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Mourão atribui impasse com China e Índia a 'geopolítica da vacina'

DANIEL CARVALHO
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO , SP, BRASIL, 09-03-2020 - Vice-presidente Hamilton Mourão. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO , SP, BRASIL, 09-03-2020 - Vice-presidente Hamilton Mourão. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) atribuiu ao que chamou de geopolítica da vacina o impasse com China e Índia, que impuseram travas para a exportação de insumos e de imunizantes para o Brasil.

"A gente tem que compreender a geopolítica da vacina", disse Mourão ao chegar à Vice-Presidência nesta quarta-feira (20).

Ele ponderou que a vacinação acontece em velocidade lenta ao redor do mundo.

"O que quero dizer com isso? Que existe uma corrida pela vacina. Ontem nosso diretor da OMS [Organização Mundial da Saúde] declarou que estava havendo pouca solidariedade nesta questão", prosseguiu Mourão.

"Essas vacinas usam os insumos farmacêuticos ativos, os IFAs, que são produzidos, a maior parte, em dois países, a Índia e a China, cuja população dá mais de um terço da população mundial, e eles têm os interesses geopolíticos deles, obviamente, a este respeito. Então, vamos ter que usar as armas da diplomacia", disse o vice-presidente.

Ele afirmou que o assunto, por ora, está sob responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores.

No Palácio do Planalto, fontes dizem que as vacinas podem deixar a Índia até o final desta semana. Já no Itamaraty, o tom é de mais cautela. Fontes da diplomacia brasileira diz que a pasta está trabalhando com a "discrição necessária" para concluir a operação "o quanto antes".

Conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo nesta terça-feira (19), o atraso na operação de envio de um avião para recolher vacinas na Índia e o risco de adiamento da produção de imunizantes no Brasil diante de travas impostas pela China para a exportação de insumos desencadearam um bombardeio de críticas ao chanceler Ernesto Araújo, que tem sido apontado por auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como corresponsável por episódios considerados vexames diplomáticos para o Brasil.

Segundo auxiliares de Bolsonaro, que falaram sob condição de anonimato, a área de relações exteriores contribuiu para a derrota política de peso sofrida pelo Palácio do Planalto no fim de semana: o protagonismo praticamente isolado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no início da vacinação no Brasil.

O governo vinha tentando antecipar desde dezembro um lote de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas em um laboratório indiano. O objetivo era que as doses fossem usadas para dar o pontapé na campanha de vacinação no Brasil. Uma cerimônia no Planalto estava sendo preparada para a ocasião.

Um avião foi preparado para embarcar para a Índia na quinta-feira (14), mas a missão foi abortada após ampla divulgação pelo governo brasileiro.

O chanceler de Bolsonaro também virou alvo de queixas diante do risco de o país ver atrasada a produção de vacinas sem a chegada de matéria prima proveniente da China.

Tanto o Butantan quanto a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) estão em alerta pelo represamento de insumos para os fármacos promovido pelo governo chinês.

Ligado ao governo de São Paulo, o Butantan produz no Brasil a Coronavac, enquanto que a Fiocruz será a responsável por fabricar a Oxford/AstraZeneca.

A possibilidade de um impasse que atrase a vacinação no Brasil, particularmente o cronograma da Fiocruz, é visto no Palácio do Planalto como uma nova ameaça de revés para o governo Bolsonaro.

Araújo também virou vidraça de membros do governo que advogam por uma menor carga ideológica na condução da política externa do país.

Eles se queixam que os constantes embates com a China criaram dificuldades de interlocução num momento em que o país depende da boa vontade de Pequim.

O problema é que a retórica anti-China no governo vai além do chanceler: foi adotada pelo filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e pelo próprio mandatário.