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A Mulher da Casa Abandonada | Produções true crime continuam em alta

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O podcast do jornalista Chico Felitti, intitulado A Mulher da Casa Abandonada, tem ganhado muita repercussão ao contar a história de uma mulher que mantinha uma empregada doméstica como escrava, e que vivia em uma mansão caindo aos pedaços em Higienópolis, um dos bairros mais ricos da cidade de São Paulo.

A mulher, que se apresenta ao jornalista como Mari, na verdade, se chama Margarida Bonetti e é uma ex-milionária que foi casada com René Bonetti, um homem brasileiro, mas que foi naturalizado estadunidense, após viver anos no país trabalhando em uma empresa que faz satélites para a Nasa.

O casal saiu do Brasil na virada dos anos 1980 e se mudou para o subúrbio de Washington, nos Estados Unidos. Além das bagagens, eles levaram uma empregada doméstica para ajudar nas tarefas da casa. E ela foi tratada como objeto também.

Isso porque o casal nunca pagou um salário à mulher (que teve sua identidade preservada no podcast), além de negarem atendimento médico por tempo suficiente para que um tumor atingisse o tamanho de uma bola de futebol.

Essas e outras barbaridades que os ex-patrões escravocratas submeteram à empregada são contadas em um texto claro e preciso de Felitti, o que tem chamado a atenção de muitos ouvintes.

E, não é novidade que os podcasts de true crime (aqueles que contam histórias de crimes que aconteceram na vida real) têm atraído uma grande audiência. Antes de Felitti, Ivan Mizanzuk chocou o país ao recontar (e dar um possível desfecho) para um episódio já antigo: O Caso Evandro. O sucesso foi tanto que o podcast foi adaptado e virou uma série no Globoplay.

Mais podcasts, mais audiência

Esse sucesso tem sido expressivo nos últimos anos. Para Stefanie Zorub, criadora do podcast Café com Crime, isso se deve à maior quantidade de programas ofertados. Em 2018, quando ela começou a criar o seu projeto, ainda não existiam podcasts brasileiros sobre o gênero.

Hoje, são mais de 50 opções que atendem a diferentes expectativas de diversos ouvintes. Existem programas mais formais, outros mais descontraídos, alguns que abordam todo tipo de crime, outros que só falam de crimes brasileiros, e por aí vai. Além disso, Stefanie afirma que a pandemia contribuiu para que o brasileiro “descobrisse” a paixão pelo podcast.

Já Mabê Bonafé e Carol Moreira, criadoras do Modus Operandi, um dos podcasts brasileiros sobre crimes reais mais conhecidos, afirmam ao Canaltech que um dos pontos essenciais para o crescimento da audiência foi a melhora da qualidade dos projetos.

"Todo mundo sempre foi curioso com true crime, desde os primórdios da história. Mas com o tempo, os conteúdos foram ficando cada vez menos sensacionalistas, mais sensíveis e com qualidade de produção. O público percebe isso. Também o hype de alguns casos famosos gera comoção e curiosidade."

Outro ponto importante é que, muitas vezes, esses programas acabam envolvendo o que é ‘místico’ ou o sobrenatural. É o que acontece no Caso Evandro, do Projeto Humanos, cujo o sumiço do menino foi atribuído por muitas pessoas da época à uma seita satânica.

Mulheres lideram a produção e audiência de podcast de true crime

No Dia Internacional das Mulheres de 2020, o Spotify (streaming de áudio e responsável pela distribuição de diversos podcasts) divulgou uma lista com os cinco principais podcasts liderados por mulheres.

Entre eles, três eram sobre crimes reais. My Favorite Murder, uma série cômica de crimes reais produzida pelos comediantes Karen Kilgariff e Georgia Hardstark, ficou em primeiro lugar, enquanto Crime Junkie, apresentado por Ashley Flowers e Brit Prawat, aparece em segundo. Já Morbid: A True Crime Podcast estava na quinta posição.

Os podcasts de true crime estão entre os mais ouvidos da plataforma (Imagem: Divulgação/Spotify)
Os podcasts de true crime estão entre os mais ouvidos da plataforma (Imagem: Divulgação/Spotify)

O streaming ainda garante que, entre os anos de 2018 e 2019, o gênero cresceu 16% entre o público feminino.

