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Coronavírus: Governo confirma 3º caso no Brasil e espera exame do 4º

Rafael Bitencourt

Número de casos suspeitos do Covid-19 no país subiu de 488 para 530 entre terça e quarta-feira O Ministério da Saúde confirmou na tarde desta quarta-feira (4) o terceiro caso de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) no Brasil. A informação foi dada após exame de contraprova realizado em ação coordenada entre o governo federal e as secretarias de Saúde do Estado e do município de São Paulo.

Segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta, o paciente é um colombiano de 46 anos, residente na cidade de São Paulo, que viajou para Espanha, Itália, Áustria e Alemanha em fevereiro.

O paciente sentiu os sintomas da doença – como tosse, coriza e dor de garganta – nesta quarta, quando procurou atendimento no Hospital Israelita Albert Einstein. De acordo com Mandetta, ele é administrador de empresas e possivelmente estava fazendo um “mochilão” pela Europa.

Imagem de microscópio do coronavírus (amarelo) feita no Rock Mountain Laboratories, do National Institute of Allergy and Infectious Diseases do EUA

NIAID-RML/AP

Um quarto caso de contaminação pelo Covid-19 poderá ser confirmado com exames de contraprova na noite desta quarta-feira.

Trata-se de uma estudante de 13 anos que viajou para Portugal e percorreu de trem as cidades de Milão e Dolomitas, na Itália, também no mês passado. Durante a viagem, ela chegou a passar por procedimento cirúrgico por conta uma lesão muscular.

A notificação da doença foi feita pelo hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Diferentemente dos casos confirmados até agora, ela não apresentou sintomas, estando possivelmente ainda no período de 14 dias de incubação do vírus.

“Podemos colocar esse caso como atípico. Foi confirmado direto, sem apresentar sintomas”, afirmou o ministro. O exame de contraprova da paciente será feito pelo Instituto Adolfo Lutz.

O Ministério da Saúde informou que o caso da garota que aguarda o exame de contraprova entra na lista de casos suspeitos, que subiu de 488 para 531, nesta quarta. O número de casos descartados após exame laboratorial subiu de 240 para 315.

Os outros dois casos confirmados também são de residentes da capital paulista e contraíram o vírus na Itália – um homem de 61 e outro de 32 anos. Ainda não há evidências da circulação do vírus no Brasil.

O Estado de São Paulo é o que conta com o maior número de casos suspeitos, 135, seguido por Rio Grande do Sul (98), Minas Gerais (82), Rio de Janeiro (55), Santa Catarina (46), Bahia (19), Distrito Federal (18), Ceará (14), Paraná (13) e Mato Grosso do Sul (10).

Transmissão

O ministro da Saúde esclareceu que o Brasil ainda não atingiu o estágio de “transmissão sustentada” do novo coronavírus — quando há circulação da doença dentro do país. Isso porque todos os casos confirmados, até agora, são considerados “importados”, envolvendo a infecção de pessoas durante viagem a países com alto índice de transmissão do vírus.

O ministro voltou a reclamar da demora da Organização Mundial de Saúde (OMS) em declarar o critério pandêmico para a situação do coronavírus no mundo. Ele explicou que, com isso, a recomendação é de continuar a monitorar “caso a caso” os pacientes infectados ou com suspeita de contaminação e “país a país” com alto índice de contaminação.

Mandetta afirmou que as queixas apresentadas não são bem recebidas pela organização internacional. Ele afirmou que o critério pandêmico para o coronavírus levaria o país a adotar medidas de maior precaução, enquanto isso apela a recomendações adicionais pautadas pelo “bom senso”.

Diante do aumento de casos suspeitos e casos confirmados, o ministro admitiu que pode haver alguns “estresses” de demanda no sistema de saúde. Ele também admitiu que a transmissão em maior escala deve levar o país a “provavelmente” registrar casos de mortes pela infecção de pessoas com a saúde vulnerável. Segundo ele, o coronavírus tem demonstrado ser de alta transmissibilidade, mas com baixa letalidade.