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Mudanças na balança comercial geraram insegurança a investidores, diz Maia

Raphael Di Cunto e Marcelo Ribeiro

Presidente da Câmara, porém, afasta hipótese de influência política no episódio e descarta argumento de interferência no câmbio O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira que duas mudanças em menos de três meses no cálculo da balança comercial geraram insegurança nos investidores, mas que não acredita que houve influência política nisso.

“Não estou discutindo o mérito, o mérito pode estar certo. O problema é que uma decisão no final de setembro e uma decisão no início de dezembro estão muito perto uma da outra. Gera no mínimo desconfiança e insegurança”, disse. “Uma revisão tão rápida certamente gera insegurança nos investidores brasileiros e estrangeiros”, reforçou.

Maia atribuiu a essas decisões a pressão sobre o câmbio brasileiro e relatou que pediu que um técnico do Banco Central explicasse as mudanças. A primeira alteração, disse, gerou preocupação nos investidores porque aumentaria o déficit na balança comercial brasileira e que o Brasil teria dificuldade de financiar esse déficit em 2021.

“Certamente um dos motivos mais relevantes para a pressão no câmbio foi essa revisão no cálculo do Banco Central”, disse.

Questionado se isso poderia gerar um descrédito sobre os números do governo, Maia disse que “acha que não”. “Acredito que não. O trabalho é técnico, não tem influência política, não tem pressão política para mexer no câmbio, isso que eu acho que é mais importante”, afirmou.

Maia reiterou que a mudança no câmbio não põe em risco credibilidade dos números da economia.

“Ninguém está segurando ou soltando o câmbio pra mexer na economia”, afirmou.

Pauta

O presidente da Câmara afirmou que tentará votar nesta quarta-feira requerimento de urgência e pelo menos o texto principal do projeto de lei “anticrime” do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. As emendas, disse Maia, poderão ficar para a próxima semana, mas ele consultará o plenário sobre a votação.

Maia ressaltou que votará, até a próxima semana, o projeto de Moro e o novo marco legal do saneamento básico. “Fizemos acordo e espero o apoio de todos os governadores. Os do Nordeste e o [de Goiás, Ronaldo] Caiado, que estavam mais reticentes, fizeram o acordo”, disse. Com isso, será possível votar a mudança no saneamento “entre hoje e segunda-feira”.

Segundo Maia, o principal do projeto está garantido porque os governadores sabem que sem um novo marco eles não conseguirão captar recursos ou fazer abertura de capital. O acordo foi no período de transição, afirmou, sem dar muitos detalhes.

Mais tarde, em plenário, Maia afirmou que o projeto do saneamento básico não será votado esta semana e que ficará para segunda-feira.

Ele respondeu a questionamentos da oposição, que ameaçava obstruir a sessão se o item estivesse em pauta

O presidente da Câmara também elogiou as mudanças feitas pelo deputado Juscelino Filho (DEM-PB) no projeto do presidente Jair Bolsonaro para flexibilizar a legislação de trânsito e disse que combinou com o presidente tentar votar o texto até o fim do ano. “É um bom projeto”, comentou.

Maia evitou opinar sobre o aumento pretendido pelos partidos políticos do fundo eleitoral, de R$ 2 bilhões para R$ 3,8 bilhões. O presidente da Câmara disse que é um tema “muito sensível” e que precisa ser muito bem explicado para a sociedade para gerar o mínimo de desgaste possível para o Congresso, mas ressaltou que a “democracia precisa ser financiada e o financiamento privado está vedado”.

Segunda Instância

O deputado do DEM não quis comentar a intenção do Senado de, mesmo após fazer um acordo, colocar em votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) projeto de lei para que as prisões sejam executadas após condenação em segunda instância.

“É um direito do Senado, a gente trata da Câmara. A Câmara hoje instalou a comissão especial e que trata de forma definitiva para todos os tipos de crime”, disse. A votação da PEC na Câmara, afirmou Maia, ocorrerá “durante o mês de fevereiro, em março no máximo”.