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#Verificamos: É falso que nenhuma pessoa em situação de rua morreu de Covid-19 no país

Agência Lupa
·4 minutos de leitura
É falso que nenhuma pessoa em situação de rua morreu de Covid-19 no país - Foto: Reprodução
É falso que nenhuma pessoa em situação de rua morreu de Covid-19 no país - Foto: Reprodução

por ÍTALO RÔMANY

Circula nas redes sociais um post que diz que nenhuma pessoa em situação de rua morreu no país por Covid-19. A publicação também é usada para afirmar que a pandemia do novo coronavírus é uma “farsa”. Segundo o texto, se a pandemia fosse verdadeira, as pessoas em situação de rua teriam sido “exterminadas”, uma vez que não usariam álcool em gel e não fariam distanciamento social, por não terem casa. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

É falso que nenhuma pessoa em situação de rua morreu de Covid-19 no país - Foto: Reprodução
É falso que nenhuma pessoa em situação de rua morreu de Covid-19 no país - Foto: Reprodução

“Nenhum mendigo morre de Covid 19, são imunes. Se a Pandemia fosse verdadeira teriam sido exterminados, não usam álcool em gel, não fazem distanciamento social, e nem ficam em casa, povo idiota e alienado, acordem […]”
Legenda de imagem publicada em post do Facebook que, até as 15h de 14 de setembro de 2020, tinha mais de 300 compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Não há um levantamento nacional que mostre a situação de infecções e óbitos por Covid-19 por pessoas em situação de rua. Entretanto, a afirmação do post, de que nenhum morador de rua morreu no país devido ao novo coronavírus, não se sustenta. Dados da prefeitura de São Paulo, por exemplo, mostram que, de abril a agosto, 294 pessoas em situação de rua foram diagnosticadas com Covid-19. Desse total, 30 foram a óbito.

Outras prefeituras pelo país também foram contatadas. No Rio, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que só possui informações sobre as pessoas em situação de rua que deram entrada nos abrigos da rede. Entretanto, disse que não há casos de óbitos registrados. Em Belo Horizonte (MG), a prefeitura afirmou por nota que recebeu 398 pessoas em situação de rua com sintomas de doenças respiratórias. Destas, 78 testaram positivo para o novo coronavírus e 18 delas ainda permaneciam em acolhimento nesta segunda-feira (14), sendo acompanhadas e recebendo os cuidados necessários. Até o momento, não há óbitos confirmados por Covid-19 ocorridos na população em situação de rua no município.

Na imprensa, são citados diversos casos de moradores de rua infectados com o novo coronavírus, em cidades como João Pessoa (PB) e Vitória (ES). Entretanto, os únicos casos de óbitos mencionados em notícias, em levantamento feito pela Lupa, são os de São Paulo.

Em contato com a reportagem, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos informou que não possui um número específico de óbitos da população em situação de rua em função da Covid-19, no âmbito nacional. O Ministério da Saúde, por nota, também afirmou que esses dados devem ser obtidos por meio das prefeituras e estados. O Movimento Nacional da População em Situação de Rua disse por meio de mensagem no WhatsApp que tampouco tem um levantamento oficial.

Medidas preventivas

Em São Paulo, a prefeitura informou que acompanha as pessoas em situação de rua por meio de equipes distribuídas nas seis coordenadorias de saúde. O trabalho procura protegê-las da pandemia, já que também correm risco de serem infectadas e morrer. “Tem sido realizada uma busca ativa de sintomáticos em locais de maior concentração de pessoas em situação de rua e monitoramento dos suspeitos/confirmados, para posterior encaminhamento aos Centros de Acolhida. A distribuição de máscaras de tecido e itens de higiene, incluindo álcool em gel, também tem sido uma ação recorrente durante a pandemia”, informou, em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura.

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disse que foram elaborados e publicados em abril dois documentos para orientar as ações voltadas para essa população no contexto da pandemia. O primeiro, “Orientações Gerais sobre Atendimento e Acolhimento Emergencial à população em situação de rua no contexto da pandemia do Covid-19”, faz uma série de recomendações para o acolhimento, por órgãos do governo e pela sociedade civil. O protocolo para “Organizações da Sociedade Civil sobre Atendimento e Acolhimento à População em Situação de Rua no mbito da Pandemia Covid-19” estabelece ações práticas para garantir a esse público condições básicas de alimentação, higiene e segurança, além de privacidade e isolamento nos casos suspeitos e confirmados de contaminação.

De acordo com o Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, são mais de 140 mil pessoas vivendo nesse contexto de rua no país. A estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entretanto, é de que haja quase 222 mil pessoas nessa situação.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Maurício Moraes