Mudança cambial visa demanda por crédito à exportação

A decisão do governo de ampliar de um para cinco anos o prazo para as operações de pagamento antecipado de exportações tem por objetivo resolver um gargalo criado pelo aumento da demanda por crédito externo no fim do ano, segundo uma fonte da equipe econômica. A medida anunciada nesta terça-feira, segundo a fonte, não visa fixar taxa de câmbio. O governo avalia também que a alteração atenderá a uma demanda real por financiamento às vendas externas e não servirá de canal para aumento da especulação com o real por meio de operações de arbitragem.

Em 1º de março deste ano, para reduzir o fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil, o BC limitou essas operações a 360 dias e permitiu que o financiamento fosse feito apenas pelo comprador do produto (importador). Em 28 de junho, reviu a medida para permitir que instituições financeiras também pudessem fornecer o crédito. Agora, a regra está sendo revista novamente.

As operações de pagamento antecipado de exportações, chamadas de PAs, contam com isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cobrado sobre captação de empréstimos no exterior. A preocupação do governo, em março, era a de que muitas empresas usassem o PA para trazer recursos ao Brasil e investi-los em aplicações financeiras, sem pagar o imposto. À época, o diretor de política monetária do BC, Aldo Mendes, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que essa era "mais uma medida dentro do escopo do governo para evitar o excesso no fluxo de capitais para o Brasil".

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