Mercado abrirá em 1 h 19 min

Moraes vê 'real possibilidade' de associação criminosa em atos antidemocráticos

Isadora Peron
·3 minutos de leitura
Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF (Rosinei Coutinho/SCO/STF)
Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF (Rosinei Coutinho/SCO/STF)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo da decisão que autorizou, na semana passada, uma operação da Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

Segundo o ministro, “diante de inúmeras publicações jornalísticas de trechos incompletos do inquérito, inclusive da manifestação da PGR e da decisão judicial proferidas nos autos do Inquérito 4828, que tramita nesta Corte, torno pública a decisão proferida em 27 de maio de 2020".

Leia também:

Na decisão, Moraes afirma que os “indícios apresentados na manifestação apresentada pela Procuradoria-Geral da República confirmam a real possibilidade de existência de uma associação criminosa” por trás da realização de manifestações que pedem o fechamento de Congresso, do STF e a volta do regime militar.

Para a PGR, “pode haver abusos e crimes que precisam ser apurados a partir do esclarecimento do modo de funcionamento estruturado economicamente rentável de uma escala de organização e agrupamento com pretensões aparentes de execução de ações contra a ordem constitucional e o Estado Democrático e provocação das Forças Armadas ao descumprimento de sua missão constitucional”.

Segundo Moraes, o Ministério Público Federal aponta, “detalhadamente”, a existência de vários núcleos dessa suposta associação criminosa, intitulados “organizadores e movimentos”, “influenciadores digitais e hashtags”, “monetização” e “conexão com parlamentares”.

Para a PGR, “há participação de parlamentares tanto na expressão e formulação de mensagens [nas redes sociais], quanto na sua propagação e visibilidade, quanto no convício e financiamento de profissionais da área”.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Na sua decisão, o ministro do STF afirma ainda que “toda essa estrutura, aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, conforme os indícios apresentados, atuariam de maneira velada fornecendo recursos – das mais variadas formas –, para os integrantes dessa organização”.

A decisão do ministro é do dia 27 de maio. As diligências, no entanto, foram colocadas em prática somente no dia 17 de junho, com a deflagração, pela Polícia Federal, da Operação Lume.

A delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro chegou a pedir para que Moraes adiasse ou “recolhesse” os mandados de buscas e as quebras de sigilos que atingiram parlamentares da base aliada do presidente Jair Bolsonaro, empresários e blogueiros bolsonaristas.

Com divergências em relação às medidas adotadas pela PGR, a Polícia Federal decidiu instaurar um inquérito paralelo para investigar a realização de atos antidemocráticos.

Siga o Yahoo Notícias no Instagram, Facebook, Twitter e YouTube e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.