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Ministro da Saúde francês alerta contra uso de ibuprofeno e cortisona em pacientes com coronavírus

Jean-Pierre Clatot/AFP via Getty Images

RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro da Saúde francês, Olivier Véran, alertou contra o uso de ibuprofeno em pessoas infectadas com o coronavírus.

  • Segundo ele, esse tipo de medicamento pode agravar a pneumonia causada pelo Covid-19.

O ministro da Saúde da França, Olivier Véran, fez um alerta nesse sábado (14) contra o uso de ibuprofeno em pessoas infectadas com o coronavírus. De acordo com ele, esse tipo de medicamento pode agravar a pneumonia causada pelo Covid-19. Mesmo com as recomendações do governo, que pediu o adiamento de manifestações públicas com mais de 100 pessoas, os coletes amarelos voltaram às ruas em várias cidades francesas.

"Tomar medicamentos anti-inflamatórios (ibuprofeno, cortisona e outros) pode agravar a infecção. Em caso de febre, tome paracetamol. Se você já está tomando medicamentos anti-inflamatórios ou em caso de dúvida, pergunte ao seu médico", orientou o ministro em seu perfil oficial no Twitter.

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Vendido sob esse nome no Brasil e outras denominações comerciais, como Advil, Alivium ou Ibuflex, o ibuprofeno provavelmente agravará infecções já existentes e poderá gerar outras complicações. Conforme o ministro francês, vários médicos mencionaram casos de pacientes jovens infectados pelo Covid-19, sem outras patologias conhecidas, que se encontraram em estado grave depois de tomar ibuprofeno para baixar a febre provocada pela nova gripe.

Véran é médico. Com mais de 3.600 casos confirmados no país e 79 mortes, ele insistiu que "estamos no início de uma epidemia de um vírus desconhecido" e instou toda a população "a modificar rigorosa e escrupulosamente de comportamento, para se proteger individualmente e também de forma coletiva.

Segundo o diretor-geral dos hospitais públicos de Paris, Martin Hirsch, os hospitais da capial francesa "nunca enfrentaram um fenômeno de tal magnitude". Em entrevista ao jornal Le Monde, Hirsch relatou que dos cerca de 900 testes de triagem do Covid-19 realizados na sexta-feira (13) na capital francesa, cerca de 20% deram positivo. Hirsch descreveu uma situação "inédita" e "complexa", mas tranquilizou os parisienses assegurando que as equipes dos hospitais públicos estão prontas para receber novos pacientes. "Pode haver um aumento de casos graves de 20% a 30% por dia", o que "representaria 400 pacientes que necessitam simultaneamente de cuidados intensivos na região de Île-de-France [onde fica a capital] dentro de dez a quinze dias", prevê o diretor-geral.

Coletes amarelos nas ruas

Nesse sábado, a França registrou um primeiro caso da infecção no sistema penitenciário. Um detento do presídio de Fresnes (região parisiense) de 74 anos contraiu o novo Covid-19. Pela idade avançada, o presidiário esteve em uma célula individual desde que chegou à penitenciária, no dia 8 de março. Depois de apresentar sintomas, ele foi levado para o hospital Kremlin-Bicêtre.

O coronavírus também avança entre políticos franceses. A secretária de Estado para a Transição Ecológica, Brune Poirson, 38 anos, testou positivo para o coronavírus, assim como a senadora Guylène Pantel. O ministro francês da Cultura, Franck Riester, e dez deputados foram contaminados.

O governo tem recomendado o adiamento de encontros e manifestações públicas com mais de 100 pessoas. Os coletes amarelos, no entanto, ignoraram essa orientação e voltaram às ruas neste sábado em Paris, Bordeaux (sudoeste) e outras localidades, a fim de marcar o 70° ato do movimento. A polícia deteve ao menos 34 manifestantes na capital, depois de surgirem focos de incêndio na zona sul da cidade.

Apesar das medidas tomadas para conter a propagação do coronavírus, os franceses vão às urnas neste domingo (15), no primeiro turno das eleições municipais. As autoridades responsáveis pela organização das seções eleitorais se prepararam para receber os eleitores nas melhores condições possíveis, desinfetando maçanetas, mesas e cabines de votação. Os franceses são convidados a levar uma caneta de casa. Foram tomadas medidas para evitar filas e respeitar as distâncias de segurança.