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Moro afirma que foi plantada “testemunha fraudulenta” no caso Marielle

Murillo Camarotto, Fabio Murakawa e Isadora Peron

Ministro da Justiça voltou a defender a federalização das investigações sobre o assassinato vereadora e de seu motorista O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, voltou a defender nesta quarta-feira a federalização das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Segundo ele, comprovou-se a manipulação das investigações do caso.

A federalização, argumentou, seria importante para evitar casos como a tentativa de "plantar uma testemunha fraudulenta”.

Ele se referia ao porteiro do condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem casa, na Barra da Tijuca (RJ). Em depoimento, o porteiro declarou que o suposto assassino da vereadora disse que iria à casa de Bolsonaro quando entrou no condomínio, no mesmo dia do crime.

"O governo federal agiu e foi graças à atuação da Polícia Federal que se comprovou a fraude nas investigações", disse Moro, durante o evento "E agora, Brasil?", promovido pelo Valor e pelo jornal "O Globo."

Moro afirmou, no entanto, que quer afastar as versões de que a federalização serviria para aumentar a interferência do governo nas investigações. "Se for para alegar que nós queremos obstruir as investigações, que fique lá com a Justiça Estadual", afirmou.

Terras indígenas

Durante o evento, o ministro também negou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) tenha proibido o deslocamento de servidores para terras indígenas que não são homologadas ou regularizadas. Segundo ele, o que falta são recursos.

"Não existe política geral de vedação de viagens a locais específicos [terras não demarcadas]. Mas os recursos são limitados", afirmou. Segundo ele, "não existe nenhuma ideia de abandonar a proteção jurídica e até mesmo policial" dos povos indígenas.

Em reportagem publicada no fim de semana, o jornal O "Globo" mostra que despachos assinados pela chefe de gabinete da presidência da Funai, Glécia de Jesus Tolentino, negaram pedidos de viagens para várias coordenadorias regionais.

A decisão cita memorando enviado aos servidores pelo presidente Marcelo Augusto Xavier da Silva, no qual proíbe as viagens para as terras indígenas que estão em fase de estudo ou declaradas.