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A mobilização financeira dos Estados e bancos centrais frente ao novo coronavírus

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Cotações da Bolsa de Tóquio, em 19 de março de 2020
Cotações da Bolsa de Tóquio, em 19 de março de 2020

Desde auxílio fiscal e outras medidas específicas, até a redução dos juros, os governos e os bancos centrais de todo o mundo destinam bilhões de dólares em uma economia global paralisada por causa da pandemia.

- BCE

Diferentemente do seu homólogo americano, o Fed, o Banco Central Europeu (BCE) mantém até o momento seus juros sem alterações, optando por outras medidas.

Na última terça-feira, o BCE destinou mais de € 100 bilhões em liquidez aos bancos, na primeira das 13 operações previstas até meados de julho.

Um dia depois, divulgou a medida extraordinária pela qual mercados e governos europeus solicitavam: o BCE anunciou um plano de urgência de € 750 bilhões para a compra de títulos de dívida pública e privada, que ocorrerá ao longo do ano, até o final de 2020. Trata-se de uma iniciativa que busca aliviar os bancos e incentivá-los a manter os empréstimos.

- Estados Unidos

O Fed (Federal Reserve), banco central americano, propõe uma série de facilidades de crédito para apoiar empresas e famílias. Disponibilizou um sistema de financiamento de crédito a curto prazo, que usou durante a crise de 2008.

No último domingo, a instituição cortou brutalmente os juros a zero, algo que não fazia desde a última crise.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, está negociando um grande plano de estímulo à economia que poderia chegar aos US$ 1,3 trilhão.

Esse plano inclui medidas chave como o envio de dois cheques de US$ 1.000 para inúmeros cidadãos e a concessão de US$ 300 bilhões às pequenas empresas.

Na última quarta, os EUA aprovaram um plano de ajuda social estimado em US$ 100 bilhões destinado aos trabalhadores diretamente afetados pelas consequências do coronavírus.

- China

O Banco Central chinês, que no final de fevereiro desbloqueou a extensão ou renovação dos empréstimos às empresas, anunciou no último 13 de março uma redução da reserva obrigatória dos bancos, liberando 550 bilhões de ienes (cerca de US$ 78,2 bilhões) para apoiar a economia.

Esse índice, que obriga aos bancos manter a liquidez no banco central, foi reduzida em uma proporção de meio ponto a um ponto percentual.

A última redução ocorreu no dia 6 de janeiro. Na época, Pequim reduziu a taxa de reserva obrigatória em meio ponto, injetando cerca de € 100 bilhões na economia.

- Itália -

A Itália, o país mais afetado da Europa, anunciou € 25 bilhões para lutar contra a epidemia. O governo espera que essas medidas permitam gerar € 340 bilhões em liquidez.

Entre as medidas aplicadas, há a suspensão temporária do pagamento de alguns empréstimos imobiliários e bancários.

- França

Na França, como forma de evitar que as empresas quebrem, o governo anunciou que injetará de imediato € 45 bilhões a economia. A maior parte desse valor - € 32 bilhões - será utilizado para ajudar ou cancelar a necessidade de contribuições à seguridade social e impostos.

Também informou que ampliou o dispositivo do desemprego parcial, e instalado um fundo de solidariedade estimado em € 2 bilhões.

- Alemanha

A Alemanha anunciou o maior plano de ajuda às empresas da história, com empréstimos "ilimitados", com valor de ao menos € 550 bilhões.

Desde o último 9 de março, as autoridades já tinham divulgado um pacote de medidas de apoio à economia, entre elas o recurso do desemprego parcial para as empresas com problemas e a concessão de empréstimos no caso de dificuldades financeiras.

- Espanha

O Estado espanhol disponibilizará até € 100 bilhões em empréstimos para as empresas, anunciou na última terça o presidente, Pedro Sánchez.

Entre outras medidas, o Estado facilitará recursos para as "demissões temporárias de redução de emprego" (forma de desemprego parcial que permite ao empregado voltar à empresa depois).

Os trabalhadores autônomos terão mais facilidade de cobrar essa medida.

Aos mais vulneráveis, serão destinados € 600 milhões.

- Reino Unido

O Reino Unido anunciou na terça um pacote de medidas apoiadas pelo governo, estimado em £ 330 bilhões para as empresas afetadas pelo coronavírus.

Antes, as autoridades britânicas comemoravam um apoio orçamentário de £ 30 bilhões, e o Banco da Inglaterra anunciou um inesperado corte nos juros, que passaram de 0,75% a 0,25%.

- Japão

O Banco do Japão reforçou significativamente sua política de compra de ativos. A instituição não mudou suas taxas de depósitos bancários, mas aumentou as metas anuais para algumas de suas compras de ativos, destinadas a estabilizar os mercados financeiros.

- Chile, Austrália, FMI...

O Banco Central do Chile anunciou na última segunda uma redução da sua taxa de juros de referência, chegando a 1%. Trata-se da redução mais agressiva nos juros em 11 anos desde a crise financeira global.

O Banco Central da Austrália reduziu nesta quinta-feira os juros a 0,25%, atingindo o mínimo histórico.

O Fundo Monetário Internacional destinou por sua vez € 50 milhões para ajudar aos países mais vulneráveis.

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