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MSD vai pedir autorização de uso emergencial de seu remédio contra Covid à Anvisa

·3 min de leitura

SÃO PAULO — A farmacêutica MSD vai pedir autorização de uso emergencial para o uso do antiviral molnupiravir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nos próximos dias.

Na semana passada, a MSD (Merck Sharp & Dohme) já pediu aval para o primeiro remédio oral para tratar pacientes leves a moderados da Covid-19 nos Estados Unidos. Estudo mostra que o molnupiravir reduziu em, aproximadamente, 50% os riscos de internação e mortes. O resultado foi tão expressivo que o estudo de fase 3, realizado em mais de 100 países, foi interrompido, já que não seria ético continuar a dar placebo às pessoas sabendo que o remédio é eficaz.

No Brasil, a Fiocruz começou uma ampliação desse estudo, para verificar o uso profilático pós-exposição do medicamento, a chamada PEP. A pesquisa é coordenada pela pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcomo:

— Esse remédio não é um substituto para a vacina. Se ele funcionar, encontrando os resultados que esperamos e respondendo à nossa expectativa, será um complemento para a vacina. É um antiviral interessante porque atua na replicação viral, confundindo o vírus que acaba errando na sua replicação. Estou confiante porque ele foi bem estudado, demonstrando boa eficácia e segurança. E deu super certo para as variantes — explica Dalcomo.

Segundo a médica e pesquisadora, o desafio é encontrar os voluntários para participar do estudo profilático, uma vez que o perfil é específico: podem participar os maiores de 18 anos que moram na mesma casa que pessoas que testaram positivo para Covid-19 e apresentam ao menos um sintoma da doença, como febre, tosse ou perda do paladar e olfato. O paciente infectado inicial, contudo, não pode estar hospitalizado. Os coabitantes — que farão parte do estudo — devem, antes de receber o medicamento, ter teste negativo para a doença. O complicador é que os interessados não podem ter sido vacinados — ou podem, no máximo, ter tomado a primeira dose há menos de seis dias.

Para participar é preciso responder um rápido questionário no site da farmacêutica. Se a pessoa preencher os requisitos mínimos, receberá os contatos do centro coordenador da região onde mora.

Quanto antes for possível encontrar os voluntários e avançar na pesquisa, mais robustos serão os resultados e mais chance terá de seu uso ser aprovado. Os voluntários serão acompanhados por 29 dias.

O remédio é muito prático pois pode ser tomado por via oral, ou seja, em casa. São 10 doses, duas por dia ao longo de cinco dias.

— Para que realmente seja um 'game changer', um dividor de águas, é preciso que sirva para tratamento e para profilaxia. Estamos vacinados. A pessoa ter um quadro leve de Covid sabendo que tem um remédio para usar é espetacular — diz Dalcomo.

Produção nacional

A Fiocruz declarou na sexta-feira estar em “conversas avançadas” com a farmacêutica americana para definir um modelo de cooperação técnica com o objetivo de produzir o antiviral aqui.

— O mais importante é que vamos poder começar uma discussão para fabricar o remédio. Ele é muito caro ainda, o tratamento completo sai US$ 700. Imagina o custo para o país — afirma a pesquisadora.

De acordo com Margareth Dalcomo, estudos com pelo menos outros dois antivirais estão sendo realizados na Fiocruz.

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