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Mourão contraria Bolsonaro e diz que decisão do STF sobre emendas de relator foi oportuna

·2 min de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 12.11.2019 - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, discursa após receber de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a Ordem do Mérito Industrial em evento em homenagem às Forças Armadas, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 12.11.2019 - O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, discursa após receber de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, a Ordem do Mérito Industrial em evento em homenagem às Forças Armadas, em São Paulo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Contrariando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o vice Hamilton Mourão (PRTB) elogiou, nesta quarta-feira (10), a decisão da maioria do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender o pagamento das emendas parlamentares controladas pelo relator-geral do Orçamento.

Mourão classificou a medida tomada pela ministra Rosa Weber --e seguida por outros seis integrantes do Supremo-- de oportuna. Ele afirmou ainda que a forma como vinha ocorrendo a execução das emendas do relator não respeitava princípios da administração pública.

"Acho que os princípios da administração pública [de] legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência não estavam sendo respeitados nessa forma de execução orçamentária. Então acho que a intervenção do STF foi oportuna", declarou Mourão.

"Acho que você tem que dar o máximo de publicidade, é princípio da administração pública, conjugado com a eficiência. Eu não posso mandar um recurso para um lugar X que eu não sei como vai ser gasto aquilo. Se o dinheiro fosse meu, eu poderia até rasgar. Mas o dinheiro não é meu, pertence a cada um de nós que paga imposto e contribui para que o governo possa se sustentar".

A ministra Rosa Weber decidiu suspender o pagamento das emendas do relator em 5 de novembro.

Essas emendas têm sido manejadas por governistas com apoio do Palácio do Planalto às vésperas de votações importantes para o Executivo.

Antes da aprovação da PEC dos Precatórios, por exemplo, foi liberado R$ 1 bilhão em emendas desta natureza. Essa proposta permite a expansão de gastos públicos e viabiliza a ampliação do Auxílio Brasil prometido pelo presidente Jair Bolsonaro em ano eleitoral.

Os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli votaram para manter a decisão de Rosa Weber.

A decisão do STF tem potencial para desencadear uma crise e opor o Supremo ao Legislativo e o Executivo.

Pela maioria formada, a execução dessas emendas deverá ser suspensa "integral e imediatamente". Além disso, o Congresso deverá dar "ampla publicidade, em plataforma centralizada de acesso públicos", a todos os documentos relacionados à distribuição dessas verbas em 2020 e 2021.

No entendimento de Rosa Weber, não há transparência nos repasses dessas emendas e, por isso, elas violam os princípios constitucionais da "legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência". As emendas de relator representavam a principal moeda de troca do governo em votações importantes no Congresso.

A fala de Mourão conflita com opinião já manifestada por Bolsonaro.

Em entrevista transmitida na segunda (8), o mandatário afirmou que os argumentos usados por Rosa "não são justos" e não existe "barganha" na liberação dessas emendas.

"Agora, os argumentos usados pela relatora do Supremo não são justos, dizer que nós estamos barganhando. Como posso barganhar se quem é o dono da caneta é o relator, um parlamentar? E não é [orçamento] secreto porque está no Diário Oficial da União", disse Bolsonaro à Jovem Pan.

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