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Muito barulho na sua cidade? Designers de som trazem soluções

·6 min de leitura

O barulho das cidades pode ser insuportável. Juntam-se às hélices dos helicópteros, as caixas de som dos vizinhos, os motores dos caminhões de entrega, as buzinadas sem fim dos carros e os berros das sirenes pedindo passagem.

Definitivamente, a última coisa que as cidades precisam é de mais barulho. Mas uma abordagem inovadora do design de som vem sendo testada em espaços públicos dos Estados Unidos. A ideia é sobrepor camadas de sons novos, que encubram a cacofonia caótica das selvas de pedra. Se esses projetos forem bem-sucedidos, eles não estarão simplesmente acrescentando ruídos aos que já existem, mas sim neutralizando – ou mesmo “limpando” – os barulhos inevitáveis das grandes cidades.

(Crédito: cortesia da Gensler)

Um desses projetos está em andamento no centro de Dallas, onde a gigante das comunicações AT&T transformou quatro quarteirões ao redor de sua sede global em um espaço público sonoramente aprimorado. Batizado como “AT&T Discovery District”, esse é um espaço público-privado de quase 10 mil m², livre de veículos e próximo a edifícios de escritórios e de hotéis no centro da cidade. Projetado pela empresa de arquitetura global Gensler, o distrito inclui mesas ao ar livre, bares e restaurantes em uma área que, antes, era uma zona árida de escritórios corporativos e que está envolta pelo paredão de oito andares da empresa de mídia – o que já adiciona estímulo visual. Localizados estrategicamente ao redor do local, estão 130 alto-falantes que foram programados para emitir uma trilha sonora que acompanha os fluxos do dia, com música ambiente, ruídos aquáticos, sinos e cantos dos pássaros da região.

“Você se afasta dos sons do centro de Dallas e adentra uma experiência em que a produção musical e sonora é totalmente selecionada”, descreve Alex Coutts, diretor administrativo da Made Music Studio, agência especializada em áudio branding que já criou marcas sonoras para quase tudo, de programas de notícias a robôs-aspiradores de pó.

O projeto Dallas é uma extensão do trabalho que o Made Music Studio vem realizando nos últimos anos para a AT&T, que abrange desde as músicas de espera para as linhas de atendimento ao cliente até os tons dos toques de seus telefones. Esse também é um dos primeiros projetos do estúdio a contemplar o espaço público, e Coutts diz que grande parte do processo de design focou em descobrir quais sons já estavam presentes nesses ambientes urbanos, e em como compensar os ruídos menos agradáveis ​​da cidade adicionando alguns outros.

“O segredo é observar quais são as realidades da arquitetura e do ambiente em que estamos trabalhando e, em seguida, entender como é possível aproveitar essas variáveis para atuar contra aquilo que chamamos de poluição sonora ou de ruído indesejado, que tanto prejudica a sensação de bem-estar,” explica Coutts. “Essa é realmente uma oportunidade de chegarmos no espaço urbano a algo muito próximo do que é percebido como silêncio e, em seguida, usar essa tentativa como a base para avançarmos rumo a algo mais criativo e mágico”, diz ele.

A paisagem sonora que o Made Music Studio criou é bastante tênue. Pensado para não sobrecarregar os ouvidos e para não incomodar, o projeto apresenta geração de som aleatória e envolvente, para que a música e os efeitos criados nunca se repitam. Ele também é ajustado para evocar diversos níveis de calma ou de vivacidade, em diferentes momentos do dia – sons mais tranquilos durante o horário de trabalho, quando o espaço tende a ser usado para reuniões ou trabalhos ao ar livre, e sons mais animados durante o happy hour.

Uma característica arquitetônica do local é chamada de Globe, um espaço em forma de dossel bem iluminado com alto-falantes e design de som próprios. Usando sensores, o espaço muda sua musicalidade com base na maneira como as pessoas se movem dentro dele. “É como uma evolução do Bean de Chicago”, diz Coutts, citando a grande escultura espelhada que se tornou uma atração turística. “É um projeto com o qual você pode interagir e que é muito compatível com a cultura das mídias sociais.”

Outro projeto de espaço público baseado em design de som pretende criar um espetáculo semelhante, mas de forma mais sutil. Em um parque inaugurado recentemente no distrito de Seaport, em Boston, um sistema chamado PlantWave está sendo instalado em quatro árvores. Usando sensores que medem a atividade elétrica entre dois pontos dessas árvores, o PlantWave converte os dados em sons algoritimicamente harmoniosos, que serão transmitidos no parque uma vez por semana, em uma espécie de performance. “Basicamente, projetamos instrumentos para as plantas tocarem”, descreve Joe Patitucci, criador do PlantWave. “Cada nota que você ouve de um PlantWave foi selecionada a partir dos dados gerados pelas plantas. É um fluxo de música em tempo real.”

(Crédito: Desenvolvimento WS)

Cada uma das quatro árvores conectadas a um dispositivo PlantWave – três sassafrás e um bordo-açucareiro – tocará sons de instrumentos individuais, incluindo flautas, sinos e amostras vocais. Em um quiosque, os visitantes do parque poderão escolher de qual árvore eles querem ligar o som. Ou, então, eles podem voltar nas tardes de domingo, para ouvirem o espetáculo do coro completo das quatro árvores. Com sons criados por algoritmos que estão sempre na mesma tonalidade, as árvores emitem música com base na atividade elétrica natural que ocorre em seus sistemas.

(Crédito: Desenvolvimento WS)

“A quantidade de variação na melodia mudará com o tempo”, diz Patitucci. Os sensores no sistema PlantWave pega o sinal com base na quantidade de água nos sistemas vasculares das árvores, e isso pode mudar sazonalmente e em diferentes momentos do dia. “Em alguns dias, as árvores podem estar apenas tocando algumas notas. Talvez haja até períodos de silêncio. Mas em outras ocasiões, as árvores podem estar mais ativas e o visitante vai encontrar maior riqueza de sons.” Durante o auge do inverno, quando a floresta adormece, serão tocadas novamente as gravações das atividades das árvores nos meses anteriores, diz ele.

Conversando por videochamada diretamente de uma floresta em New Hampshire, Patitucci defendeu que a ideia do projeto não é adicionar sons desnecessários a um espaço público, mas sim oferecer às pessoas uma forma de conexão mais intensa com a natureza, mesmo em um ambiente urbano.

“Caso as pessoas queiram, estamos oferecendo uma maneira a mais de se envolver com as árvores, estamos dando a elas a oportunidade de reconhecer as árvores como seres ativos, como participantes ativos em sua experiência. Acho que tudo isso pode ajudar a tirar o estresse do dia a dia das nossas mentes”, ele diz. “Isso permite que as pessoas se entendam como parte de algo maior.”

Depois de instalações anteriores, feitas em festivais de música, essa foi a primeira instalação permanente do sistema PlantWave, mas Patitucci espera que muitas outras instalações estejam a caminho. “Elas podem ser vivenciadas como uma performance e podem também ser empregadas como uma forma de monitorar as atividades das árvores ao longo do tempo”, acrescenta Patitucci.

Para o Coutts of Made Music Studio, esse tipo de intervenção sonora em espaços urbanos não traz simplesmente sons adicionais para cidades que já são barulhentas. Ele acredita que elas podem eliminar os barulhos desagradáveis das cidades, substituindo-os por estímulos sonoros que proporcionam calma, refúgio e até prazer estético. “Acho que a oportunidade é usar essa estratégia não de forma simplesmente aditiva, mas para criar uma experiência melhor do que essa que temos hoje”, conclui.

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