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Missões tripuladas a luas e asteroides podem acontecer ainda neste século

·3 minuto de leitura

Em um novo estudo, pesquisadores liderados por Jonathan H. Jiang, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA, investigaram o que os humanos podem alcançar ao longo dos próximos séculos quando o assunto é a exploração espacial. Os resultados mostraram que missões tripuladas para luas como Titã e Encélado estariam no alcance dos nossos recursos e capacidades até o fim do século XXI, e que missões rumo a outros sistemas estelares podem se tornar realidade no fim do século XXIV.

Para isso, os autores projetaram algumas das datas de lançamento mais próximas para as primeiras missões tripuladas com destino a lugares no Sistema Solar e além. Depois, eles criaram um modelo com dados empíricos da exploração espacial, somados ao poder computacional durante as primeiras décadas da era espacial, cujo início é marcado pelo lançamento do satélite soviético Sputnik 1, em 1957. Como resultado, eles conseguiram algumas estimativas interessantes.

Os autores acreditam que missões tripuladas a Marte podem acontecer até o fim da década de 2030 (Imagem: Reprodução/Unplash/Mike Kiev)
Os autores acreditam que missões tripuladas a Marte podem acontecer até o fim da década de 2030 (Imagem: Reprodução/Unplash/Mike Kiev)

Para os autores, os primeiros assentamentos poderiam ser montados em Marte até o fim da década de 2020. Missões tripuladas para lá, para alguns objetos selecionados do Cinturão de Asteroides e até mesmo rumo às luas de Júpiter e Saturno, poderiam acontecer antes do fim deste século. Já no século XXIII, poderíamos acompanhar lançamentos de missões interestelares com destino a exoplanetas a até 40 anos-luz. As missões para estrelas, que estejam à metade da distância ao centro da Via Láctea, seriam possíveis a partir do final do século XXIV.

Propulsão é desafio

Para chegarem aos seus destinos, os tripulantes dessas missões teriam que viajar em veículos com sistemas de propulsão que permitissem alcançar a velocidade da luz ou, pelo menos, se aproximar dela. “Sem invenções revolucionárias na engenharia propulsiva, as viagens humanas — e qualquer colonização seguinte — para destinos interestelares seriam altamente improváveis", ressaltam os autores. Só que, para tudo isso acontecer, a humanidade teria que evitar o que os astrônomos chamam de “grande filtro”.

Trata-se de uma teoria cunhada em 1996 pelo economista Robin Hanson, que propôs que deve haver algo inanimado que evita que a matéria se una para formar organismos vivos através da abiogênese, e de alcançar um certo nível de desenvolvimento. Assim, a vida no universo estaria condenada a ser extinta por fatores variados, como pandemias, mudanças climáticas, guerras nucleares e vários outros perigos que, talvez, expliquem o porquê de ainda não termos encontrado vida inteligente universo afora — apesar de isso ser estatisticamente provável de acontecer.

Assim, os autores sugerem que os humanos entraram em uma “janela de perigo” ao fim da Segunda Guerra Mundial em função do desenvolvimento e uso das primeiras armas nucleares. Por isso, eles acreditam que a única forma de fechar essa janela com segurança seria nos tornarmos uma espécie interplanetária para, assim, garantirmos nossa sobrevivência a longo prazo. “Um programa de exploração espacial agressivo e sustentável, incluindo colonização, é considerado crítico para a sobrevivência da raça humana a longo prazo", alertam.

O artigo com os resultados do estudo está disponível no repositório online arXiv, sem revisão de pares.

Fonte: Canaltech

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