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Morre o economista John Williamson, pai do Consenso de Washington

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O economista John Williamson, que cunhou o termo Consenso de Washington no final da década de 1980, morreu neste domingo (11) aos 83 anos. Nascido no Reino Unido em 1937, Williamson era especialista em assuntos relacionados à economia internacional e viveu no Brasil no fim dos anos 1970, quando trabalhou na PUC-RJ. Ele se casou com uma brasileira e era fluente em português. Ele era pesquisador do Peterson Institute for International Economics (PIIE), em Washington, que fez uma publicação especial sobre o economista nesta segunda (12). Williamson ficou famoso mundialmente pela elaboração do controverso receituário liberal que ficou conhecido como Consenso de Washington: uma lista de dez políticas que poderiam levar a América Latina ao desenvolvimento e que também eram amplamente aceitas por economistas de instituições localizadas na capital americana, como FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Mundial. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em 2011, ele propôs uma mudança no regime cambial brasileiro e criticou o aumento dos gastos públicos durante o governo Lula (2003-2010), ressaltando que o nível de despesas era “preocupante”. Ele também trabalhou para o Tesouro do Reino Unido, FMI, Banco Mundial, MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e Universidade de Princeton. “Sua erudição e liderança política foram acompanhadas por sua integridade inabalável, impregnada de inteligência, bondade e humildade. O Peterson Institute está profundamente grato pelas muitas condolências que recebeu”, disse o instituto em sua nota divulgada em seu site. Em 2004, Williamson afirmou ter deixado de fora da lista políticas que ele acreditava que também poderiam promover o desenvolvimento, mas que não tinham o mesmo consenso. Também disse lamentar que muitas pessoas avaliam se tratar de uma lista de políticas que os EUA estavam tentando impor ao resto do mundo. Entre os pontos estavam a defesa de déficits orçamentários pequenos o suficiente para serem financiados sem recorrer à inflação, direcionamento de gastos públicos para áreas com retorno econômico ou que poderiam ampliar a distribuição de renda (saúde, educação e infraestrutura), liberalização financeira (taxas de juros determinadas pelo mercado), taxa de câmbio competitiva, fim de restrições ao comércio exterior, investimentos estrangeiros e privatização de estatais. O texto de 2004 foi destacado pelo economista Paul Krugman em suas redes sociais, ao comentar a morte de Williamson. Vencedor do Prêmio Nobel e colunista de opinião do jornal The New York Times, Krugman afirmou que Williamson era uma pessoa adorável e um grande contribuidor para a economia internacional. “Com Robert Mundell [economista morto no dia 4 de abril] —um tipo de pessoa totalmente diferente, mas ambos no mesmo firmamento— morrendo alguns dias atrás, parece que estamos fechando a cortina de uma era”. Stanley Fischer, ex-vice-presidente do Conselho do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) e membro do conselho do PIIE, afirmou que todos que tiveram que pensar o desenvolvimento econômico ou economias e taxas de câmbio livres estão em dívida com Williamson. A economista Monica de Bolle, do Peterson Institute, diz que conheceu Williamson no Brasil e destacou o quanto ele gostava e conhecia o país. “John foi um intelectual de enorme peso, um grande economista e cientista social —um humanista. E uma pessoa adorável.”