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MP: Chefe do Escritório do Crime transferiu R$ 400 mil a Queiroz

André Guilherme Vieira
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Conclusão do Ministério Público consta do pedido de prisão do ex-assessor de Flávio Bolsonaro Apontado como operador financeiro de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) em suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o gabinete do atual senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o ex-policial Fabrício Queiroz pode ter recebido mais de R$ 400 mil do miliciano Adriano Nóbrega, que chefiava o grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime antes de ser morto em confronto com a polícia em fevereiro, na Bahia. “Com base nas transferências identificadas pelas instituições financeiras ou pela correspondência de valores, somadas aos saques em espécie realizados pela ex-esposa e pela mãe do ex-policial acusado de integrar milícia, (...) é possível estimar que o falecido Adriano Magalhães da Nóbrega possa ter transferido mais de R$ 400 mil para as contas de Fabrício Queiroz”, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no pedido de prisão preventiva de Queiroz. Queiroz foi detido na quinta-feira. Ele estava em uma casa que pertence ao advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia, no interior de São Paulo. Adriano Nóbrega, morto em confronto com a polícia em fevereiro. Divulgação Análise do celular apreendido de Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz, revelou que ela e o então advogado de Flávio, Luís Gustavo Botto Maia, mantiveram contato com Adriano Nóbrega, que na época era foragido da Justiça, por intermédio da mãe dele, Raimunda Veras Magalhães. Segundo os promotores, as mensagens do celular de Márcia também mostram que Queiroz orientou a mãe de Adriano Nóbrega a manter-se escondida, mesmo depois de o advogado Botto Maia dizer a Raimunda que ela poderia voltar ao Rio. Ela estava em Astolfo Dutra (MG). Queiroz e Márcia conversavam sobre o miliciano em linguagem cifrada, segundo os investigadores. Vídeo: Queiroz está de volta Queiroz está de volta Na véspera do julgamento de recurso extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que viria a revogar a decisão de suspender investigações contendo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz avisou a mulher que o advogado Botto Maia a procuraria para uma conversa pessoal e para monitorar o contato que viria a ser feito com Adriano Nóbrega. Na época, Queiroz temia que as investigações sobre ele fossem retomadas, segundo o MP-RJ. A análise do celular mostra que, no dia seguinte, Márcia telefonou para a mãe de Adriano Nóbrega para falar sobre a proposta que lhe fora transmitida pelo advogado Botto Maia. “Horas mais tarde, possivelmente depois de consultar seu filho, Raimunda Veras Magalhães pediu que Márcia Oliveira de Aguiar a encontrasse em Astolfo Dutra em 1º de dezembro de 2019 para discutirem pessoalmente a proposta com a esposa de Adriano Nóbrega, que chegaria no dia 3 de dezembro de 2019”, relata o MP-RJ no pedido de prisão de Queiroz. Os investigadores relatam que, em seguida, Márcia encaminhou a Queiroz as mensagens da mãe de Adriano Nóbrega e explicou que a mulher do miliciano estaria com a mãe dele em Minas Gerais. Depois de ouvir a proposta pessoalmente, a mulher do miliciano levaria o “recado” ao foragido acusado de chefiar o grupo de assassinos conhecido como Escritório do Crime. Posteriormente, ela daria retorno a Márcia. O MP-RJ afirma que o encontro ocorreu em 4 de dezembro, porque a esposa de Adriano Nóbrega teve um imprevisto e só chegaria no dia seguinte ao combinado.