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Montezano minimiza foco financeiro no BNDES

Gabriel Vasconcelos

"Não nos vejam só como um cofre de dinheiro", disse o presidente do banco O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse que o plano trienal da instituição não tem meta financeira porque o foco de sua gestão é prestar serviços e aprimorar o banco tendo em vista, também, o lucro social e ambiental. Ele discursou nesta quinta-feira no lançamento do livro “Fundos Patrimoniais Filantrópicos – Sustentabilidade para Causas e Organizações”, na sede do banco, no Rio.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Nós publicamos um plano trienal sem meta financeira em seu primeiro plano. Esse é o prazer de ser um banco de desenvolvimento”, disse. Na nossa primeira camada de metas está levar saneamento, água e esgoto, para 20 milhões de pessoas, iluminação pública para 14 milhões de pessoas, levar banda larga”, completou.

Montezano afirmou que não se trata de reorientar o BNDES, mas de aprimorá-lo. A minimização dos rendimentos da carteira do banco tem marcado as falas do executivo. “A parte de serviços, articulação política e empresarial, é tão ou mais importante que a parte financeira”, disse.

Segundo o presidente do banco, o setor financeiro mais moderno já compreendeu os benefícios de olhar para outras formas de resultado, e o BNDES vai perseguir esse modelo, aprendendo a mensurar ganhos não financeiros e funcionando como ponta da demanda para o setor privado no Brasil.

“Por isso, é importante falar de endowments, os recursos não reembolsáveis. A divisão entre o financeiro e os fundos de impacto ou a filantropia não existe mais, tudo está se embaralhando. Porque, no final, é a mesma tecnologia: montar um projeto, encontrar um veículo financeiro adequado e começar a operar. É a mesma lógica. E é fundamental que o BNDES atue como peça-chave disso”, defendeu.

Para tanto, disse , é importante que o banco permaneça aberto, se colocando à disposição para estruturar projetos para o setor público e privado, inclusive o terceiro setor.

“Tem dinheiro sobrando no mundo. O gargalo não é dinheiro e temos uma geração cada vez mais consciente [dos ganhos não financeiros]. Mas falta canal, veículo. Então, usem o BNDES como um hub facilitador de ideias. Nos usem, não nos vejam só como um cofre de dinheiro”, disse a uma plateia formada por organizações sociais, universidades e técnicos do próprio banco.