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Moro nega conluio com Lava-Jato e diz que hacker quis favorecer corruptos

Murillo Camarotto, Fabio Murakawa e Isadora Peron

Ministro disse ter a "consciência tranquila" sobre sua atuação como magistrado e que aceitou ser ministro para "combater a corrupção" O ex-juiz federal e ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, voltou a negar nesta quarta-feira que tenha havido qualquer conluio entre ele e os procuradores da Lava-Jato, como sugerem as trocas de mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

Moro afirmou que não tinha motivações políticas no julgamento de casos envolvendo a operação e que seria "impossível" ter atuado para eleger o presidente Jair Bolsonaro e, em seguida, participar de seu governo.

"Aceitei [o ministério] para combatermos a corrupção e evitarmos retrocesso", disse durante o evento "E agora, Brasil?", promovido pelo Valor e pelo jornal "O Globo" em Brasília. Ele ainda disse ter a "consciência absolutamente tranquila" em relação a sua atuação como magistrado.

Valor

Além disso, o ministro criticou a divulgação das mensagens pelo site. "Não vejo nada de interesse público na divulgação das mensagens", afirmou.

Ele disse que não sabe se os hackers que teriam invadido os celulares dele e dos procuradores foram contratados por alguém para cometer o crime: "Não sei se foram contratados, se houve alguma coordenação desses trabalhos, aí eu já não sei".

Desde que a operação Spoofing foi deflagrada, em julho, a Polícia Federal investiga se as ações foram pagas por algum mandante.

O ex-juiz das ações da Lava-Jato em Curitiba, no entanto, afirmou que "o real propósito" dessas invasões foi "anular as condenações de pessoas que se corromperam".

"Não preciso nem da delação dos hackers para saber a real motivação dessa invasão. É claro que é favorecer pessoas poderosas que se corromperam", disse em relação ao acordo de colaboração fechado com um dos suspeitos.

Ativismo do Judiciário

No evento, o ministro ainda defendeu que a "classe política" tem responsabilidade pelo que se chama de "ativismo do Judiciário". Segundo ele, os próprios partidos políticos levam questões políticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

"[Sobre] o ativismo judicial, os próprios ministros do STF dizem que decidem porque são provocados", disse Moro.

O ex-juiz, no entanto, disse que a Corte poderia adotar uma postura de maior contenção em casos considerados de competência do poder Legislativo. "Mas isso é algo que teria que ser trabalhado caso a caso", afirmou.

Prisão após 2ª instância

Sobre a tramitação de medidas visando o retorno da prisão após segunda instância, ele disse que tanto o projeto de lei (PL) em análise pelo Senado quanto a proposta de emenda à Constituição (PEC) que corre na Câmara podem ser eficazes.

"O projeto de lei é mais rápido e a PEC é mais difícil de ser derrubada, então nada impede que os dois caminhem juntos", afirmou. Segundo ele, a decisão do STF que mudou o entendimento do Judiciário sobre o tema foi um "revés".