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Ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirma demissão

Lu Aiko Otta, Matheus Schuch e Raphael Di Cunto
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Em vídeo divulgado ao lado do presidente Jair Bolsonaro, titular do cargo comunicou saída do governo para assumir uma diretoria no Banco Mundial O ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirmou nesta tarde a sua demissão. Em vídeo gravado ao lado do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, afirmou que assumirá um cargo de diretor no Banco Mundial. Ele evitou comentar os motivos da saída e reforçou apoio ao presidente e afirmou que seguirá “lutando pela liberdade de outra forma”. “Estou fechando um ciclo e começando outro, é claro que eu sigo apoiando o senhor”, afirmou. “Neste período, eu vi um patriota que defende os mesmos valores que eu sempre acreditei”. Bolsonaro pediu a palavra, afirmou que o momento é “difícil” e que fará “o que o povo quiser”. “É um momento difícil, todos os meus compromissos de campanha continuam de pé”, afirmou. “A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando, o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade, eu faço o que o povo quiser”. Apoiado pela ala ideológica do governo, Weintraub já tinha a demissão dada como certa depois da divulgação do vídeo de uma reunião ministerial em que chamou os ministros do Supremo Tribunal Federal de “vagabundos” que deveriam ser presos. A expectativa é que o secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, assuma interinamente o Ministério da Educação (MEC). Com a corda esticada ao máximo com o STF, Bolsonaro faz um aceno de diálogo aos ministros da Corte afastando Weintraub, que figura como indiciado no inquérito das “fake news”. Em contrapartida, o tribunal fez um aceno de que não fechou as portas ao Planalto: foi esse o recado do comparecimento do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, na posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria. A saída de Weintraub também atende a pressões do Congresso, principalmente do Senado, que cobrava a demissão do ministro. Na última semana, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), devolveu ao Planalto medida provisória que daria poderes a Weintraub para nomear provisoriamente reitores das universidades federais. Nadalim tem perfil semelhante ao de Weintraub: é seguidor de Olavo e defende as mesmas ideias, como o ensino domiciliar. Manter o MEC na cota da ala ideológica é ponto inegociável para os bolsonaristas, que veem a pasta como um instrumento para conter a expansão de um suposto “marxismo cultural”. A situação de Weintraub já era considerada insustentável para uma parte do governo, mas piorou após sua participação em atos no último domingo, com manifestantes bolsonaristas, onde ele reforçou as críticas aos ministros do STF. Na véspera, bolsonaristas haviam disparado fogos de artifício contra a sede do tribunal. Um dia depois, Bolsonaro criticou publicamente a participação do auxiliar no ato. “Eu acho que ele não foi muito prudente em participar da manifestação, apesar de não ter falado nada de mais ali. Mas não foi um bom recado. Por quê? Porque ele não estava representando o governo. Ele estava representando a si próprio. Como tudo o que acontece cai no meu colo, é um problema que estamos tentando solucionar com o senhor Abraham Weintraub”, afirmou Bolsonaro em entrevista à BandNews TV. Banco Mundial No início da noite, o Ministério da Economia informou que o governo brasileiro indicou Weintraub para a diretoria-executiva do Banco Mundial que tradicionalmente é ocupada pelo Brasil. Ela representa mais oito países: Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago. O cargo se encontra vago desde que o ocupante anterior, Fábio Kanczuk, retornou ao Brasil para ser diretor do Banco Central. Para que Weintraub ocupe o posto, precisará passar por um processo formal de votação por parte dos países representados nessa diretoria-executiva. O Banco Mundial faz parte dos organismos multilaterais que os integrantes da ala ideológica do governo criticam e chamam de "globalista". Em nota, o Ministério da Economia destaca que Weintraub tem mais de 20 anos de atuação como executivo do mercado financeiro. Foi economista-chefe e diretor do Banco Votorantim, além de CEO da Votorantim Corretora no Brasil e da Votorantim Securities nos Estados Unidos e na Inglaterra. Foi também sócio da gestora de fundos Quest Investimentos, integrou o Comitê de Trading da BM&FBovespa e o Comitê de Macroeconomia da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima). Na Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias, atuou como conselheiro do Comitê de Macroeconomia. Weintraub é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Possui mestrado em Administração e MBA Internacional, destaca a pasta. “Foi um dos responsáveis pela elaboração do Plano de Governo de campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018.” Antes de ministro da Educação, foi secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República. Deixou o cargo quando foi nomeado ministro da Educação.