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Ministério da Saúde terá metade das vacinas prometidas para fevereiro

Colaboradores Yahoo Notícias
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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - JANUARY 22: Eduardo Pazuello Health Minister of Brazil talks next to Minister of Foreign Affairs Ernesto Araujo after the arrival of the Oxford / AstraZeneca vaccines at the Tom Jobim International Airport on January 22, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello accompanied the arrival of 2 million imported doses of the vaccine, coming from India. According to the Oswaldo Cruz Foundation (Fiocruz), vaccines produced by the Serum Institute, in India, will be ready for use after quality and safety control and labeling. The National Health Surveillance Agency (Anvisa) authorized the emergency use of the CoronaVac and the AstraZeneca vaccines against Covid-19. (Photo by Wagner Meier/Getty Images)

O Ministério da Saúde deverá ter menos da metade das vacinas contra o novo coronavírus prometidas para fevereiro: 5,6 milhões das 11,3 milhões de doses esperadas para o mês. A quantidade, equivalente a 49,5% da previsão feita pelo ministro Eduardo Pazuello em reunião com governadores na última quarta-feira (17), pode ser ainda menor porque o imunizante que virá da Índia não tem data de chegada prevista.

De acordo com reportagem do portal UOL, quando a pasta apresentou os números aos governos estaduais contou também as vacinas que ainda não estavam prontas e já se sabia que as quantidades indicadas não seriam atingidas. Até sexta-feira, segundo o consórcio de veículos de imprensa, 5.505.049 brasileiros haviam sido vacinadas com a primeira dose de um dos imunizantes disponíveis e 308.791 com a segunda dose.

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A principal falha do cronograma apresentado por Pazuello aos governadores está na Coronavac. A pasta diz que terá 9,3 milhões de doses do imunizante, distribuído no Brasil pelo Instituto Butantan. Porém, ao final de fevereiro, o órgão ligado ao governo de São Paulo estima que terá entregue 3,6 milhões ao ministério para distribuir aos estados. O cálculo leva em conta que já foram entregues 1,1 milhão de doses em 5 de fevereiro. A partir desta terça-feira (23), serão mais 426 mil por dia.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que “contava com a chegada de 9,3 milhões de doses da vacina contratada” junto ao Butantan. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse que “fica muito difícil planejar sem termos a confirmação do que vamos receber”.

O Butantan reagiu dizendo que a pasta “omite e ignora fatos" e que desgastes diplomáticos do governo Bolsonaro com a China “provocaram atrasos no envio da matéria-prima necessária para a produção da vacina”. “É inacreditável que o Ministério da Saúde queira atribuir ao Butantan a responsabilidade pela sua completa falta de planejamento, que acarretou a falta de vacinas para a população em diversos municípios do país”, rebateu o instituto.

O Governo Federal ignorou três contratos enviados pelo instituto para combinar e acordar sobre as doses que seriam entregues ao ministério. O diretor do instituto, Dimas Covas, chegou a entregar um ofício nas mãos de Pazuello, que não respondeu.

Procurado pela reportagem do portal UOL, a pasta federal disse que “a redução no número de vacinas quebra a expectativa do Ministério da Saúde de cumprir o cronograma divulgado em 17 de fevereiro” e que “precisará rever a distribuição das doses das vacinas relativas ao mês de fevereiro”.

O Brasil tem certeza da contratação de 200 milhões de doses (somente com Coronavac e Oxford) das cerca de 590 milhões indicadas na planilha do ministério. Outras 110 milhões de doses da vacina de Oxford e mais 30 milhões da Coronavac ainda são tidas como intenção de “compra futura”. No caso da vacina do Butantan, o ofício com intenção de compra foi feito apenas na quinta-feira (18), um dia após a reunião com governadores.

O país ainda deverá receber 42,5 milhões de doses de imunizantes diversos por meio do programa Covaxx Facility ao longo de 2021.