Esse crescimento também foi sentido pelas meninas do Modus Operandi e pela Stefanie. Em entrevista para o Canaltech, elas afirmaram que 75% de seus públicos é composto por pessoas que se identificam com o gênero feminino. Stefanie ainda garante que percebeu um aumento na audiência após o lançamento de A Mulher da Casa Abandonada.

De acordo com ela, seu podcast foi o primeiro do Brasil sobre a temática, ou pelo menos foi o que apontaram suas pesquisas na época. "Comecei a gostar de crime na ficção, lia muito Agatha Christie. Comecei, então, a ouvir programas estadunidenses sobre o tema e queria saber histórias brasileiras, mas não encontrava em podcast."

Com esse desejo, ela lançou o seu programa em 2018, com apenas seis episódios e sem hospedá-lo em nenhuma distribuidora. No entanto, devido a compromissos pessoais, teve que pausar o projeto, que foi retomado em 2020 de maneira mais profissional.

Hoje, o podcast já tem mais de 100 episódios e tem como diferencial um tom de voz descontraído, um bom trabalho de pesquisa e o fato de só abordar casos brasileiros, algo que, segundo a autora, traz mais proximidade com o público. “As pessoas me sugerem muitos casos. Eu tenho acesso hoje a histórias que antes eu não teria, eu jamais conheceria", declarou.

Já o Modus Operandi, foi criado em 2020 e também se firmou como um dos principais programas do gênero. O sucesso foi tanto que as autoras decidiram lançar, em 2022, um livro homônimo, que discorre sobre diversos temas abordados nos mais de 150 episódios do podcast.

Livro homônimo ao podcast foi lançado em 2022 (Divulgação/ Modus Operandi Carol e Mabê)
Livro homônimo ao podcast foi lançado em 2022 (Divulgação/ Modus Operandi Carol e Mabê)

O livro é um guia que mostra investigações, perfis criminais, tipos de crimes, serial killers, e muito mais. Segundo Carol e Mabê, o objetivo é ser um conteúdo simples, direto, didático e divertido para quem é fã do tema.

Vale lembrar que além dele, outras produções brasileiras sobre o tema se destacam, sendo elas o Praia dos Ossos, 1001 Crimes e Quinta Misteriosa, todos produzidos por mulheres.

Por que as mulheres se interessam mais por true crime?

A audiência predominantemente feminina pode ser explicada pelo fato das mulheres se identificarem com as histórias e sentirem empatia pelas vítimas que, geralmente, também são mulheres.

Além disso, muitas ouvem para aprender com cada caso a como se livrar das situações de perigo apresentadas. Para Stefanie, elas se sentem sempre vulneráveis e pensam que o crime relatado poderia ter acontecido com elas também. Mas, a autora argumenta que, além desse, há um outro motivo para essa discrepância de gênero na audiência.

“Eu acho que existe uma curiosidade grande quando a gente fala de assassinas mulheres, como Elize Matsunaga, Suzane von Richthofen [...] O interesse passa muito por isso, pelas mulheres tentarem entender quais razões levaram uma mulher a se tornar assassina.”

Sendo esses ou outros os motivos, o fato é que os podcasts de true crime tem ganhado cada dia mais adeptos, e o sucesso tem extrapolado as barreiras das distribuidoras, fazendo com que as histórias, por vezes, ganhem adaptações para a televisão (como no Caso Evandro), ou as páginas de veículos de mídia (como em A Mulher da Casa Abandonada), tornando-se assim ainda mais conhecidas.

Onde ouvir podcast de true crime?

Quase todos os podcasts estão hospedados em alguma plataforma distribuidora. O podcast de Stefanie, Café com Crime, o Projeto Humanos e A Mulher da Casa Abandonada podem ser ouvidos nas principais plataformas de streaming, como Spotify e Deezer.

Vale lembrar que os episódios do podcast de Chico Felitti estão sendo lançados semanalmente, sempre às quartas-feiras. Até a publicação dessa matéria, já haviam seis episódios lançados, contando com o prólogo.

Fonte: Canaltech

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