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'Minha primeira experiência com gordofobia foi aos 16 anos', diz ator de série sobre assunto

Regiane Jesus
·4 minutos de leitura

Rio — Se quem canta seus males espanta, a pedida é abrir um cardápio musical que dança na cara da gordofobia com mensagens recheadas de autoestima e aceitação. Com ideias tamanho GG e manequim idem, o ator, autor e compositor Marino Rocha construiu o personagem Edu da Tijuca, gordo e tijucano como seu criador, para transformar um antigo trauma em arte. Na série “A dieta do amor”, que está sendo inicialmente apresentada no perfil homônimo no Instagram, esse “mamífero da Zona Norte tem trilha sonora própria” e entoa versos, em diversos ritmos, para combater, com bom humor, o preconceito que tira o sono de quem não entra numa calça 38.

Fora do padrão estético da sociedade desde sempre, o artista canta e discorre sobre a sua dor do passado na internet, enaltecendo o direito de não ser julgado simplesmente porque não tem o objetivo de ser fininho só para agradar aos outros. A balança marca três dígitos, sim, e a saúde segue tão farta quanto o seu peso. Em meio a esse contexto, Rocha se pergunta “emagrecer para quê?” enquanto sai da geladeira — “já que gordo não sai do armário” — para conversar com o caderno Tijuca + Zona Norte sobre uma questão que tem sabor amargo: a discriminação.

— Eu sou gordo desde pequeno, e me foi ensinado pela família, pela sociedade, que isso era um problema. Mas esse é um problema dos outros, não meu. Resolvi falar e cantar o assunto, através de 12 músicas autorais (algumas delas em parceria com outros compositores), porque incomoda saber que nos colocam rótulos de preguiçosos, acomodados... Até de pessoas não higiênicas, acredita? — questiona.

A primeira temporada da websérie “A dieta do amor” foi gravada em janeiro, sob a direção do Pedro Vasconcelos, mas só vai ser lançada depois que a pandemia passar:

— Até lá, o Edu, que sou eu, discute o tema nesse clube de autoaceitação estético-alimentar que está hospedado no perfil @serieadietadoamor no Instagram. O nosso papo não é sobre agredir o agressor, é sobre fortalecer o agredido.

Empoderar as vítimas de preconceito é preciso. O ator viveu seu primeiro episódio de gordofobia, tão cruel quanto real, na adolescência.

— Minha primeira experiência com a gordofobia aconteceu quando eu tinha 16 anos. Fui comprar uma calça numa loja de grife e perguntei à vendedora se tinha do meu tamanho. Ela trouxe uma peça 48, e eu falei que o meu número era 54. Foi aí que ela disse: “Se você usa esse número, não é para se vestir com a gente”. Na época, não se falava em gordofobia. Então, saí da loja me culpando por ser gordo. Conheço gente que mudou de país para fugir do padrão daqui. Nada mudou de lá para cá. Infelizmente, gordofobia é uma triste realidade, isso acontece todo dia — lamenta, exemplificando. — Uma moça me contou que estava na sala de parto, pouco antes de dar à luz, quando ouviu um médico perguntar ao colega anestesista se ele tinha aplicado nela uma dose para elefante. Um absurdo!

Ator achava que sucesso e sexo eram só para magros

A gordofobia se manifesta nos ambientes hospitalar, familiar e profissional e no espaço afetivo. As histórias, lamentavelmente, se multiplicam. Não à toa, o criador da série “A dieta do amor” tem necessidade de gritar para todo mundo ouvir que esse preconceito precisa acabar.

— É inacreditável, mas pessoas são eliminadas em processos seletivos porque são gordas. Como eu nunca vi um gordo fazer um papel principal numa novela, criei esse personagem para que ele possa estar numa posição de protagonismo. Quando eu era adolescente, achava que sucesso, sexo, eram coisas só para magros. Felizmente, encontrei pares na vida. Mas já senti que fui evitado só porque não estava no chamado padrão. Não tem essa de que gordo namora gordo e magro namora magro. A gente está aqui para ser feliz, se amar, independentemente do número que aparece na balança — observa Rocha.

Aliás, esse utensílio virou o terror de muita gente durante a quarentena. Até de Rocha, que, ao contrário do que se possa imaginar, não levanta a bandeira da obesidade. O que o ator não admite é a padronização estética do corpo e as consequências na sociedade para quem não se encaixa nesse formato preestabelecido. O ator controla o seu peso, faz atividade física, cuida da saúde, mas admite que durante o distanciamento social viu o ponteiro disparar.

— Eu estou passando a quarentena sozinho, então acabei engordando 4,7 quilos. Longe da família, dos amigos, sem namorar, acabei me permitindo não passar vontade alimentar (risos). Comi brigadeiro, pizza... Quando vi, o estrago já estava feito. Mas vou voltar ao meu peso anterior, de 105 quilos, em breve. Um dos preconceitos que existe é pensarem que a vida do gordo é um desgoverno alimentar. Definitivamente, a minha não é. Estou sempre de olho na balança, porque para mim é muito fácil aumentar o peso. Ser gordo não significa não ter atenção com a sua saúde — afirma.

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