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Morto neste sábado, Ecko era réu por executar um informante da polícia

·3 minuto de leitura

RIO — Morto neste sábado, dia 12, Wellington da Silva Braga, o Ecko, que era chefe da maior milícia do Rio de Janeiro, na Zona Oeste da capital, e um dos criminosos mais procurados do estado, era réu em nove processos criminais. Um deles, pela execução e ocultação de cadáver de um homem que ele descobriu ser informante da polícia: o motorista de aplicativo Vanderlei Lima da Silva, de 37 anos, que desapareceu depois que saiu de casa na noite de 17 de abril de 2019 e cujo corpo não foi encontrado até hoje.

Vanderlei era um morador de Santa Cruz que sonhava em ser policial e, por isso, passou a trabalhar como informante de um delegado que investigava o bando. De acordo com o inquérito da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA), mensagens enviadas pelo motorista no último dia em que foi visto revelam que ele tentou alertar o delegado sobre o paradeiro de Ecko. “Estou aqui agora. Não posso mais falar. É aqui que o Ecko está”, escreveu a vítima, por volta das 19h45. Em seguida, enviou a sua localização por GPS. O motorista estava dentro da favela Três Pontes, principal reduto de Ecko, em Paciência, na Zona Oeste do Rio.

Vanderlei, segundo depoimentos prestados por testemunhas à DDPA, tinha informações privilegiadas da milícia porque era amigo de infância de Jefferson Junio Terra Tavares, o Soldado, braço-direito de Ecko e um dos matadores da quadrilha. No final de 2017, o motorista procurou policiais civis para passar informações sobre a milícia. Na época, ele alegou aos agentes que tinha o sonho de ser policial e que não suportava mais “as covardias praticadas por Ecko e Soldado”.

O carro de Vanderlei foi encontrado carbonizado às margens do Rio Guandu seis dias após o crime. De acordo com o relatório final da investigação, assinado pela delegada Elen Souto, a conversa do informante com o policial foi flagrada pelos milicianos, que o torturaram e executaram em seguida. “Em que pese a nobre conduta da vítima em ajudar os policiais, o risco da morte era iminente”, escreveu a delegada ao finalizar a investigação. Ao final do inquérito, a Justiça decretou as prisões preventivas de Ecko e Soldado.

Morto em operação

Wellington da Silva Braga morreu neste sábado, dia 12, após ser baleado em operação da Polícia Civil do Rio. O criminoso, um dos mais procurados do país, foi encontrado numa casa na comunidade das Três Pontes, em Paciência, na Zona Oeste, local considerado seu reduto. Segundo informações da polícia, o miliciano foi baleado durante confronto e chegou a ser levado de helicóptero para o Hospital municipal Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos dois ferimentos na região tórax. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Ecko chegou morto à unidade.

Ecko havia assumido a chefia da milícia após seu irmão, Carlos Alexandre Braga, o Carlinhos Três Pontes, ter sido morto durante uma operação da Polícia Civil em abril de 2017. Desde então, a quadrilha que ele chefiava, o Bonde do Ecko, já invadiu as favelas de Antares e Rola, ambas em Santa Cruz. O grupo de paramilitares, que domina boa parte da Zona Oeste, tem como uma das práticas a extorsão de dinheiro de moradores e comerciantes e a exploração de serviços, como sinal clandestino de internet e TV e controle ilegal da venda de gá e do transporte alternativo de vans.

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