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MPT abre inquérito civil contra ex-presidente da Caixa por denúncias de assédio

BRASÍLIA, DF, 13.09.2021 - O presidente Jair Bolsonaro com Pedro Guimarães em evento no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 13.09.2021 - O presidente Jair Bolsonaro com Pedro Guimarães em evento no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu inquérito civil público para aprofundar as investigações preliminares de assédio sexual praticadas pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães.

Outro executivo, Celso Leonardo Barbosa, considerado um dos principais aliados de Guimarães na instituição, também é alvo das investigações do MPT.

O caso veio a público após denúncias de funcionárias do banco ao site do Metrópoles, no final de junho.

Na decisão, publicada nesta terça-feira (26), o procurador do MPT Paulo Neto considerou que os fatos narrados nas 14 denúncias em canais internos do banco contra abusos de Pedro Guimarães, entre 2019 e 2022, justificaram a conversão da notícia crime em inquérito civil.

Durante a fase preliminar de investigação, a Caixa teve de enviar ao MPT todos os documentos dos procedimentos administrativos relativos às denúncias.

Com a nova decisão do MPT, as investigações contra Pedro Guimarães serão aprofundadas.

O escândalo levou o Pedro Guimarães a pedir demissão após ser acusado de assédio sexual por funcionárias. A saída dele do governo foi confirmada em uma carta aberta publicada em suas redes sociais.

Na carta, ele negou as acusações e diz ser alvo de "rancor político em um ano eleitoral".

"É com o mesmo propósito de colaboração que tenho de me afastar neste momento para não esmorecer o acervo de realizações que não pertence a mim pessoalmente, pertence a toda a equipe que valorosamente pertence à Caixa e também ao apoio de todos as horas que sempre recebi do Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro", disse.

Guimarães foi substituído por Daniella Marques, braço direito de Paulo Guedes (Economia). A escolha do nome teve como objetivo reverter a crise de imagem que ameaçava não somente o banco, mas a campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), que enfrenta resistência junto ao eleitorado feminino.

O ex-presidente da Caixa era um dos nomes mais próximos do presidente no governo. Ganhou a confiança do chefe do Executivo ao longo do mandato, especialmente após a decisão do presidente em delegar à Caixa a operacionalização do auxílio emergencial e do Auxílio Brasil, principais programas sociais do governo.

Guimarães chegou a se colocar na disputa pela vaga de vice na chapa de Bolsonaro que disputará a reeleição neste ano. Também chegou a ser cogitado como substituto de Guedes em momentos de crise na pasta de seu padrinho no governo. Ele se aproximou do mandatário e sua família por ter uma visão de mundo similar à da família Bolsonaro.

Além da investigação conduzida pelo MPT, outra apuração vem sendo feita pela Procuradoria da República no Distrito Federal.

As denúncias dão conta de toques indesejados, convites inapropriados, na sede do banco e em viagens oficiais.

Segundo os relatos, alguns os assédios de Pedro Guimarães aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição. Nos bastidores, integrantes do governo falam em assédio sexual e moral. Há relatos ainda de xingamentos a funcionários.

Em nota, o advogado José Luis Oliveira Lima, que defende Guimarães, disse que o ex-executivo " nega taxativamente qualquer conduta irregular enquanto esteve à frente da Caixa Econômica Federal".

"Na verdade, não há nenhuma mudança ou novidade na posição do MPT", disse o advogado. "Infelizmente em alguns casos, a acusação tenta criar um clima de sensacionalismo nas investigações."

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