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Monarquia britânica realmente 'se paga' com o dinheiro do Turismo?

Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II. Ocasião não traria receita ao país se não fosse a existência da monarquia
Jubileu de Platina da rainha Elizabeth II. Ocasião não traria receita ao país se não fosse a existência da monarquia
  • França recebe mais que o dobro de turistas do que o Reino Unido;

  • Fama do palácio do Louvre independe da existência da uma monarquia;

  • Reino Unido é apenas o 10º país mais visitado do mundo.

O Reino Unido tem um forte movimento republicano que, com a morte da Rainha Elizabeth II, tende a crescer, uma vez que os britânicos não simpatizam tanto com o príncipe herdeiro Charles.

Dentre os principais argumentos dos críticos à monarquia estão os custos que a família real causam no governo, que variam conforme o cálculo entre £ 45 milhões e £ 350 milhões por ano, ou de R$ 269 milhões a R$ 2 bilhões na conversão atual.

Os defensores, no entanto, apontam que a maior parte desses custos é paga a partir da renda gerada de um fundo, chamado de Fundo Soberano, composto do rendimento de propriedades, investimentos e tributos pagos diretamente à família real.

Outro forte argumento é de que o setor de turismo é fortemente impulsionado pelas tradições da família real, como visitas às joias da Coroa, ao Castelo de Windsor, ao palácio de Buckingham e sua troca de guarda, etc. Só que este argumento realmente se sustenta?

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Monarquia britânica e turismo

O quanto a monarquia verdadeiramente influencia no turismo britânico é um mistério. No entanto, é possível especular a partir dos fatos gerais.

A partir dos números oficiais de 2019, que representam um setor de turismo normal, sem pandemia, o Reino Unido é o décimo país mais visitado para turismo do mundo, ficando atrás de outros países europeus, como Espanha, Itália e Alemanha. Destes, apenas a Espanha possui uma monarquia.

O mais visitado do mundo, por outro lado, é a vizinha França, que se tornou uma República pela primeira vez em 1792, após a Revolução Francesa. Ainda assim, quando se fala de turismo na França, não se fala necessariamente só de ícones republicanos, mas também de construções da época monárquica, como o Palácio do Louvre.

Na verdade, quando se pensa bem sobre o assunto, nenhum dos ícones da monarquia deixariam de existir pela inexistência de uma família real, uma vez que todos estão calcados na história britânica. As joias da Coroa e o Castelo de Windsor ainda poderiam ser visitados, a troca de guarda em Buckingham tampouco precisa parar de acontecer.

Pelo contrário, os críticos da monarquia argumentam que outros locais, que hoje são exclusivos da monarquia, podem ser abertos a visitantes. Hoje o palácio de Buckingham só está aberto para visitas durante o verão, que ainda são limitadas a apenas 19 salas.

Contudo, se por um lado há ganhos a serem feitos no turismo com a abertura de mais locais de visitação, além da transferência desses recursos para o governo, ao invés da família real, há também algo que se perde: os eventos da Coroa.

Casamentos, jubileus e até mesmo funerais são transmitidos ao redor do mundo, gerando uma fonte receita que não existiria caso não houvesse uma monarquia. Da mesma forma, há turistas que visitam o país somente para presenciar essas ocasiões.