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Mulher tem visão corrompida e fica parcialmente cega por excesso de uso de telas

Fidel Forato

Antes de começar a ler esta notícia, pisque uma vez. Logo mais, fará sentido. Isso porque tem rodado o mundo o caso de Gretta Nance, uma americana que teve durante sua vida toda olhos sadios e uma ótima visão, mas que, agora, acorda praticamente cega todos os dias.

Nance foi diagnosticada com um problema nas glândulas oculares, localizadas abaixo da pálpebra, e ao que tudo indica, a causa foi o uso excessivo de seu smartphone e de telas luminosas. Já que trabalha com marketing e passa horas em frente a telas, tanto para o trabalho quanto para o lazer, ela não consegue levar uma rotina que a poupe da emissão de feixes luminosos diretamente aos olhos, a curtas distâncias, por boa parte de seu tempo.

E quem não checa suas atualizações no smartphone pelo menos uma vez a cada 30 minutos que atire a primeira pedra. Segundo pesquisa da EMarketer.com, um americano médio gasta mais de três horas, diariamente, em seus dispositivos móveis. Tempo considerado normal, já a média dos adolescentes é bem mais assustadora, se formos traçar um comparativo.

Americana fica quase cega por exposição excessiva a aparelhos eletrônicos (Fonte: ABC News)

De acordo com outro estudo, elaborado pela Common Sense Media organização sem fins lucrativos que promove tecnologia e mídia seguras para crianças —, adolescentes americanos passam em média sete horas e 22 minutos em seus smartphones por dia. Enquanto isso, os usuários mais jovens, de 8 a 12 anos, não ficam muito para trás, com quatro horas e 44 minutos gastos diariamente na frente das telas.

Uma exposição tão intensa e tão inédita para espécie humana deve ter resultados ainda não conhecidos a longo prazo. "Quando estamos neles, piscamos muito menos e não de forma completa", explica sobre os perigos dessa dependência a Dra. Amorette Hanna, da Stonehenge Vision Source.

"Os estudos mostraram que piscamos 60% menos em frete de um dispositivo digital". É claro que isso traz alguns efeitos colaterais, como maior tendência de algumas síndromes e problemas de visão em usuários mais jovens. É o caso da Disfunção das Glândulas de Meibomius, também conhecida como DMG, que pode ser crônica. É ela que acomete a paciente americana.

A preocupação em torno disso ganha holofotes com o caso de Nance, pois segundo alguns especialistas, é uma patologia comum entre os idosos, mas nos últimos anos tem aumentado de forma alarmante em pacientes mais jovens. Em estudos, algumas especulações apontam como principal causa a grande dependência de dispositivos móveis.

Por que piscar?

Piscar é fundamental para o bom funcionamento da visão. É esse ato tão simples que aciona a pálpebra para secretar óleos que lubrificam o globo ocular. Esses óleos cobrem os olhos e permitem uma visão clara, sem irritação. No caso de não haver reposição dos óleos, as glândulas podem secar e uma série de fatores desencadeantes pode trazer problemas que vão de irritações moderadas a condições severas, como alteração da visão.

Entre os principais sintomas do MGD estão: secura; sensação de areia na vista; sensação de queimadura; irritação ocular e das pálpebras; intolerância às lentes de contato; pálpebras grudadas pela manhã; visão embaçada.

Vale lembrar que nem sempre que se apresente algum desses sintomas – um tanto comuns até – o usuário tenha MGD. Além disso, autodiagnósticos são sempre preocupantes.

Médicos recomendam mudar o foco da visão a cada 20 minutos para evitar danos ou perdas na visão

Mesmo assim, existem algumas soluções simples que podem ajudar na hidratação dos olhos e auxiliar na saúde da visão. Os médicos recomendam a regra do "20-20-20". A cada 20 minutos que o usuário passa em frente ao smartphone, ele deve desviar o olhar por cerca de 20 segundos para um objeto a, no mínimo, 6 metros de distância. Em um período de uma hora na frente do computador, desviar o foco por pelo menos três vezes a cada vinte minutos é o ideal para que o olho não fique condicionado sempre à mesma distância, sem lubrificação suficiente.

Para te lembrar dessas pausas conscientes, você pode usar aplicativos ou programar alarmes até criar o hábito. Também seria ótimo se seu smartwatch pudesse te lembrar de piscar e mudar o foco regularmente, igual ele lembra os usuários na hora de se movimentar, em intervalos regulares de tempo.

Entenda o caso

Sobre o caso que abre a matéria, a paciente Gretta Nance explica: "fico cega de manhã, basicamente". E essa sensação não melhora ao longo do dia. Para a paciente, é difícil abrir os olhos e ela se sente como se estivessem machucados, além de irritados e vermelhos.

Nance ainda afirma que, na maior parte de sua vida, teve uma visão perfeita. Por exemplo, nunca usou óculos ou lentes de contato com grau. "No início deste ano, eu não tinha que fazer nada pelos meus olhos", ainda comenta. "Agora, tenho que ter muitos cuidados apenas para me sentir confortável".

A partir de exames de raio-X de sua pálpebra, os médicos observaram que há várias regiões de seus olhos em que os óleos secretados pela glândula simplemente deixaram de ser fabricados, o que faz seu quadro ser crônico. Por causa da sua nova situação, Nance se organiza para visitar seu médico a cada seis semanas, além de utilizar colírios entre 10 a 15 vezes por dia.

"Isso é algo com o qual terei de lidar pelo resto da minha vida. Essa foi provavelmente uma das coisas mais chocantes [que já me ocorream]: aprender que não posso mais recuperar essas glândulas", conclui Nance sobre sua relação com a DGM.


Fonte: Canaltech

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