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Missão europeia que analisará exoplanetas contará com instrumento da NASA

Felipe Junqueira

A NASA anunciou que vai contribuir com a missão ARIEL, programada pela Agência Espacial Europeia (ESA) para 2028. A pretensão é que a sonda observe, em sua fase inicial, nada menos que 1.000 exoplanetas em quatro anos, e a parceria com a agência norte-americana vai garantir um instrumento de análise atmosférica.

Chamado de CASE, o instrumento vai permitir aos astrônomos detectar se o céu de cada exoplaneta analisado é nublado, fechado ou limpo. Os resultados permitirão um entendimento maior sobre como se forma a atmosfera dos planetas além do Sistema Solar e como ela muda com o tempo.

O telescópio espacial James Webb, que deve ser lançado em 2021, também vai fazer algumas análises da atmosfera de exoplanetas. Mas, como há outras missões separadas para o instrumento, ele só poderá observar alguns desses corpos celestes. Por isso a NASA optou por participar da missão ARIEL, que tem objetivo mais focado.

Análise da luz para saber se atmosfera possui nuvens

Instrumentos vão analisar reação da luz ao passar pela atmosfera dos exoplanetas (Imagem: IAU)

Não é necessário viajar até o exoplaneta para obter as informações que a ARIEL vai buscar. Os instrumentos captam dados a partir da luz emitida pela estrela em torno da qual o planeta orbita, uma vez que, de nosso ponto de vista, eles passam na frente dela ocasionalmente. A partir daí, é possível obter informações sobre composição e temperatura, bem como reações químicas que ocorrem na atmosfera.

O CASE, cujo nome vem das iniciais de Contribution to ARIEL Survey of Exoplanets (“contribuição à pesquisa ARIEL de exoplanetas”, em tradução livre), vai captar ondas de luz visíveis e infravermelhas que passaram pela atmosfera dos exoplanetas. Com a condensação de nuvens, e a luz reage de maneira diferente dependendo da quantidade de água condensada pela qual passa.

Os estudos vão ajudar os astrônomos a descobrirem que tipo de processos físicos e químicos acontecem nesses exoplanetas, e isso leva a descobrir qual das duas teorias mais aceitas atualmente tem mais chance de estar correta: se é a que sugere que os planetas tendem a ter frações semelhantes de elementos pesados de suas estrelas, ou se é a que acredita que essas frações podem ser diferentes. Além, claro, guiar novos estudos envolvendo a formação planetária.

Fonte: Canaltech

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