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Montezano quer BNDES atuando como garantidor no mercado de capitais

Rodrigo Carro e Gabriel Vasconcelos

“Espero, ainda neste ano, começar a atuar como garantidor”, disse o presidente da instituição O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou nesta segunda-feira que a instituição pretende iniciar neste ano sua atuação como garantidora de operações no mercado de capitais.

“Espero, ainda neste ano, se tudo der certo, começar a atuar em operações como fiador, como garantidor”, disse Montezano em seminário transmitido pela internet para tratar da retomada do crescimento por meio de investimentos em infraestrutura.

Gustavo Montezano, presidente do BNDES.

Ana Paula Paiva/Valor

“É justamente o inverso [da forma com] que o BNDES sempre operou”, completou. “Ele era um funding provider [provedor de recursos financeiros] e dividia o risco com terceiros através do funding [recurso] passando para esses terceiros”.

“Queremos ter a capacidade de atuar como garantidor, seja em operações de mercado de capitais, seja em operações dollar-denominated [denominadas em dólar], onde não necessariamente vamos ter o funding mais competitivo”, disse Montezano.

Essa atuação, segundo o presidente do BNDES, dará ao banco “mais ferramenta para atuarmos em sindicalização [empréstimos sindicalizados] com essas outras entidades [bancos de desenvolvimento estrangeiros]”.

Organizado pelo BNDES, o seminário on-line reuniu representantes de bancos de fomento e organismos multilaterais como BID, CAF e Banco Mundial.

Infraestrutura

Durante a transmissão, o diretor de Infraestrutura, Concessões e Parcerias Público-Privadas do BNDES, Fábio Abrahão, afirmou que o Brasil enfrenta uma carência de investidores estratégicos dispostos a aportar recursos em projetos de infraestrutura.

Na visão dele, o país tem expulsado o investidor qualificado em infraestrutura. “Se olharmos o passado recente, os últimos 15 anos, em vários setores da economia, a gente fez, na verdade, uma expulsão do investidor internacional qualificado”, disse o diretor.

“Alguns setores são a exceção, como o de energia elétrica, mas nos últimos 15 anos a gente teve muito pouca atração de investidores em infraestrutura qualificado”, acrescentou.

Abrahão frisou que, com a expansão no escopo de atuação do BNDES para serviços de estruturação de privatizações, a carteira do banco soma atualmente 73 projetos desse tipo e o montante de investimentos a serem gerados por ela é de R$ 188 bilhões.

O diretor do BNDES disse ainda que espera um incremento no número de projetos de privatização de rodovias nos próximos dois anos e meio.

Segundo ele, o banco tem hoje em sua carteira cerca de 7.200 quilômetros de rodovias federais em modelagem e “mais ou menos o equivalente a isto em rodovias estaduais no Brasil inteiro.”

“É claro que nem tudo vai a mercado. Por outro lado, essa carteira vai aumentar um pouco. Eu não me surpreenderia se, nos próximos dois anos e meio, estivermos modelando algo em torno de 20 mil quilômetros”, projetou Abrahão.

Seguros e fianças

Montezano esclareceu que a instituição pretende operar com seguros e fianças não só para projetos de infraestrutura, mas também para etapas específicas desses empreendimentos.

“É quando o banco toma risco, direto ou indireto de um projeto, mas apenas com garantias, sem botar seu caixa proprietário”, explicou.

“Um marco importante disso é o lançamento do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito, no mês que vem, onde vamos operar numa escala talvez nunca antes vista no Brasil um seguro de crédito”, disse.

“Uma próxima etapa disso é o banco, no seu negócio de infraestrutura, operar com seguros e fianças para projetos”, acrescentou.

Montezano argumentou que, dessa forma, o BNDES irá “quebrar sua matriz de risco em vários itens de risco”.

“O banco, em vez de atuar como um financiador principal do projeto, pode pegar alguma matriz de risco, de construção, de contribuição de PPP, de uma parte temporal do projeto, de uma reserva de liquidez e prover uma fiança para aquela parte do projeto”, disse.

Segundo o executivo, há uma tentativa “mas não um compromisso” de iniciar este ano essa nova vertente de atuação.