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Moody's reduz projeção de crescimento do G-20 para 2,1% em 2020

Roberta Costa

Previsão de expansão da China caiu de 5,2% para 4,8%; no caso do Brasil, passou de 2,0% para 1,8% O Moody's Investors Service revisou hoje suas previsões de crescimento para todas as economias do G-20. Para a agência, o novo coronavírus, que se espalhou rapidamente fora da China para várias economias importantes, deve afetar a atividade econômica global até o segundo trimestre deste ano.

A agência prevê um avanço de 2,1% para os países do G-20, número 0,3 ponto percentual menor que a estimativa anterior. A previsão de crescimento da China para 2020 foi reduzida para 4,8%, em relação à estimativa anterior de 5,2%. Para os EUA, agora é esperado um crescimento de 1,5%, abaixo da estimativa anterior de 1,7%.

Já para o Brasil, a agência rebaixou a estimativa para o PIB este ano de 2,0% para 1,8%.

Além do cenário-base, que considera uma disrupção global significativa, a Moody's também tem um cenário pessimista, que prevê uma desaceleração global ampla e prolongada. Neste caso, o crescimento do PIB do G-20 diminuiria para 1,4%. Dentro desse cenário, o crescimento da China seria de 3,7%, a expansão dos EUA de 0,9% e, no caso do Brasil, de 1,5%.

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AP Photo/Ebrahim Norooz

Segundo a Moody's, a demanda fraca se traduzirá em preços de commodities em geral moderados e os preços do petróleo permanecerão voláteis.

“Vários desenvolvimentos plausíveis podem levar a um cenário muito mais negativo do que a nossa previsão inicial”, diz Madhavi Bokil, vice-presidente da Moody''s.

"Uma retração sustentada no consumo, juntamente com o fechamento prolongado de negócios, prejudicaria os lucros, levaria a demissões e pesaria no sentimento. Tais condições poderiam, no final das contas, alimentar uma dinâmica recessiva autossustentável”.

Além disso, diz a Moody´s, “resultaria em maior volatilidade dos preços dos ativos, servindo para ampliar e transmitir o choque através das fronteiras, inclusive para os países emergentes. Atualmente, a incerteza permanece incomumente alta.

Para a empresa de rating, “os anúncios de políticas das autoridades fiscais, bancos centrais e instituições internacionais até o momento sugerem que a resposta [dessas ações] provavelmente será forte e direcionada nos países afetados”.

Na área fiscal, as medidas provavelmente ajudarão a limitar os danos nas economias individualmente. Do lado dos BCs, a Moody''s também espera uma postura mais acomodatícia, o que reforçaria as medidas fiscais.

A decisão do Federal Reserve (Fed) de cortar a taxa de juros em 50 pontos-base e os anúncios do Banco Central Europeu e do Banco do Japão assegurando apoio limitarão parcialmente a volatilidade dos mercados financeiros globais e compensarão em parte o aperto das condições financeiras, conclui a agência.