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Motorola adiciona idiomas indígenas do Brasil e da Amazônia em seus celulares

Renan da Silva Dores
·3 minuto de leitura

A Motorola oficializou hoje sua nova linha Moto G para 2021, que atende desde os consumidores menos exigentes com os Moto G10 e G30, até entusiastas que procuram por desempenho com o Moto G100. Trazendo preços relativamente competitivos, os novos celulares podem se tornar os novos favoritos do mercado brasileiro pela boa relação de custo-benefício que oferecem, e que deve crescer ainda mais conforme os preços caírem. Essas não foram as únicas novidades para o mercado brasileiro, no entanto.

Durante a apresentação, a fabricante norte-americana confirmou que os lançamentos e todos os seus aparelhos já lançados que receberem o Android 11 ganharão opção para serem configurados em dois idiomas indígenas da América Latina que estão ameaçados de extinção: o Nheengatu, ou Tupi moderno, e o Kaingang. A iniciativa contou com apoio da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, e do pesquisador em Antropologia cultural e de línguas indígenas, prof.º Wilmar D'Angelis.

Como aponta o The Verge, a inclusão das línguas é resultado da grande importância que o mercado brasileiro representa para a Motorola. A companhia possuía 21% do mercado brasileiro de smartphones em fevereiro, ocupando a segunda colocação, estando à frente da Apple e atrás apenas da Samsung. Ao portal, a gerente de globalização e chefe de linguística da Motorola Mobility, Juliana Rebelatto, aponta que o movimento não deve trazer retorno à empresa, mas que é parte do trabalho de inclusão digital que guia a fabricante.

UNESCO: Nheengatu e Kaingang são línguas ameaçadas

O Kaingang é uma língua nativa do povo Kaingang, que habita estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), apenas metade da comunidade ainda fala o idioma, considerado "definitivamente ameaçado", classificação dada quando crianças não aprendem mais a língua como primeiro idioma.

Ozias Yaguarê Yamã Glória de Oliveira Aripunãguá, ao lado da filha. Falante do Nheengatu, auxiliou a Motorola no projeto (Imagem: Divulgação/Motorola)
Ozias Yaguarê Yamã Glória de Oliveira Aripunãguá, ao lado da filha. Falante do Nheengatu, auxiliou a Motorola no projeto (Imagem: Divulgação/Motorola)

A situação do Nheengatu, ou Tupi moderno, é ainda mais grave. A língua é originária do Tupi, idioma falado pelos nativos quando os portugueses chegaram ao território que veio a se tornar o Brasil, e é considerada uma das mais importantes do país. Hoje, segundo a UNESCO, apenas 6.000 pessoas ainda falam o Nheengatu, considerado "severamente ameaçado". Essa classificação antecede a extinção, e é dada quando avós e gerações mais antigas falam o idioma em questão, mas não se comunicam com os mais jovens ou mesmo entre si por meio dele.

Inclusão digital e incentivo a outras companhias

Rebelatto explica as dificuldades que a Motorola encarou durante o processo de tradução do sistema, e da importância de Wilmar D'Angelis, que estuda línguas há mais de 40 anos. "Tivemos de enviar PCs da Lenovo para as comunidades nas quais os e-mails mal chegavam", adiciona Juliana, que lembra ainda do agravante da pandemia.

“Sabemos que para a maioria das pessoas será apenas mais uma língua no menu mas para as pessoas que falam aquele idioma, é uma grande inovação. É parte do grande mindset que temos sobre inclusão digital”. - Juliana Rebelatto, gerente de globalização e chefe de linguística da Motorola

A companhia revela ainda que mais línguas ameaçadas serão adicionadas futuramente, e que o projeto será Open Source, permitindo que qualquer desenvolvedor, companhia ou fabricante o utilize. A ideia da iniciativa seria chamar atenção para as comunidades e incentivar assim outras companhias de tecnologia a investir em projetos semelhantes.

Fonte: Canaltech

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