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Moradores de favelas do Rio de Janeiro relatam falta d'água há pelo menos 4 dias

João de Mari
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In this Jan.10, 2020 photo, Luis Cassiano shows his green roof at his home in Arara Park favela, Rio de Janeiro, Brazil. "I think people will, one day, really wind up joining. We'll need it. Just look at the heat of all those roofs together!" (AP Photo/Renato Spyrro)
Moradores relatam estarem sem água há pelo menos quatro dias (Foto: AP Photo/Renato Spyrro)

Uma das principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde para combater a pandemia do coronavírus é a higienização das mãos com água e sabão diversas vezes ao dia. No entanto, para parte dos moradores de favelas do Rio de Janeiro essa realidade está muito distante do ideal.

Moradores do complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, alegam estarem sem água em casa há pelo menos quatro dias. Há ainda relatos de falta d’água nas favelas do Acari e do Quitungo, na Zona Norte da cidade.

“Quarto dia sem água na parte que eu moro, na Maré. Mais um dia... “, escreveu, no Twitter, a jornalista Gizele Martins. “Olhem quem acabou de ficar sem água também: isso mesmo euzinha”, relatou a patologista e socióloga Buba Aguiar, moradora de Acari.

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“Não chega a ser um problema tão recorrente assim, mas sempre que ocorre a gente fica a mercê da boa vontade dos responsáveis pelos abastecimento de quererem resolver o problema”, diz Buba, referindo-se a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), que presta serviços de saneamento no estado do Rio de Janeiro.

Em nota, a Cedae informou que o abastecimento de água está reduzido nos municípios do Rio de Janeiro e Nilópolis devido a um “reparo emergencial em um dos motores da Elevatória do Lameirão, que bombeia água para as cidades, e, por esse motivo, está operando com uma redução de 25% da sua capacidade”.

Segundo a companhia, o Plano Emergencial de Operação para “minimizar os impactos no abastecimento durante o período que durar o serviço” está sendo implantado. No entanto, não explicou como está sendo feito e ainda afirmou que não tem prazo de conclusão.

“O serviço, inicialmente previsto para ser concluído nesta terça-feira (17), está em andamento e um novo prazo de conclusão será informado assim que houver previsão de normalização do sistema”.

Não é a primeira vez

No entanto, não é a primeira vez que favelas da cidade ficam sem água neste ano. Em janeiro e fevereiro, antes mesmo da pandemia estourar no Brasil, diversos moradores relataram estarem sem água. À época, a gestão municipal informou que o desabastecimento se deu por conta de uma contaminação.

Por semanas, residências de 80 bairros do Rio de Janeiro e seis cidades da Baixada Fluminense lidaram com uma água barrenta e fétida saindo pelas torneiras, abastecidas pela Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos).

Com 100% das urnas apuradas neste domingo (15) de votação, o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM) somava 37,01% dos votos válidos, contra 21,90% de Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta a reeleição e recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Nos objetivos principais do plano de governo de Paes não há uma menção sequer da palavra “saneamento básico”. Já Crivella menciona em seu plano que pretende “intensificar o uso de novas tecnologias para aproveitamento de reuso de água e dessalinização como alternativas de abastecimento de água para a cidade do Rio de Janeiro e para a redução das perdas de água no percurso das Estações de Tratamento de Água - ETAs até as torneiras dos usuários”.

A Cedae ainda disse que orienta “clientes que possuam sistema de reserva interna (cisterna e/ou caixa d’água) utilizem a água armazenada somente para tarefas essenciais e pede que todos economizem água”.