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Mistério ronda garimpo em mina de pregos na Tijuca

·4 minuto de leitura

Cercado de mistério, um garimpo ilegal tem atraído centenas de pessoas — a maioria moradores das comunidades do Borel, Formiga e Indiana — para um terreno localizado numa mata na Tijuca, Zona Norte, não muito longe de uma das principais vias da região. Milhares de pregos encontrados no solo vêm sendo recolhidos diariamente para serem vendidos em ferros-velhos. O grande ponto de interrogação é a origem das peças encontradas no local, onde já funcionou fábricas da Brahma e da Souza Cruz. Mais recentemente, na parte da frente do terreno, havia um supermercado, que ficava voltado para a Rua Conde de Bonfim. O local está abandonado há cerca de 16 anos.

— É realmente um mistério, porque são muitos pregos e bastante antigos. O que nos parece é que ali pode ter funcionado algo ainda na época do Império, talvez um local para pregar ferraduras de cavalo, por exemplo. A gente fica imaginando... Mas as construções que foram encontradas ali indicam que é algo bastante antigo — declarou o subprefeito da Grande Tijuca, Wagner Coe.

Desde a última sexta-feira, agentes da subprefeitura, da Defesa Civil municipal e das polícias Militar e Civil têm feito ações no terreno, dentro da Floresta da Tijuca. Quatro pessoas foram presas em flagrante pela extração ilegal dos pregos, atividade que vem causando prejuízo à natureza no entorno. Investigação da 19ª DP (Tijuca) apura se os garimpeiros agem de forma independente ou se há uma organização por trás da atividade. As informações preliminares, de acordo com o delegado Gabriel Ferrando, são de que não há uma coordenação do grupo:

— As pessoas, muitas miseráveis, estão ali buscando material para revenda. Até o momento não foi identificada uma coordenação, mas estamos prosseguindo com as investigações.

No Morro do Borel, a informação que circula, quase como uma lenda urbana, é que um menino foi até a mata para pegar frutas e acabou descobrindo a “mina” de pregos, espalhando a informação pela comunidade. Antigos moradores garantem que ali nunca se soube da presença dos objetos no terreno. Nas rodas de conversa na comunidade, não há outro assunto sendo falado além do garimpo encontrado.

Risco de desabamento

O subprefeito Wagner Coe, primeiro a realizar ações no local, ouviu dos garimpeiros relatos de que estavam ali há cerca de uma semana. Cada um deles chega a lucrar de R$ 300 a R$ 400 diariamente, e há famílias inteiras fazendo a extração.

— Aparentam ser pessoas realmente muito humildes, que estão tentando sobreviver, correr atrás de sustento. Mas há um risco muito grande ali com essas escavações. Pode haver um desabamento — afirmou.

A suspeita de que uma organização pode estar por trás do garimpo surgiu principalmente pela presença de um caminhão que é usado para transportar sacos de pregos retirados dali. Os garimpeiros descarregam o material na caçamba do veículo, flagrado por um perito no último sábado. Em seu laudo, o profissional frisou haver “quantidade significativa” de pessoas carregando sacos contendo uma mistura de solo com os pregos.

O laudo aponta que o local do garimpo é “trecho de encosta de borda de fragmento de floresta”. Fica na área de amortecimento do parque, sob suposta observação do Parque Nacional da Tijuca. O perito da Polícia Civil constatou que a cerca de 15 metros do local há um curso d’água proveniente das regiões mais altas da floresta. O laudo apontou ainda danos ambientais na área, considerada de preservação permanente.

Fornalha e torre serão destruídas

Os quatro detidos no sábado no local foram autuados pelo artigo 55 da Lei de crimes ambientais, que prevê como infração “executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a competente autorização, permissão, concessão ou licença, ou em desacordo com a obtida”. A pena é de seis meses a um ano de detenção.

No sábado, o local foi interditado pela Defesa Civil Municipal, assim como duas construções encontradas lá — uma fornalha e uma torre de 20 metros — e que devem ser demolidas no fim desta semana. Apesar da ação no fim de semana, ontem novos garimpeiros foram encontrados pela Subprefeitura da Grande Tijuca. A ação foi educativa, e ninguém foi levado à delegacia. O subprefeito Wagner Coe afirma que o acesso ao local pela Rua Agostinho será fechado e haverá patrulhamento:

— Percebemos que, no início da ação desta segunda-feira o número de pessoas havia reduzido, mas com o passar do tempo foram chegando mais e mais. Tentamos orientar e conscientizar sobre os riscos, mas será necessário fazer essa interdição até para preservar essas vidas.

Procurado, o Parque Nacional da Tijuca informou ontem à noite que o terreno não faz parte de sua jurisdição.

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