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Missão europeia que estudará mil exoplanetas avança e deve ser lançada em 2029

·3 minuto de leitura

Nesta quinta-feira (17), o telescópio espacial ARIEL (Atmospheric Remote-Sensing Infrared Exoplanet Large-survey) foi formalmente adotado pelos membros da Agência Espacial Europeia (ESA). Isso indica que não houve problemas que causassem a interrupção do projeto, e libera o caminho para seu lançamento em 2029. Equipado também com um instrumento da NASA, o telescópio irá estudar cerca de mil exoplanetas distantes e a missão será liderada pelo University College London.

O telescópio foi selecionado em 2018 como a quarta missão de classe média da série de projetos Cosmic Vision, da ESA. Como de costume, os estados membros da agência solicitaram um período após a seleção para garantir que o financiamento e tecnologia necessários seriam fornecidos para a realização e finalização do projeto. Agora, o consórcio do ARIEL irá avançar para a etapa de construção; o sistema de espelhos e instrumentação do observatório serão produzidos e testados no Harwell Campus, em Oxfordshire.

Na fase inicial, a proposta é que o telescópio estude os gases que envolvem exoplanetas para tentar entender como esses objetos se formaram e como eles evoluíram ao longo do tempo, por meio de análises de amostras de cerca de mil atmosferas planetárias na luz visível e infravermelha. As informações obtidas pela missão irão responder perguntas de um dos principais temas da Cosmic Vision, como as condições que ditam a formação dos planetas e a emergência da vida. Para isso, os espectrômetros do telescópio vão medir as assinaturas químicas do planeta em questão durante o trânsito, ou seja, quando passa à frente da estrela, ou em ocultações, quando passa por trás dela. Com essas medidas, os astrônomos vão poder observar o escurecimento da estrela causado pelo planeta com precisão de 10 a 100 partes por milhão em relação à estrela.

Confira a animação abaixo que demonstra como ocorre a detecção de exoplanetas com este método:

Um dos aspectos mais desafiadores do projeto está no sistema do telescópio, que será feito de alumínio e terá um espelho primário nas dimensões de 1,1 m por 0,7m, construído em prata — e tudo isso terá que funcionar a temperaturas abaixo de -230 °C. A Dra. Rachel Drummond, gerente nacional de projetos no RAL Space, diz que essa é a primeira vez que constroem um telescópio tão grande com alumínio: “o motivo pelo qual você escolhe principalmente um metal é porque tudo encolhe junto conforme esfria, então o sistema todo continua focado mesmo que diminua”, explica ela.

Essa é a primeira missão que a agência dedica a análises da composição química e estruturas térmicas dos exoplanetas, informações que serão relacionadas ao ambiente da estrela anfitriã. Com isso, é esperada a possibilidade de preencher algumas lacunas no conhecimento de como a química planetária se relaciona ao ambiente onde se formou, ou como o tipo de estrela influencia a física e química da evolução do planeta — além de demonstrar onde o Sistema Solar se encaixa dentro do cosmos em um sentido geral.

O ARIEL será a terceira missão da ESA dedicada a exoplanetas a ser lançada em um período de dez anos, e tem lançamento previsto para 2029 com o foguete Ariane 6; a missão CHEOPS (CHaracterising ExOPlanet Satellite) foi lançada em dezembro do ano passado, e já está produzindo resultados científicos para todo o mundo. Já a missão Plato — PLAnetary Transits and Oscillations of stars — será lançada na janela de 2026 para encontrar e estudar sistemas planetários extrasolares com uma ênfase especial nos planetas rochosos dentro das zonas habitáveis de estrelas semelhantes ao Sol.

Fonte: Canaltech

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