeto Laços, uma iniciativa do Instituto Serendipidade. Conheci, através do projeto, uma outra mãe que já tinha enfrentado tudo isso. Ela me acolheu, me contou sua experiência. Ela me ajudou a enxergar que meu bebê vai ter limitações, mas que se desenvolverá, que há um caminho possível para ele.

Karen Sousi, Empreendedora

Optamos por tentar engravidar na pandemia. Nossa vontade era ter filhos com estrutura familiar, avós. Ficamos com muito medo de perder nossos pais pro vírus e nossos filhos não os conhecerem. Mesmo com cuidados, meu marido pegou Covid no fim da gestação. Precisei ficar isolada dele na casa dos meus pais. Meu sogro faleceu nesse processo. Um dia antes do parto, meu marido foi internado. Adiei o parto em uma semana e, graças a Deus, ele teve alta a tempo. Meus pais e sogra ajudam muito em tudo. Eu e meu marido nos revezamos no cuidado do bebê. No meu trabalho, me organizei para continuar fornecendo os serviços que eu prestava às minhas clientes.