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Motoristas de ônibus de SP dizem que governo cedeu em vacinação e cancelam greve

THIAGO AMÂNCIO
·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A greve de ônibus em São Paulo que estava prevista para esta terça-feira (20) foi suspensa após negociação do Sindmotoristas (sindicato dos trabalhadores do sistema de ônibus) com representantes do governo João Doria (PSDB). Segundo o sindicato, após três horas de reunião o governo paulista decidiu que os motoristas e cobradores serão vacinados contra a Covid-19. A data de imunização será anunciada na quinta-feira (22). A categoria havia convocado greve juntamente com os metroviários e os trabalhadores da CPTM (trens metropolitanos) para pressionar o governo pela vacinação contra a Covid-19. Na noite desta segunda, no entanto, o Sindicato dos Metroviários decidiu também suspender a paralisação. Isso aconteceu depois que o governo Doria anunciou no último sábado (17) que iria incluir no grupo prioritário da vacina os trabalhadores do Metrô e da CPTM que lidam diretamente com o público: todos os operadores de trens, independentemente da idade, e demais funcionários da operação, como seguranças, técnicos de manutenção e trabalhadores da limpeza, que lidam diretamente com o público, acima dos 47 anos. Entraram aí também os trabalhadores da operação das linhas 4-amarela e 5-lilás, que são privatizadas. Se, por um lado, o movimento do governo paulista arrefeceu o movimento dos metroviários e dos ferroviários, por outro lado exaltou os ânimos dos rodoviários, que estenderam a greve dos ônibus para cidades da região metropolitana, como no ABC Paulista e em Guarulhos. Em reunião nesta tarde, o sindicato anunciou que na manhã desta terça iria estacionar ônibus na frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) bloqueando parte da avenida Paulista e seguir em passeata até o Viaduto do Chá, na região central, sede da Prefeitura de SP. Nesta segunda, no entanto, a Justiça do Trabalho deu decisão liminar favorável à Prefeitura de São Paulo para garantir que o transporte público municipal funcione com pelo menos 85% da frota nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 70% nos demais horários nesta terça-feira (20). Em caso de descumprimento, o tribunal determinou o sindicato deve pagar multa de R$ 200 mil. A decisão foi assinada pela juíza Renata de Paula Eduardo Beneti. O movimento grevista ganhou força após o início da vacinação contra a Covid-19 de policiais e professores em São Paulo e fez crescer a pressão para incluir o setor de transportes no grupo prioritário. Metrôs, ônibus e trens em São Paulo não pararam um único dia. Relatório da administração do Metrô divulgado na última semana mostra que embora a pandemia tenha tirado passageiros nos primeiros meses da chegada do vírus ao Brasil, foram feitas quase 3 bilhões de viagens nos transportes públicos que passam pela capital, entre metrô (764 milhões), CPTM (505 milhões) e ônibus municipais (1,6 bilhão). Lidando com esse público estão motoristas, cobradores, ferroviários e metroviários, que acumulam contaminações e mortes pela doença. O Metrô já soma 22 mortes entre seus funcionários, além de cerca de 1.500 contaminados, segundo contagem do sindicato dos Metroviários, que convocou uma "greve sanitária" para terça-feira. Na última terça-feira (13), foi a vez dos trabalhadores da CPTM, companhia de trens urbanos, chamar greve para os dias 20 e 27. Além de uma demanda por participação nos lucros, os trabalhadores pedem também a vacinação da categoria. Segundo estimativa do sindicato, já são quase 50 mortes entre os ferroviários. A situação também é grave entre os trabalhadores dos ônibus municipais, e o Sindmotoristas, que representa condutores, cobradores e outros funcionários do sistema, também convocou greve para o dia 20. Até o começo de abril, o sindicato somava 1.373 casos confirmados e 131 mortes registradas.