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MP chileno abre investigação sobre protesto contra venezuelanos em Iquique

·4 minuto de leitura

O Ministério Público chileno abriu uma investigação sobre o violento ataque a migrantes venezuelanos em situação irregular, que tiveram seus poucos pertences incendiados no sábado na cidade de Iquique (norte) por um grupo de manifestantes, um fato condenado pelo Unicef e a Acnur.

O MP anunciou a investigação um dia após a manifestação que reuniu cerca de 3.000 pessoas que, com bandeiras chilenas e cartazes com mensagens antiimigração, protestaram contra a chegada crescente de migrantes à cidade.

Em meio a gritos xenófobos, um grupo incendiou os pertences dos migrantes que acampavam nas ruas de Iquique e a Polícia evitou que fossem agredidos pela multidão.

A promotora Jócelyn Pacheco, da cidade de Iquique instruiu a Polícia de Investigações que averigue os fatos ocorridos, "que terminaram com a queima de pertences de famílias migrantes", informou neste domingo (26) uma mensagem postada na conta no Twitter do Ministério Público da região de Tarapacá.

Pacheco também "dispôs de medidas de proteção para as vítimas", cerca de 16 migrantes, entre eles crianças e idosos, que tiveram que fugir com o pouco que conseguiram salvar e pernoitar nas ruas e praias de Iquique.

"Ontem me senti muito assustada com tanta xenofobia. As crianças choravam e me diziam, 'Mamãe, vamos nos esconder, vamos nos esconder'. Alguns dos manifestantes gritavam mandando que voltássemos para o nosso país, mas a polícia bloqueou as ruas para nos proteger", contou à AFP Jenny, uma mulher de 34 anos, cercada de seus cinco filhos, um neto, um genro e a mãe dele. A família está juntando dinheiro para ir a Santiago, quase 2.000 km ao sul.

Enquanto isso, a vice-presidente-executiva da Venezuela, Delcy Rodríguez, manifestou em sua conta no Twitter queno governo repudia "a xenofobia e as agressões contra migrantes venezuelanos e exige às autoridades nacionais e locais do Chile respeito à integridade física e psicológica dos nossos concidadãos" e anunciou a ativação de um plano para repatriá-los.

O protesto violento em Iquique ocorreu depois que a Polícia desalojou na sexta-feira uma praça onde famílias de migrantes com crianças acampavam, em meio à crescente crise migratória na região.

Milhares de venezuelanos sem documentos cruzam a fronteira entre a Bolívia e o Chile por passagens não habilitadas no inóspito Altiplano, pondo em risco suas vidas. Cerca de 11 migrantes morreram nesta rota no último ano.

- Condenação da violência -

Os fatos ocorridos em Iquique foram condenados por organismos como a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) e o relator especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos dos migrantes, Felipe González, que qualificou o incidente de uma "inadmissível humilhação contra migrantes especialmente vulneráveis".

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) manifestou, por sua vez, "sua preocupação com a situação que estão vivendo meninos, meninas e adolescentes imigrantes em Iquique e pede ao Estado para garantir e proteger seus direitos, cumprindo desta forma com os tratados internacionais assinados pelo país".

Vinte e quatro organizações de ajuda aos migrantes, de direitos humanos e a Associação Venezuelana no Chile também condenaram os ataques e pediram ao governo soluções reais para a questão migratória no norte chileno, como o acesso a abrigos em condições sanitárias adequadas; atendimento de saúde, alimentos e o início de processos de regularização para os migrantes.

Algumas pessoas que participaram do protesto se aproximaram em seguida dos venezuelanos afetados para pedir-lhes desculpas e ajudá-los com dinheiro, roupas, comida e barracas. "Disseram que nunca quiseram atacar os venezuelanos", afirmou Daniel, um venezuelano de 25 anos, acompanhado de outros migrantes.

"Vieram nos dizer que eles apoiaram a marcha para que o governo chileno nos encontre refúgio ou nos ajude para não dormir nas ruas", afirmou outro.

O ministro do Interior do Chile, Rodrigo Delgado, manifestou seu desacordo com o protesto violento. No entanto, "vamos continuar com os desalojamentos em todos os espaços públicos requeridos" e também "com o plano de expulsões" de migrantes sem documentos, realizado pelo governo chileno, acrescentou.

A maioria dos migrantes tentam chegar a Santiago. Mas os mais pobres não têm recursos para custear a viagem até a capital chilena e tiveram que ficar em Iquique e outras cidades do norte do país, acampando nas ruas em condições precárias.

A entrada de pessoas ao Chile por passagens clandestinas somavam 23.673 até julho, quase 7.000 a mais do que em todo o ano passado, segundo o relatório do Serviço Jesuíta a Migrantes (SJM) do mês de setembro.

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