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Mortalidade x Letalidade: Conhecido por propagar informações falsas, Osmar Terra acerta a diferença na CPI

·4 minuto de leitura

RIO - Durante a sessão da CPI da Covid nesta terça-feira, o senador Otto Alencar (PSD-BA) questionou o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) sobre a diferença entre as taxas de mortalidade e letalidade e disse, diante da resposta, que o parlamentar estava equivocado. Apesar do histórico em disseminar informações falsas, dessa vez Terra não errou em sua afirmação, ainda que tenha relutado após a pergunta.

A indagação ocorreu depois que Alencar corrigia uma informação dita por Terra em seu depoimento, no qual citou em duas ocasiões que a Argentina tinha 420 mil óbitos por Covid-19. Na primeira menção, o deputado se referiu ao número "proporcionalmente". No cálculo feito pelo parlamentar, as mais de 89 mil mortes por coronavírus na Argentina foram multiplicadas pela razão entre as populações brasileira e argentina, da ordem de aproximadamente 4,7.

Após a intervenção de Terra, que disse ter ressaltado que se tratava de um dado proporcional, Alencar rebateu que ele estava confundindo taxa de mortalidade com taxa de letalidade. Na sequência, o senador emendou a pergunta:

– O senhor sabe como se mede a taxa de mortalidade? - indagou Alencar

– Senador, eu vivi isso muitos anos - despistou Terra

Após Alencar insistir na pergunta, Terra afirmou que sabia:

– Eu sei, senador.

– Como é que mede?

– Eu sei, senador...

– Mas diga, por favor.

– O senhor está querendo saber?

Mais uma vez, o senador repetiu o questionamento, e o deputado respondeu:

– A taxa de mortalidade é pelos habitantes...

– Não, não, senhor! Por mil pessoas.

– Por um milhão.

Diante da divergência, o senador voltou a contrariar o deputado, afirmando que a taxa de mortalidade era medida por mil pessoas.

– O senhor pode olhar que é por mil. A taxa de mortalidade é por mil. Letalidade é uma coisa, mortalidade é outra, deputado. Tenha paciência. O senhor disse aí que eram 420 mil mortos que estava chegando próximo ao Brasil. Não é. A Argentina tem 50 milhões de habitantes e 90 mil óbitos. Agora, a taxa de letalidade na Argentina é um pouco maior do que a taxa de letalidade do Brasil. O Brasil está com a taxa de letalidade 2.8. A Argentina está mais que o Brasil. Por isso quero dizer ao senhor que a taxa de mortalidade é medida por cada mil habitantes em determinada localidade – retrucou Alencar.

Apesar da ponderação feita pelo senador, Terra acertou ao responder sobre a taxa de mortalidade. Tal medição é usada para analisar o impacto de uma doença ou condição em toda a população de uma região. Em contrapartida, a taxa de letalidade avalia o número de mortes em relação às pessoas que apresentam a doença ativa, e não em relação à população inteira, ou seja, mede a porcentagem de pessoas infectadas que vão a óbito.

– A letalidade você calcula em cima do número de hospitalizados, do número de doentes, e não sobre a população em geral. Mortalidade se refere a toda a população, e a letalidade se refere especificamente sobre aquela doença. Entre os casos de Covid, quantos morrem? Essa é a letalidade. Do número de mortos no país, quantos são por Covid? Isso é mortalidade – explicou o infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Segundo Kfouri, embora o cálculo da taxa de mortalidade seja feito normalmente com base em uma amostragem de 100 mil habitantes, também pode ser realizado com outros denominadores, inclusive por milhão de habitantes, como sugerido por Terra. No Brasil, essa taxa atualmente é de 239,2 a cada 100 mil habitantes, conforme dados do painel coronavírus e do painel do Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass).

– Em geral, a gente usa por 100 mil, mas aí tanto faz. Você tem uma proporção calculada em cima de um denominador que é calculada ou por milhão de habitantes ou por 100 mil habitantes. Na prática, pode usar qualquer um dos dois. Você tem que colocar dentro da razão, colocar a unidade correta para fazer a proporção certa, mas pode expressá-la de maneiras diferentes, a depender do denominador que você coloca – afirmou o infectologista.

Alencar, no entanto, acertou ao citar que a taxa de letalidade no Brasil para Covid-19 é de 2,8%, segundo dados dos painéis. A ponderação feita pelo senador em relação à comparação com o número de óbitos pela doença na Argentina também faz sentido. De acordo com Kfouri, comparativos com números absolutos são sempre mais imprecisos.

– Quando você fala que o Brasil já comprou ou usou 100 milhões de doses de vacinas, mas a população é de 200 milhões, ele vacinou com duas doses um quarto da população. Com um quinto disso, o Uruguai já vacinou a população inteira. O que interessa é o número de doses administradas por 100 mil ou um milhão de habitantes. Sempre que relativiza isso em relação à população você dá uma unidade melhor.

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