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Ministro de Minas e Energia cai; Bolsonaro nomeia Adolfo Sachsida no lugar

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.07.2020 - Retrato de Adolfo Sachsida, novo ministro de Minas e Energia. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.07.2020 - Retrato de Adolfo Sachsida, novo ministro de Minas e Energia. (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou Adolfo Sachsida como novo ministro de Minas e Energia, no lugar de Bento Albuquerque, que foi exonerado a pedido, segundo consta na edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira (11).

A troca ocorre dias após a Petrobras anunciar um novo reajuste no preço do diesel. Na última segunda-feira (9), a companhia informou que o preço médio do combustível teria uma alta de 8,87% nas refinarias.

Com o aumento, o preço médio do combustível nas refinarias passou de R$ 4,51 para R$ 4,91 por litro —o repasse aos consumidores depende de políticas comerciais de distribuidoras e postos de combustíveis.

O reajuste era esperado pelo mercado, diante da escalada das cotações internacionais nas últimas semanas, mas desagradou o governo.

Bolsonaro, que pretende buscar a reeleição neste ano, tem criticado a política de preços da Petrobras. Na quinta-feira (5), o presidente afirmou que o lucro de R$ 44,5 bilhões da companhia no primeiro trimestre deste ano é um "estupro" e um "absurdo".

"Petrobras, estamos em guerra. Petrobras, não aumente mais o preço dos combustíveis. O lucro de vocês é um estupro, é um absurdo. Vocês não podem aumentar mais o preço do combustível", disse durante sua live semanal.

O novo reajuste deflagrou uma nova onda de pressões sobre o governo para o lançamento de medidas para conter o preço dos combustíveis em ano eleitoral.

Nos últimos dias, técnicos do governo voltaram a discutir possíveis soluções, entre elas o uso de dividendos pagos pela Petrobras à União para atenuar a alta dos preços nas bombas, mas não há ainda uma definição.

O governo enfrenta uma série de restrições orçamentárias para conseguir tirar qualquer medida do papel. De um lado, não há espaço dentro do teto de gastos para mais essa despesa, a não ser que haja cortes em outras áreas. De outro, técnicos não veem justificativas para abrir um crédito extraordinário, que permitiria gastos fora do teto.

A equipe econômica também tem se posicionado contra um subsídio direto ao preço dos combustíveis por avaliar que a medida custaria caro e teria pouco efeito nas bombas.

Antes de ser ministro do MME, Sachsida era um dos principais auxiliares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e participa das discussões econômicas desde a equipe de transição. Defensor do ajuste fiscal, ele já foi secretário de Política Econômica e, mais recentemente, ocupava a chefia da Assessoria Especial de Estudos Econômicos.

O novo ministro usou as redes sociais para agradecer Bolsonaro "pela confiança", Paulo Guedes "pelo apoio" e Albuquerque "pelo trabalho em prol do país".

"Com muito trabalho e dedicação espero estar a altura desse que é o maior desafio profissional de minha carreira. Com a graça de Deus vamos ajudar o Brasil", escreveu.

Doutor em economia, Sachsida é pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), professor universitário e tem livros publicados em que defende uma linha liberal para a economia do país.

Albuquerque, por sua vez, estava no comando do MME desde o início do atual governo, em 2019. Almirante da Marinha, ocupou diversos cargos importantes nas Forças Armadas antes de integrar a gestão de Bolsonaro.

Na Marinha desde 1973, ele foi diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, além de ter atuado no exterior como observador de tropas da ONU.

Esta é a terceira vez em que há demissão no governo após um aumento no preço dos combustíveis. Nas outras duas oportunidades, a troca ocorreu no comando da Petrobras.

No início de 2021, Bolsonaro demitiu o economista Roberto Castello Branco da presidência da empresa em meio à pressão por causa da política de preços da estatal. O general da reserva Joaquim Silva e Luna foi nomeado para substituí-lo, mas acabou sendo destituído em março deste ano após um mega-aumento no preço dos combustíveis.

Por meio de nota divulgada pelo ministério, Albuquerque afirma que a decisão de deixar a pasta foi de caráter pessoal e tomada em reunião entre ele e o presidente "de forma consensual".

"Por fim, participa que agradece a oportunidade e que se orgulha de ter participado do governo do presidente Bolsonaro que continua a contar com a sua lealdade, respeito e amizade", diz o texto.

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