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Mourão diz a chineses que Brasil perde com guerra comercial entre EUA e China

IVAN MARTÍNEZ-VARGAS
SÃO PAULO, SP, 09.09.2019 - HAMILTON-MOURÃO-SP - O presidente em exercício, Hamilton Mourão, participa da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) no Hotel Renaissance, em São Paulo, na manhã desta segunda-feira. (Foto: Suamy Beydoun/Agif/Folhapress)

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira (9), em São Paulo, que a guerra comercial travada entre China e Estados Unidos traz riscos econômicos ao Brasil, apesar de eventuais ganhos no curto prazo. Ele evitou, contudo, apontar culpados pelos enfrentamentos.

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"Sabemos que ganhos de curto prazo para o Brasil, como o caso do aumento de demanda chinesa por soja, podem ficar comprometidos pela redução global da atividade econômica ou pelo desequilíbrio dos mercados no mais longo prazo. A instabilidade política não contribui para o progresso econômico."

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O vice-presidente falou a uma plateia de empresários brasileiros e chineses em evento organizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China.

"Temos procurado construir relações de confiança e criar o ambiente propício para a ampliação e a diversificação das relações econômicas com a China. Essa disposição mostra-se ainda mais pertinente no contexto de acirramento do enfrentamento econômico e comercial [com os Estados Unidos]", afirmou.

Segundo Mourão, "o mundo acompanha com apreensão a escalada das barreiras tarifárias e o aumento do risco de recessão mundial". O vice-presidente se disse confiante "de que as grandes potências saberão evitar aquilo que conhecemos como armadilha de Tucídides".

A expressão, consagrada pelo cientista político Graham Allison, professor da Universidade de Harvard, usa o nome do general grego Tucídides, que escreveu sobre a Guerra do Peloponeso (entre Atenas e Esparta), e faz alusão aos riscos de enfrentamento entre uma potência em ascensão e outra já estabelecida.

Antes do vice-presidente, o embaixador chinês no país, Yang Wanming, afirmou que a guerra comercial com os EUA trazem incerteza ao andamento da cooperação chinesa com o Brasil, sem detalhar a que riscos fazia referência.

O diplomata disse que a China deverá dobrar o seu consumo de carne bovina até 2026, o que favorece o Brasil, grande exportador do produto. Disse, ainda, que o governo de Xi Jinping quer "reduzir ainda mais as tarifas alfandegárias e diminuir os custos institucionais das exportações" na relação bilateral com o Brasil.

Mourão afirmou que a interlocução do governo Bolsonaro com as lideranças chinesas "tem sido fluída, respeitosa e construtiva. Após minha viagem a Pequim [em maio], houve um encontro entre os chanceleres, à margem do processo preparatório para [o encontro dos] Brics. [Houve] diversas missões de autoridades brasileiras na China, além da visita do ministro da Defesa, com quem me reuni na última sexta-feira (6)."

Segundo Mourão, "a visita do presidente Bolsonaro a Pequim em outubro irá conferir novo impulso para o diálogo político bilateral, assim como a vinda do presidente Xi Jinping a Brasília para a cúpula dos Brics, em novembro."

Mourão destacou que as reformas promovidas pelo governo deverão atrair investimentos estrangeiros para o país e destacou a parceria com a China. Para ele, o Brasil devem diversificar a pauta de exportações para além das commodities.