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Ministério da Saúde deixa fracionamento de hidroxicloroquina a cargo de estados e municípios

Paula Ferreira e Renata Mariz
·2 minutos de leitura

BRASÍLIA— Com um estoque parado de 3 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina doados pelos Estados Unidos e por uma multinacional farmacêutica, o Ministério da Saúde anunciou uma solução para tentar repassar o medicamento: estabeleceu normas para o fracionamento dos comprimidos, que têm uma apresentação diferente das doses usadas no Brasil, o que vem impedindo sua utilização. A tarefa, no entanto, ficará a cargo de estados e municípios que queiram receber a droga, sem eficácia comprovada para Covid-19.

Os remédios doados vieram em frascos com 100 e 500 comprimidos e seu fracionamento demanda regras de segurança específicas, agora aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, explicou o secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Hélio Angotti Neto.

De acordo com ele, a partir do guia disponibilizado pelo ministério os entes estaduais e municipais poderão fazer o fracionamento para distribuir o medicamento aos pacientes.

— Esse fracionamento é feito com orientação da Anvisa que permitiu que ocorresse esse fracionamento na ponta.Que ocorresse por meio de farmácias de manipulação ou dentro de hospitais, que tem essa possibilidade de fracionar medicação num ambiente mais seguro — explicou. — Tudo isso é observado e orientado. O paciente vai receber fracionado da autoridade sanitária que realizará esse procedimento conforme as orientações desse guia

O secretário afirmou que a pasta planeja adquirir mais comprimidos de cloroquina. Segundo ele, é preciso abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento de outras doenças como lúpus, malária e artrite reumatóide. Questionado sobre a falta de evidências científicas para o uso de cloroquina no tratamento da covid-19, Neto se irritou.

— Temos evidências científica, sim, há meses e com base nisso temos atuado. O que muitas vezes tem um nível de evidência menor e precisa ser mais estudado são questões não farmacológicas que suscitam dúvidas. São feitas em cima de projeções matemáticas. Tivemos projeções catastróficas de mortalidade para o Brasil, mas foram feitas em cima de cálculos matemáticos e não por meio de pesquisas clínicas controladas — disse ele, sugerindo ainda os cursos do Ministério da Saúde para quem quiser entender sobre evidências científicas.

Ainda defendendo o uso da cloroquina, Neto afirmou que não existe remédio 100% eficaz:

— Não é dizer que tomou e não vai ter problemas. Nenhuma medicação no mundo tem 100% de sucesso. É um risco diminuído. Tudo pode funcionar ou dar errado. A ciência não nos dá certeza, nos dá possibilidade.