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Moderna: o que sabemos até agora sobre a vacina contra COVID-19

Fidel Forato
·4 minuto de leitura

No mundo, mais de 55 milhões de pessoas que se contaminaram pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), sendo que 1,3 milhão morreram em decorrência da infecção, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. Nesse cenário, há uma verdadeira corrida por uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19 e cada vez mais imunizantes se aproximam da linha de chegada, como o imunizante da farmacêutica norte-americana Moderna.

Nesta semana, a Moderna chegou a anunciar que sua potencial vacina, a mRNA-1273, obteve uma taxa de 94,5% de eficácia na prevenção da COVID-19, durante os estudos clínicos de fase 3. No entanto, esses ainda são dados preliminares e o resultado pode variar.

Aposta contra a COVID-19, vacina da Moderna pode ter uso autorizado ainda em 2020 (Imagem: Reprodução/ McKinsey/ Rawpixel)
Aposta contra a COVID-19, vacina da Moderna pode ter uso autorizado ainda em 2020 (Imagem: Reprodução/ McKinsey/ Rawpixel)

A seguir, confira tudo o que já sabemos sobre a vacina da Moderna, desenvolvida em parceria com os National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, contra a COVID-19:

A vacina contra a COVID-19 é segura?

Talvez, uma das maiores dúvidas sobre as vacinas contra a COVID-19 seja sua segurança. Pensando no imunizante da Moderna, até agora, os estudos clínicos demonstraram a segurança de sua fórmula. Isso porque voluntários da pesquisa relataram apenas efeitos colaterais leves ou moderados, como fadiga e vermelhidão no local da injeção.

No entanto, antes de uma avaliação final da vacina, reguladores devem aguardar dois meses, após a aplicação da segunda dose do imunizante, para verificar possíveis efeitos adversos nos voluntários. Vale lembrar que o estudo de fase 3 envolve cerca de 30 mil pessoas. Depois da conclusão da pesquisa, os cientistas ainda acompanharão por meses (e anos) os grupos que receberam o imunizante.

Como funciona a vacina da Moderna?

Com uma tecnologia promissora entre os imunizantes, a vacina da Moderna — assim como a candidata da farmacêutica Pfizer — adota técnicas atuais da biotecnologia para promover a imunização contra a COVID-19 e desenvolve uma vacina de RNA mensageiro. Dessa forma, o corpo começa a produzir proteínas virais, mas não o vírus inteiro, o que é suficiente para treinar o sistema imunológico para atacar o vírus da COVID-19. A ideia é que essas partículas treinem e preparem o corpo para uma eventual invasão do agente infeccioso, já que foi responsável por desenvolver uma resposta imune, a partir das células T.

Quando a vacina contra a COVID-19 deve chegar? 

A farmacêutica tem altas expectativas em relação ao seu imunizante e espera que no próximo mês doses já cheguem ao mercado, principalmente nos Estados Unidos. No entanto, esse cronograma depende de uma variável fundamental que é a conclusão dos testes de fase 3. Para isso, mais 56 voluntários do estudo precisam contrair a COVID-19. Atualmente, 95 pessoas adoeceram, sendo que apenas cinco tinham recebido a vacina.

Vacinas contra a COVID-19 devem auxiliar o controle da pandemia (Imagem: Reprodução/ Karolina Kaboompics/ Rawpixel)
Vacinas contra a COVID-19 devem auxiliar o controle da pandemia (Imagem: Reprodução/ Karolina Kaboompics/ Rawpixel)

Quando obtiver dados estatísticos suficientes sobre a capacidade de eficácia do imunizante, a Moderna deve solicitar uma autorização de uso emergencial da fórmula para a Food and Drug Administration (FDA). Também não se sabe quanto tempo a agência federal levará para autorizar o uso desta vacina e o estimado é algo em torno de um mês.

Quanto ao Brasil, não há uma estimativa para a chegada da vacina, mas isso pode acontecer através do programa COVAX Facility, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Vale lembrar que essa iniciativa busca distribuir de forma global as eventuais vacinas contra a COVID-19 tanto entre os países ricos quanto entre os pobres.

Quem deve tomar as primeiras doses da vacina?

A Moderna espera ter 20 milhões de doses prontas para embarque até o final do ano, suprimento suficiente da dose de duas doses para 10 milhões de pessoas. Assim que a vacina for aprovada e começar a ser distribuída, surgirá outra questão: quem deverá receber as primeiras doses do imunizante contra a COVID-19?

Provavelmente, os primeiros beneficiados serão as pessoas com maior pisco de contrair a COVID-19, como médicos e enfermeiros na linha de frente tratando de pacientes com coronavírus. Em seguida, devem ser atendidos os grupos de risco para a infecção, como idosos e doentes com comorbidades, além de professores. Só que os EUA ainda não concluíram as recomendações oficiais sobre o tema.

O que ainda não sabemos sobre a vacina da Moderna?

Até agora, todos os resultados são preliminares. A farmacêutica ainda deve liberar resultados adicionais posteriormente, como a eficácia em grupos específicos. Isso porque os resultados em idosos podem ser diferentes e a vacinação ainda pode reduzir a gravidade da infecção. Nestes casos, o paciente que receber a vacina, caso adoeça, pode desenvolver apenas quadros leves ou moderados da COVID-19. Também não está claro quanto tempo dura a proteção da vacina da Moderna contra infecções do coronavírus.

Quando a vida poderá voltar ao "normal"?

Mesmo que uma vacina seja aprovada e comece a ser distribuída, o retorno a um tipo de uma "vida normal", provavelmente, levará meses ou até mesmo anos. Isso porque as vacinas não estarão amplamente disponíveis para a população e faltarão doses para atender a todos. Dessa forma, precauções como o uso de máscaras e o distanciamento social continuarão a ser a chave para impedir a propagação do coronavírus até que a pandemia da COVID-19 seja, de fato, controlada.

Fonte: Canaltech

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