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Ministério Público pede que Google e WhatsApp removam imagens de Momo

Felipe Demartini
De acordo com o MP do estado da Bahia, imagens da boneca sinistra estariam sendo usadas para incentivar crianças e adolescentes a praticarem crimes ou cometerem suicídio. Imagens vêm causando tensões entre os pais pela aparição em vídeos infantis

O Ministério Público da Bahia notificou o Google e o WhatsApp para que retirem do ar imagens e vídeos de Momo. De acordo com o órgão, as cenas da boneca sinistra estariam sendo usadas por criminosos para incitar jovens e adolescentes a cometerem delitos ou atos contra a própria integridade, incluindo suicídio.

De acordo com o promotor Moacir Nascimento, que lidera o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos da Bahia, as cenas de Momo aparecem em vídeos que incitam extorsão, roubo de dados e atos de violência. Segundo ele, nenhum caso foi registrado junto às autoridades, com a ação do MP tendo sido instaurada de forma preventiva, para lidar com as repercussões do obscuro meme nas redes sociais.

Ainda segundo Nascimento, os vídeos de Momo ainda não falam português, mas já estão sendo compartilhados entre brasileiros em versões em espanhol e inglês. Mais uma vez, o objetivo do procedimento é colher dados e provas e buscar apoio das empresas, que ainda não se pronunciaram sobre o pedido do Ministério Público.

A polêmica relacionada a Momo também estará sendo comparada pela imprensa brasileira com o jogo da Baleia Azul, que em 2017, teria levado dezenas de crianças ao suicídio. Os casos envolviam violência e ferimentos autoinflingidos pelos jovens a partir de uma série de série de desafios que eram enviados por meio do WhatsApp.

Aparições de Momo também estão assustando os pais e se tornaram uma dor de cabeça para o YouTube, que estaria diante de uma “invasão” de vídeos com a boneca em meio a conteúdos teoricamente seguros, disponibilizados por meio de seu app infantil. A empresa nega que o desafio esteja sendo exibido dessa maneira, enquanto relatos de usuários e até vídeos publicados em redes sociais apontam para o contrário.

Apesar de ter ganhado força e contornos bastante graves nas últimas semanas, o mistério de Momo surgiu, na realidade, em meados de 2018. Inicialmente, se tratava de um perfil de WhatsApp que estaria amaldiçoado e saberia tudo sobre aqueles que entravam em contato com ele. De acordo com especialistas em segurança, entretanto, tratava-se de um trabalho de engenharia social que poderia resultar, inclusive, em roubo de dados. A lenda urbana veio e se foi, retornando agora pelas mãos de indivíduos bem mais mal intencionados.

Momo, entretanto, nem mesmo tem esse nome. A figura sinistra é uma estátua com corpo de pássaro feita em 2016 pelo artista japonês Keisuke Aiso, exibida durante alguns meses em uma galeria de artes visuais em Tóquio. Em entrevistas, o criador disse se sentir culpado pelo uso de sua obra em desafios violentos desse tipo e que a imagem já foi destruída para que não possa mais ser explorada de maneira alguma.


Fonte: Canaltech

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