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Motoristas abandonam Uber por aumento do custo de combustível

·4 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Os brasileiros têm mais um problema hoje em dia na lista de sofrimentos provocados pela pandemia: está cada vez mais difícil pegar um Uber.

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Os preços da gasolina, que dispararam quase 40% na comparação com um ano atrás para mais de 7 reais por litro em algumas cidades, estão pesando nos gastos dos motoristas e fazendo com que muitos desistam de trabalhar no maior mercado do Uber fora dos EUA.

O combustível mais caro responde pela maior parte da inflação no Brasil, agora em mais de 10% ao ano pela primeira vez desde 2016.

Depois de cinco anos como motorista de aplicativos no Rio de Janeiro, Luciana Carvalho, 51, voltou a trabalhar como guia turística em janeiro, quando percebeu que os preços dos combustíveis estavam subindo constantemente enquanto suas tarifas permaneciam estáveis. “Os números não batem quando você passa 10, 12 horas nas ruas e ganha menos do que há um ano”, disse ela.

Muitos motoristas estão fora das ruas até que os custos diminuam. Outros estão fazendo movimentos mais permanentes: vendendo seus carros ou devolvendo veículos alugados em busca de outras fontes de renda.

Em São Paulo, maior cidade da América Latina e uma das mais movimentadas do mundo para o Uber, 25% dos motoristas da plataforma e da concorrente 99, da chinesa Didi Global, pararam de trabalhar desde o início da pandemia, segundo a Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo, a Amasp.

Os problemas do Uber são apenas um dos muitos causados pela escalada dos preços dos combustíveis na América Latina. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro tem enfrentado a ameaça constante de uma greve de caminhoneiros insatisfeitos com o aumento do custo do diesel, bem como uma queda na popularidade à medida que o gás de cozinha ficou mais caro. No México, o presidente Andres Manuel Lopez Obrador recentemente impôs limites aos preços do gás de cozinha, o que levou a inflação ao dobro da meta do banco central.

Também é um problema global. À medida que a pandemia arrefece e as pessoas voltam ao trabalho, os preços da energia estão subindo em todos os lugares, com os fornecedores lutando para atender à demanda. Os postos de gasolina secaram em todo o Reino Unido, enquanto a China está devorando os combustíveis disponíveis antes do que deve ser um inverno gelado.

A perda de motoristas do Uber e os tempos de espera mais longos por um carro irritaram os passageiros em todo o mundo. As despesas relacionadas aos esforços da empresa sediada em San Francisco para atrair de volta os trabalhadores foram as principais contribuições para suas perdas maiores que o esperado no segundo trimestre.

Escassez de carros

Para complicar ainda mais as coisas no Brasil, muitos motoristas que trabalham para o Uber não são donos dos seus veículos, e as locadoras aumentaram as taxas devido em parte à falta de carros. A consultoria Teros, de São Paulo, estima que as locadoras aumentaram os preços em mais de 20% neste ano.

Aqueles que permanecem ao volante estão optando por trabalhar para serviços mais caros, como o “Uber Black”, ou frequentemente recusam viagens de baixo custo.

“Estou no vermelho há três meses”, disse Joyce Travassos, 56, motorista do Rio de Janeiro. “Preciso trocar quatro pneus e não tenho recursos para - você tem que realmente considerar aonde vai” em suas viagens, disse ela.

“É preciso ser estratégico”, disse o motorista paulista Jeter Magno Cruz dos Santos. “Um motorista sem estratégia não aguenta.”

Uber e 99 aumentaram a porcentagem sobre as vendas que o motoristas levam para casa em setembro, mas isso fez pouco para ajudá-los a lidar com os custos crescentes.

“Os ajustes não trouxeram alívio”, disse Eduardo Lima, presidente da Amasp. “Se não conseguirmos taxas melhores ou uma redução nos preços dos combustíveis, ainda mais motoristas abandonarão” as plataformas.

O Uber disse em comunicado que o Brasil está enfrentando um “cenário de alta demanda” com a reabertura das cidades, e que o aumento de preços é acionado automaticamente quando o número de viagens supera o de motoristas. “Para os motoristas, é um incentivo para atender áreas mais movimentadas e ajuda a reequilibrar o mercado agora”, disse Andre Monteiro, porta-voz do Uber.

Isso pode fazer pouco para ajudar os brasileiros desesperados por uma corrida.

Depois de uma viagem noturna no mês passado de Belo Horizonte a São Paulo, Eunice Ferreira de Souza ficou presa em uma rodoviária ao amanhecer. Oito motoristas de aplicativos aceitaram e cancelaram a chamada da hair stylist de 35 anos antes que ela conseguisse uma corrida para casa.

“Hoje, sempre que um motorista aceita, mando imediatamente uma mensagem prometendo uma gorjeta”, disse ela.

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