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Ministério da Saúde anuncia estudo para avaliar 3ª dose em vacinados com Coronavac

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.06.2021 - Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.06.2021 - Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta quarta-feira (28) que a pasta encomendou um estudo para avaliar a necessidade de uma terceira dose em pessoas que receberam a vacina Coronavac.

Segundo o ministro, a pesquisa deve ser feita pela Universidade de Oxford, e envolverá testes com uma nova dose da Coronavac e das outras três vacinas aprovadas no país: AstraZeneca, Janssen e Pfizer.

O anúncio ocorreu em conversa com jornalistas na saída da pasta, ao lado de Sue Ann Clemens, de Oxford, que coordenará o estudo.

"É um estudo patrocinado pelo Ministério da Saúde, e vai avaliar um reforço em indivíduos que tomaram a primeira e segunda dose da Coronavac. Por quê? Porque para essa vacina ainda não temos uma publicação detalhada na literatura sobre [a duração de] sua efetividade, e todas as respostas precisam ser dadas por meio de ensaios clínicos", disse Queiroga.

De acordo com Clemens, a previsão é que o estudo seja iniciado nas próximas duas semanas e envolva 1.200 voluntários, divididos entre aqueles de 18 a 59 anos e acima de 60 anos. Os testes devem ocorrer em duas cidades: São Paulo e Salvador.

"Estaremos vacinando pessoas que já tenham tomado duas doses da Coronavac e temos quatro grupos: um tomará o reforço com a Coronavac, outro com a da Pfizer, Janssen e AstraZeneca", disse Clemens. "Vamos comparar diferentes braços e ver qual a vacina que dá o melhor reforço em relação ao título de anticorpos."

A expectativa é que os resultados sejam divulgados até novembro. Com os dados, afirma, a pasta deve avaliar a necessidade de uma nova rodada de vacinação para aqueles que tomaram a Coronavac —o que, segundo a coordenadora do estudo, poderia ocorrer ainda no fim deste ano.

Ainda de acordo com Clemens, o estudo já teve aprovação da Conep, comissão que avalia ética em pesquisa.

Pesquisadores também fizeram uma reunião neste mês com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a proposta do estudo. Na ocasião, segundo a agência, foi informado que o estudo teria a participação do Instituto D'Or e Ensino e Pesquisa.

Em nota, a Anvisa diz ainda que, por se tratar de um estudo científico, e não regulatório, não será necessária aprovação prévia neste caso, mas apenas uma notificação.

Até o momento, cerca de 58 milhões de brasileiros já receberam doses da Coronavac, segundo dados do Instituto Butantan, que produz a vacina no país em parceria com a empresa chinesa Sinovac, responsável pelo imunizante. Segundo o ministério, o instituto, no entanto, não deve participar do estudo.

Em nota, o Butantan diz avaliar que a nova pesquisa "é válida e de extrema importância" e que "mantém canal aberto com as autoridades federais".

O laboratório cita estudos feitos em Serrana, no interior de São Paulo, que apontaram queda em internações e no número de mortes após a vacinação massiva com a Coronavac.

Uma nova etapa do projeto, que visa agora avaliar a duração da proteção, começou no início de julho, afirma. O objetivo é avaliar como se comporta a proteção das pessoas vacinadas com as duas doses da Coronavac após seis a oito meses da imunização. Não há, porém, previsão de aplicação de nova dose até o momento.

Além do estudo da Coronavac, há atualmente ao menos dois estudos já em andamento no país para avaliar uma terceira dose de vacinas contra a Covid, de acordo com a Anvisa. Um deles analisa a segurança e eficácia da aplicação de uma dose de reforço da vacina da Pfizer em pessoas que receberam duas doses da vacina no estudo inicial.

Outro busca avaliar o uso de uma nova versão da vacina da AstraZeneca desenvolvida para tentar aumentar a proteção contra a variante B.1.351 do coronavírus, identificada primeiro na África do Sul.

O imunizante deve ser testado em pessoas já vacinadas com duas doses da AstraZeneca ou com vacinas que usam a tecnologia de RNA mensageiro, como a da Pfizer.

A eventual necessidade de reforço na vacinação tem sido discutida em outros países também. Um estudo conduzido por pesquisadores de dez departamentos da Universidade College London (UCL) e por clínicos dos hospitais Royal Free mostrou que os níveis de anticorpos contra o coronavírus após a vacinação completa com imunizantes da AstraZeneca e da Pfizer começam a cair três semanas após a segunda dose.

Segundo o Virus Watch, mais abrangente estudo de coorte sobre Covid-19 do Reino Unido, a redução se mantém até a décima semana, mas em graus diferentes de acordo com sexo, idade e condições clínicas. O trabalho acompanha no longo prazo mais de 40 mil participantes na Inglaterra e no País de Gales.

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